Em solenidade realizada na manhã de segunda-feira (09), a reitora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), professora Marluce Souza e Silva, fez o descerramento de duas placas que resgatam a história da instituição: a primeira, que indica a sala na qual a universidade foi fundada, e a que laçou o projeto Memória Histórica da UFMT.
A reitora destacou que o projeto Memória era um sonho antigo que agora está sendo retomado. “Estamos reunidos para descerrar a placa da sala onde funcionou a primeira reitoria da UFMT. A sala onde foi instalada era um depósito de limpeza e ficou conhecida como sala de parto. Aqui também surgiram os primeiros projetos de construção e o Conselho Diretor”, ressaltou em seu discurso.
Em vídeo, o reitor fundador da UFMT, professor Gabriel Novis Neves, disse que estava feliz e honrado com a homenagem recebida e que o projeto Memória Histórica chega em boa hora. Além disso, relembrou que o espaço utilizado como primeira reitoria era um depósito. “A sala ficou conhecida como sala de parto em homenagem ao primeiro reitor da Universidade que era parteiro”, afirmou.
A pró-reitora de Gestão de Pessoas, Léia de Souza Oliveira, destacou que a retomada do projeto Memória é o resgate de uma dívida histórica que a UFMT tem com a sociedade. “Precisamos entender a nossa história, e preservar nossa memória. E não é à toa que nós estamos relançando esse projeto aqui É importante que a gente resgate essa história e desse esse presente para a comunidade”, pontuou.
A primeira reitora da UFMT, professora Luzia Guimarães, ressaltou a importância do resgate da memória da instituição. “A UFMT tem uma história rica, que diz como a universidade surgiu, o que representou e representa para Mato Grosso, uma riqueza incalculável na formação de professores e de alunos que passaram por aqui e estão em cargos importantes. Eu nasci aqui na sala do parto porque sou da primeira turma de ciências contábeis e isso está enraizado no corpo, não tem como desassociar a Universidade da sua própria existência. Passei aqui como aluna, fui acolhida como professora, fui chefe de departamento, vice-coordenadora, coordenadora de centro, pró-reitora de planejamento e reitora. Fiz uma caminhada e não tem como não conhecer a importância dessa universidade”, finalizou.
Assembleia Universitária
Estudantes, docentes e técnicos-administrativos em Educação da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) reuniram-se em assembleia universitária, realizada na manhã deterça-feira (10), para dar início aos debates sobre a atualização do regimento da UFMT. O evento também marca as comemorações de aniversário de fundação da Instituição, que completou 54 anos no último dia 10, e a entrega dos títulos de Doutor Honoris Causa para Nemézia Profeta Ribeiro e Eduardo Carlos Bianca Bittar.
Em seu pronunciamento, a reitora da UFMT, professora Marluce Souza e Silva, falou sobre a história de criação da Universidade, desde quando foi proposta a primeira aula de anatomia em Mato Grosso, em 1808, em Vila Bela da Santíssima Trindade. À época, o curso não pode ser realizado pelo contexto de difícil acesso da região, mas o tempo passou e a preocupação pelo desenvolvimento de um pensamento próprio e reflexivo para o estado levou, em 1933, à criação da Faculdade de Ciência e Letras de Mato Grosso. Outras Instituições similares começaram a surgir desde então, como as faculdades estaduais de Economia e de Direito, e que seriam reunidas e federalizadas com a criação da UFMT, conhecida como Universidade da Selva na época, em 1970.
“O curso de medicina só foi implementado em 1980, então, tivemos entre 1908, da primeira tentativa de uma aula de anatomia em Mato Grosso, até 1980, um longo amanhecer; mas nesses 10 ano a UFMT se tornou a maior instituição de ensino público do estado, despertando, desde o início, o interesse nacional e internacional, por causa de sua localização privilegiada na região amazônica e pela luta de causas indígenas e ambientais”, disse.
Ainda em seu discurso, a reitora explicou que esse resgate do passado visava demonstrar como a UFMT foi e continua sendo construída por pessoas comprometidas e que seguirá buscando pela ampliação dos direitos humanos, em respeito aos jovens, idosos, crianças, pessoas com deficiência, pretos, LGBTQIAP+, animais e a natureza.
“Com isso damos as bases para a reflexão sobre um novo estatuto da Instituição, um que dará a Universidade a possibilidade de relacionar-se com o nosso presente, que é um período de transformações, pois somos também uma gestão de transformação”, completou.
Nesse sentido, Luzia Melo, coordenadora do Sindicato dos Trabalhadores Técnicos-Administrativos em Educação da UFMT, disse que a discussão sobre o novo estatuto é um tema essencial.
“É algo muito debatido nos congressos da nossa categoria e não é de hoje que lutamos para que ele seja revisto. Esperamos que esse seja um debate profícuo do qual possamos tirar encaminhamentos importantes, principalmente para que os técnicos não continuem invisibilizados”.
Maelison Neves, diretor da Associação de Docentes da Universidade Federal de Mato Grosso (Adufmat), elogiou a iniciativa de reunir a assembleia universitária em um contexto de ataques, cortes orçamentários e tentativas de descredibilização sobre o papel dessas instituições.
“Que possamos continuar levando adiante um projeto de universidade que alcance os mais necessitados de nosso estado, o povo do campo e o povo das periferias, que são as pessoas que precisam entrar aqui”.
Ainda durante o evento, o estudante PDC Aldo de Ângelis aproveitou a assembleia para falar sobre a importância da promoção de direitos para as pessoas com deficiência na UFMT.
“Quando eu era criança eu vinha na piscina da UFMT para fazer fisioterapia e jamais pensei que seria aluno, mas ano passado, quase com a mesma idade da UFMT, eu consegui ingressar como aluno do curso de publicidade. Essa inclusão é de extrema importância, porque permite que a gente se sinta como cidadãos”.
Aldo também agradeceu a atenção que a reitora Marluce Silva e Souza dava para a questão dos alunos PCDs.
A discussão sobre o novo regimento deve acontecer agora no âmbito dos conselhos superiores da Instituição, com ampla participação da comunidade acadêmica.



