Há 49 anos em Cuiabá-MT, a artesã Bárbara Helayne Soardis Turi Marques, 50, é natural de Maringá (PR). “Cuiabana de coração”, ressalta a bacharel em Direito. Recentemente, ao ser exonerada de um cargo público, decidiu não mais desperdiçar seu dom: criar os colares e peças de confecção. A arte dos colares conceituais feitos à mão. Confira a íntegra da entrevista!
Blog da Condessa – Desde quando você é artesã? Como tudo começou?
Bárbara Marques – Desde minha infância. Aos nove anos fazia bonecos de MDF. Eu cortava, pintava, decorava e vendia em uma feira próxima à casa de meus pais. Também bordava. Aprendi a pintar e desenhar. Mas o que sempre me fascinava era fazer roupas para minhas bonecas. Minha mãe era quem costurava nossas roupas e eu amava quando ia com ela nas lojas de tecidos. Considerava o paraíso! Aos 17 anos ganhei minha máquina de costura, que me companha até hoje. Já trabalhei em diversos segmentos no decorrer de minha vida e recentemente ao ser exonerada de um cargo público, decidi, naquele dia, que jamais trabalharia sem amar o que faço. E eu sabia bem o que fazia meus olhos brilharem. Uns dois meses antes deste fato, eu peguei uma calça jeans de minha filha, que seria inutilizada, e desta peça, resolvi fazer um colar. Ao ir a um salão com meu mais novo colar, três mulheres me pararam perguntando onde eu tinha comprado aquele colar tão lindo. Naquele instante percebi que meu dom não podia ser desperdiçado e tive a certeza do que queria para minha vida.
Blog da Condessa – O que suas peças retratam?
Bárbara Marques – Sem sombra de dúvida a resposta é: o empoderamento da mulher. Quando comecei a criar os colares e as peças de confecção, resolvi nomear cada peça de acessório com nomes de Deusas, assim cada peça passa a ser única e autêntica, assim como as mulheres que a usam. Na linha de confecção o nosso único nicho são os tecidos de malha, que proporcionam estilo e conforto. Nós trabalhamos com confecção própria, o que nos permite criar uma peça exclusiva e adequada à numeração de nossa cliente. Ademais, as sobras dos tecidos são reutilizadas nas produções dos colares, visando o reaproveitamento, que desde o início é o foco do projeto.
Blog da Condessa – Comente sobre o material usado. São peças exclusivas?
Bárbara Marques – Atualmente, eu mesma produzo os colares e as peças de vestuário. As roupas são todas em malha viscolycra e o objetivo desta escolha é levar para as mulheres peças que vestem todo tipo de corpo. Acredito que a moda não pode, de forma alguma, ser excludente. Já as sobras servem para a confecção dos colares, que são elaborados com fios de malha, sobras de tecidos, e adereços como pérolas, strass, entre outros. Eu sempre digo que o artesão coloca na peça que cria sua energia. Quando crio uma peça encomendada por alguma mulher, aquela será única e exclusiva para ela. Poderá haver outra parecida, igual jamais. Esta é a magia de se produzir algo com as mãos.
Blog da Condessa – Quando alguém usa sua arte, espera profundamente que ela se sinta tocada?
Bárbara Marques – Sim, com certeza. A moda é empoderadora e dá força às mulheres, refletindo a evolução do mundo, seja por uma cor, uma estampa, pela sua forma, quebrando padrões antigos e a desconstrução da silhueta. A moda está aí para fortalecer a figura feminina, seja você gorda, magra, alta, baixa. O empoderamento feminino veio para libertar. Meu mais profundo desejo é que uma mulher quando se vestir de look ou usar um acessório da @estilobarbaramarques, que ela demonstre suas atitudes, valores e personalidade.
Blog da Condessa – Como está o mercado neste período de quarentena?
Bárbara Marques – O início do projeto se deu exatamente no período da quarentena. Diante de um cenário tão desolador, busquei me conectar com meu interior, passei a readequar minha rotina e a resgatar práticas cotidianas que já havia deixado de lado. Voltei a praticar yoga e criei meu ateliê. Em meio ao confinamento, descobri minha libertação. O mercado hoje é mutante e o poder atual das mídias sociais é preponderante em qualquer negócio. Foi perceptível isso no período de quarentena. Nossa marca atualmente utiliza 100% do comércio digital e todas nossas vendas são feitas por ele.
Blog da Condessa – Quem inspirou você?
Bárbara Marques – Ahhh…eu sou uma apaixonada pelas mulheres guerreiras e autênticas. São tantas as minhas musas inspiradoras, principalmente aquelas que de alguma forma marcaram seu tempo e se expressaram sem ter a vergonha ou temer serem aceitas ou não pela sociedade de sua época. Foi assim com Coco Chanel, Carmem Miranda, Rita Lee, a fantástica Iris Apfel, a nonagenária mais autêntica de Nova York. Ser autêntica e se amar, este é o segredo. E tantas outras mulheres de meu cotidiano que me inspiram. Eu seria muito injusta citar um só nome.
Blog da Condessa – Daí você tira a sua renda e da família?
Bárbara Marques – Sou casada e meu marido também trabalha. Mas boa parte da minha renda familiar vem do que faço atualmente.
Blog da Condessa -O que mais vende?
Bárbara Marques – Não existe uma peça que mais vende. Todos os modelos escolhidos acabam por atingir seu público referido, seja ele um colar mais longo, ou mais curto, cheio de pedrarias ou mais simples. Uma roupa colorida e mais ampla, ou outra monocromática para as mais discretas. Enfim, cada mulher tem sua singularidade e eu procuro abraçar todas com minha arte.
Blog da Condessa – Quanto tempo para confeccionar uma peça?
Bárbara Marques – Em média, os colares demandam cerca de 3 ou 4 horas, dependendo do modelo e da complexidade da peça. Na criação de uma peça de roupa, primeiramente fazemos a análise do modelo. Na sequência, é elaborado o desenho de um croqui e efetuamos uma peça piloto. Somente após a aprovação desta peça piloto e os ajustes necessários é que iniciamos a sua produção. Este processo dura em média uns dois dias.
Blog da Condessa – Criação de peça exige criatividade e delicadeza?
Bárbara Marques – Com certeza sim. Toda arte exige a paixão do artista. E nas peças eu procuro colocar minha criatividade, minha total paixão por aquilo que amo, muito amor e delicadeza na confecção. Cada peça desenhada retrata um pouco da pessoa que irá usá-la.
Blog da Condessa – Referência de outros artistas no seu trabalho?
Bárbara Marques – Sim, várias designers são minhas referências e meu trabalho teve início na admiração delas. Posso citar a designer Flávia Amadeu, de Brasília, atualmente residente em Londres, que desenvolve seus acessórios feitos 100% com borracha selvagem da floresta Amazônica, produzida por comunidades de seringueiros de maneira responsável, empoderando os trabalhadores da região. Outra designer fabulosa é Mana Bernardes. Suas peças de design contemporâneo produzidas manualmente por artesãos treinados por ela, através do comércio justo e com reaproveitamento de materiais do dia a dia, como garrafas PET, grampos de cabelo, sementes, retalhos, conchas partidas, sobras industriais e até bolas de gude. E tantas outras mulheres, Brasil afora, que utilizam do empreendedorismo não só como fonte de renda, mas também fonte de amor, de cura e de inspiração.
Blog da Condessa – Dedicar-se à arte faz você feliz? Por quê?
Bárbara Marques – Me dedicar a minha arte sempre será minha maior realização e minha libertação. Sempre que falo sobre minha arte, costumo dizer que o que faço coloca brilho nos meus olhos. Ver uma mulher usando um colar ou uma peça de roupa e me mandando uma foto sorrindo com elas, essa felicidade é minha maior recompensa.
Blog da Condessa – Como adquirir suas peças?
Bárbara Marques – Atualmente as peças são divulgadas em nosso Instagram @estilobarbaramarques e lá possui um link direcionando ao nosso e-commerce. Também atendemos pelo nosso Whatsapp (65) 992896003.



