Diagnóstico precoce e terapias de alta eficácia ajudam a controlar surtos e reduzir o risco de limitações ao longo do tempo
Cerca de 40 mil brasileiros convivem com a doença, segundo o Ministério da Saúde. Mais frequente entre adultos jovens, especialmente mulheres, ela afeta o sistema nervoso central e pode comprometer movimentos, visão, sensibilidade e funções cognitivas.
No Dia Nacional de Conscientização sobre a Esclerose Múltipla, celebrado em 30 de agosto, o neurologista e neuroimunologista Victor Hugo Gomes, integrante da equipe de Neurologia do Hospital São Mateus, alerta que os avanços no tratamento têm ajudado a mudar a ideia de que o diagnóstico representa perda inevitável da independência.
“Quando o paciente recebe o diagnóstico, muitas vezes ainda vem à cabeça das pessoas a imagem de alguém que ficará em uma cadeira de rodas. Hoje, isso não significa esse caminho. É possível trabalhar, praticar atividades físicas, viajar e manter seus projetos de vida”, comenta.
O quadro é provocado por uma resposta do sistema imunológico contra a mielina, estrutura que reveste e protege as fibras nervosas. Os danos podem causar formigamentos, perda de força, alterações visuais, dificuldades de equilíbrio e coordenação, além de fadiga e lentificação do pensamento.
Como algumas dessas manifestações também aparecem em outros problemas de saúde, podem inicialmente ser relacionadas a quadros mais comuns, inclusive ansiedade e depressão. Por isso, a duração, a recorrência e a associação entre diferentes sinais são importantes para a investigação.
Tratamento precoce muda perspectivas
O diagnóstico reúne avaliação neurológica, ressonância magnética e análise do líquor, além de exames complementares em situações específicas. A identificação nas fases iniciais permite começar o tratamento mais rapidamente e interferir no curso da doença.
Embora ainda não exista cura, as terapias atuais ajudam a reduzir surtos, novas lesões e o risco de acúmulo de incapacidades ao longo dos anos.
“Quanto mais cedo fazemos o diagnóstico, mais rápido podemos instituir uma terapia de alta eficácia. Com isso, conseguimos interferir no curso clínico e reduzir o risco de acúmulo de incapacidades no futuro”, salienta o neurologista.
Além dos medicamentos, atividade física e, quando indicadas, fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional contribuem para preservar a funcionalidade e a qualidade de vida. Com acompanhamento individualizado, trabalho, viagens e outros projetos podem continuar fazendo parte da rotina.
“Tudo o que desejo para os pacientes neste Agosto Laranja é autonomia para fazer escolhas, caminhar, trabalhar, praticar atividade física e realizar seus planos. Esse diagnóstico não é uma sentença. Queremos que essas pessoas tenham qualidade de vida e possam ser quem são”, assinala Victor Hugo Gomes.




