30 de abril de 2026 - 22:49

Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais

Doença afeta 325 milhões de pessoas no mundo e pode levar a hepatite aguda, cirrose e câncer de fígado. Controle de hepatites virais depende de medidas de prevenção e ampliação de estratégias diagnósticas.

O Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais é celebrado no dia 28 de julho e tem como objetivo conscientizar a população sobre o impacto dessas doenças e incentivar seu combate e prevenção. Estima-se que 325 milhões de pessoas convivem com hepatites virais no mundo atualmente, das quais mais de 290 milhões estão infectadas com os tipos B e C (e muitas não sabem). Apesar de existirem tratamentos para a doença, a prevenção é a melhor forma de se proteger.

“Praticamente todos os vírus que nos infectam de forma aguda provocam uma inflamação reacional no fígado, isto é, uma hepatite”, conta o infectologista do Cedic Cedilab/Dasa José David Urbaez. “No caso dos vírus que causam as hepatites virais, eles têm o fígado como o principal alvo de sua ação e são muito diversos, tendo características e mecanismos de transmissão muito diferentes uns dos outros”, continua.

Existem cinco tipos identificados de hepatites virais: A, B, C, D (mais conhecida como Delta) e E. O vírus que causa o tipo A é transmitido pelo consumo de água ou comida que teve contato com as fezes de uma pessoa contaminada. A doença causada por ele costuma ser aguda, e os sintomas são sensação de mal-estar, indisposição e uma febre de baixa intensidade. Em 99% dos casos ela é combatida pelo próprio sistema imunológico do paciente, mas em quadros raros ela pode evoluir para uma insuficiência hepática fulminante, o que pode levar ao óbito em pouco tempo. O tipo E é muito parecido com a hepatite A, com a diferença que pode se tornar crônico em pessoas imunocomprometidas em raríssimos casos. Já o Delta é muito particular, só infecta quem já possui o vírus do tipo B e está restrito geograficamente à bacia do Amazonas e países do Mediterrâneo.

“As hepatites B e C também possuem uma fase aguda, mas podem se instalar no fígado e levar a casos crônicos com lesão moderada e progressiva ao longo dos anos. O tecido saudável é substituído por um tecido de fibrose, o que pode levar a uma alteração muito grande na funcionalidade do órgão”, conta David. “No final dessa evolução, o indivíduo passa a ser portador de uma cirrose hepática, que pode levar à morte ou necessidade de transplante”, continua.

O vírus da hepatite B é muito infeccioso e pode ser transmitido por sangue ou secreções contaminadas. Já o tipo C evolui para doença crônica em 85% dos infectados e é transmitido principalmente por trocas sanguíneas, como ocorre em hemotransfusões, entre usuários de drogas injetáveis e inaláveis e em procedimentos com instrumentos perfurocortantes. É uma das principais indicações de transplante.

“A única maneira de saber se uma pessoa está ou não com hepatite viral é por meio de exames de sangue. Infelizmente a doença ainda é subdiagnosticada e estima-se que grande parte dos infectados com os tipos B e C não sabem que estão”, conta a hepatologista do Hospital Brasília Natália Trevizoli. “Essas hepatites se destacam por estarem entre as principais causas de cirrose hepática no mundo e causam dois em cada três casos de câncer do fígado”, continua.

Os tratamentos disponíveis para os casos crônicos da doença são muito eficazes. Nem todos os casos do tipo B necessitam de tratamento, mas a infecção precisa ser controlada com medicação pelo resto da vida, já que não é curável e pode voltar a progredir caso o tratamento seja interrompido. Para o tipo B também existe uma vacina que garante mais de 95% de proteção e é aplicada universalmente pelo calendário brasileiro de vacinação. Ela está disponível também no Cedic Cedilab. Para a hepatite C não existe vacina, mas a medicação é capaz de curar o paciente em um período de 12 a 24 semanas e tem alta taxa de sucesso.

“Existem várias medidas de prevenção que podem evitar a transmissão das hepatites virais, como: o uso de preservativo em todas as relações sexuais; exigir materiais esterilizados ou descartáveis em estúdios de tatuagem e de piercings; não compartilhar instrumentos de manicure e pedicure, nem lâminas de barbear ou depilar; não compartilhar agulhas e seringas e equipamentos para drogas inaladas”, conta Natália. “Também são recomendados cuidados médicos e odontológicos, incluindo rígido controle para evitar a transmissão por meio de transfusões de sangue, transplantes, hemodiálise, procedimentos perfurocortantes e transmissão vertical (da mãe para o filho durante gestação, parto ou amamentação)”, continua.

O Hospital Brasília possui um Centro de Referência em Doenças do Fígado, com uma equipe multidisciplinar qualificada para tratar as hepatites virais e demais doenças que afetam o órgão, além de uma infraestrutura especializada para consultas, cirurgias e transplantes.

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