7 de novembro de 2026 - 12:44

Presidente do SINTAP/MT apresenta as metas da nova diretoria

A servidora aposentada do Instituto de Defesa Agropecuária (INDEA/MT) Diany Dias revela que a atual gestão  do Sindicato dos Trabalhadores do Sistema Agrícola, Agrário, Pecuário e Florestal do Estado de Mato Grosso (Sintap/MT) quer levar sustentabilidade para a sua base, interiorizando as ações do Sindicato e ouvindo os servidores nos 141 municípios. Segundo ela, nas gestões passadas o foco foi a aprovação do Plano de Cargos e Salários para os servidores do INDEA e o Instituto de Terras de Mato Grosso (Intermat) e a Revisão Geral Anual (RGA). Confira os detalhes na entrevista a seguir.

Blog da Condessa – Em vez de aproveitar a sua aposentadoria para descansar, você voltou para a presidência do SINTAP/MT. Qual foi o motivo, Diany? 

Diany Dias- Não foi  saudade, simplesmente. A vida sindical tem o seu glamour, o seu furor e também a sua dor. Glamour é quando você consegue chegar até o ápice da sua base. O furor é quando a base não enxerga, totalmente, aquilo que conseguimos como máxima vantagem dentro de um estado. Já a dor do sindicalista é a de não conseguir tudo que se almeja. Essa é uma dor que a gente carrega, porque sempre queremos dar o melhor para o sindicalizado. Se tivéssemos uma varinha de condão a gente usaria, mas isso não é possível, e também não temos o poder da caneta.

Blog da Condessa –  Nos 11 anos em que esteve à frente do Sindicato, você obteve grandes conquistas para os servidores do Sistema Agrícola, Agrário, Pecuário e Florestal do Estado de Mato Grosso. O que foi que ficou faltando?

Diany Dias – Tivemos grandes conquistas. O Sintap sempre buscou isso com toda a sua diretoria, e em todas as gestões tivemos ganhos, às vezes mais, às vezes menos, e muitas vezes também tivemos que recuar, para pegar impulso e depois correr de novo. Hoje o Sintap é essa potência que todos veem porque foi construído, tijolo por tijolo, numa estrutura sólida e porque nos dedicamos muito para isso.

Por outro lado, é tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo que acabamos nos esquecendo do calor humano da base. É fundamental ir às unidades, conversar pessoalmente e ouvir os servidores. Faltou isso. Agora, portanto, queremos visitar mais o campo, iremos aos municípios para constatar, de perto, as dificuldades do dia a dia dos nossos colegas.

Também sou do interior e conheço o clamor da nossa base. Lá na ponta,  tudo é mais caro, o custo de vida é muito mais alto, porque vai tudo daqui pra lá. Quando a máquina do governo quebra, ele tem uma oficina, mas quando o servidor quebra, ele não tem pra onde ir. Temos um plano de saúde adequado? Não, nós não temos. Então, o Sindicato precisa oferecer essa sustentabilidade ao servidor.

Blog  da Condessa – Quais foram os seus momentos marcantes à frente do SINTAP?

Diany Dias – O auge de nossas lutas foi o dia 24 de dezembro de 2008, quando o Plano de Carreira dos Servidores do INDEA e do Intermat foi publicado no Diário Oficial. Foi uma dura conquista, com greve e muito sacrifício, inclusive com servidores entregando cargos, tudo para o nosso grande objetivo, que era o PCCS. A mobilização dos servidores foi algo emocionante e que jamais nos esqueceremos.

Outra vitória expressiva  foi a conquista da Revisão Geral Anual (RGA), que aconteceu a partir da criação do Fórum Sindical, com a junção de todas as carreiras num único objetivo. Nossos salários naquela época estavam muito defasados, e não se podia continuar daquela maneira. A luta pela RGA aconteceu no governo Blairo Maggi. Fizemos uma paralisação em massa, e foi assim que conseguimos nossa conquista histórica.

No governo Pedro Taques tivemos que fazer greve por quase 30 dias pela RGA, e o nosso ponto foi cortado, mas depois conseguimos reverter. Tudo foi reestabelecido através do Sintap.

Blog da Condessa –  Hoje, porém, os servidores estaduais continuam sofrendo com a defasagem salarial. Poderia falar sobre o cenário atual dessa luta?

Diany Dias – Acontece que o governo não vem respeitando o pagamento da RGA como deveria, e não paga porque não quer, pois Mato Grosso é um estado pujante e tem uma grande arrecadação, não falta dinheiro. Além de perder o poder de compra, o servidor vem tendo outros prejuízos, incluindo os aposentados. O servidor paga a previdência a vida inteira, e quando está para se aposentar descobre que ainda deve continuar pagando como se ainda estivesse na ativa, isso é um absurdo.

São essas coisas que o Sindicato vem buscando resolver, para melhorar a vida dos sindicalizados. Mas  o que mais fragiliza um sindicato muitas vezes está na sua própria base. Ocorre, por exemplo, quando a base quer uma coisa que não tem sustentabilidade jurídica nem política, e não tem como a direção do sindicato lutar para atender o sindicalizado, e a base não entende isso. Por este motivo, temos procurado conscientizar mais os servidores na área sindical. É isso que nós temos que fazer, mostrar a realidade e destacar que a casa do servidor é o Sindicato, não tem pra onde correr.

Blog da Condessa-  E como o sistema agrícola, agrário, pecuário e florestal está se preparando para as eleições deste ano?

Diany Dias – O servidor público deve parar de acreditar que o Sindicato não tem que fazer política. Temos que ser apartidários, isso é muito importante, mas não podemos ignorar a política. Precisamos fazer política sim, porque ela domina as nossas ações. Afinal, por quem é que passam as nossas leis? Pelos deputados! E passam, também, pelo crivo do governador, eleito pelo povo através da política. É com isso, então, que devemos nos preocupar.

Precisamos saber em quem votar e  refletir sobre quem colocamos no poder, pois sempre apanhamos do poder executivo, de todos os gestores desse estado. Eles sempre têm uma mazela para colocar em cima dos servidores. Por mais que o Sindicato cumpra as legislações vigentes no estado, buscando a sustentabilidade da sua base, tem sempre aquele governador que quer burlar e não cuida da vida funcional do servidor.

Blog da Condessa –  Em que ano você ingressou no mundo sindical?

Diany Dias – A minha vida sindical começou com a minha mãe, que foi líder sindical. Ela trabalhava e foi presidente de sindicatos, presidente de associações, e também presidente de diretórios femininos, o MDB na época. Participou das Diretas Já com Dante de Oliveira e até hoje é emedebista, ela é da turma do Carlos Bezerra, que toda vez que me vê pergunta da minha mãe. Então ela é da turma do Humberto Bosaipo, Kazuo Sano, Tampinha, José de Arimatéia (de Barra do Garças), Joaquim Sucena, esse era o povo com quem a gente convivia.

Em 1988,  a Constituição permitiu que os servidores públicos criassem os seus sindicatos. Antes disso a gente tinha somente associações, em que eu já vinha fazendo parte da diretoria, mas nunca de frente. Surgiu, então, o Sintap-MT, e fiz parte da fundação do Sindicato com a Elione, o Aparecido Alves, o Gauchinho, Décio Coutinho, Pacheco, Pedro e Adílson do Intermat, dentre outros.

Era o Sistema agrário e pecuário com a Casemat, Empaer, Indea e Intermat. Comecei nas diretorias do Sindicato e participei de todas as diretorias desde a fundação do Sindicato, exceto da diretoria da Luzanil.  Então concorri à presidência do Sintap e fui bem sucedida com a chapa “Faça Parte”. Ganhamos a eleição em 2006 e assumimos a gestão em 2007. Desde então, fiquei 11 anos no Sindicato. Ao me aposentar, acabei renunciando ao cargo mesmo tendo sido eleita, preferindo cuidar um pouco mais da minha família, e fiquei quase quatro anos fora do Sintap.

Feito com muito 💜 por go7.com.br