7 de julho de 2026 - 05:10

Empresas, as catedrais do futuro

Foto: Reprodução

Há duas semanas participei de uma imersão sobre Eneagrama, uma técnica que trata da personalidade humana, dividindo-a em 9 tipos de perfis. O instrutor foi o próprio Domingos Cunha, um padre católico português que mora no Brasil e é um dos organizadores do sistema do eneagrama.

Ao final de três dias, no fechamento do encontro, ele disse uma frase que mexeu muito comigo e me tirou a paz de raciocínio tradicional: “As empresas serão as novas catedrais do futuro”. Em tempos de inteligência artificiai como os atuais, de outras tecnologias disruptivas e de transformações humanas em rapidez como nunca se viu antes na humanidade, a frase é um choque.

Preciso lembrar que lá pela Idade Média, tempo da construção da maioria das grandes catedrais religiosas, tratava-se do maior avanço á época em termos de arquitetura de cultura, de engenharia, de poder religioso, de poder político e de opulência da Igreja. Era um símbolo da mais arrojada modernidade.

Nos tempos atuais já não se constroem catedrais religiosas, porque os tempos são outros. O poder não está mais na engenharia arquitetônica e nem no que elas representam como símbolo da religiosidade. Isso está nas mãos das tecnologias, independente do que a engenharia moderna seja capaz de construir. O que as tecnologias trazem de mais imediato é a capacidade de inovação, que é a compreensão das transformações e a sua aplicação nos métodos e processos de gestão, de produção e de vivências humanas.

As novas gerações conviverão com as novas “catedrais” no futuro, e precisarão ser “educados” pelas gerações anteriores para o papel das transformações. Caso contrário, não compreenderão o seu tempo novo, se não souberem que a civilização é uma permanente construção. Assim como foram no passado as catedrais religiosas, Hoje elas são só conceituais.

As gerações como menos de 30 anos precisam de monitoramento que as empresas privadas, as atuais grandes empregadoras, podem lhes dar, adequando o conhecimento de cada jovem colaborador às suas necessidades específicas. A educação genérica das universidades, por exemplo, já não atende. Prova disso é que nos últimos 10 anos 32 mil estudantes matriculados abandonaram a Universidade Federal de MT, porque lá não está mais o seu projeto de futuro, O futuro está onde estiverem as tecnologias e a sua capacidade de transformação. Aí estarão as catedrais.

Sugiro que você abra no Google a foto de uma catedral histórica e avalie a sua complexidade. Ela foi fruto de mãos e mentes humanas. Tal qual será no futuro, em outras linguagens.

*Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

 

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