{"id":7358,"date":"2023-06-14T05:00:41","date_gmt":"2023-06-14T09:00:41","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdacondessa.com.br\/?p=7358"},"modified":"2023-06-13T18:51:19","modified_gmt":"2023-06-13T22:51:19","slug":"o-que-explica-aumento-de-mortalidade-por-infarto-em-mulheres-jovens-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogdacondessa.com.br\/blog\/saude\/o-que-explica-aumento-de-mortalidade-por-infarto-em-mulheres-jovens-no-brasil\/","title":{"rendered":"O que explica aumento de mortalidade por infarto em mulheres jovens no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>A mortalidade por infarto entre mulheres jovens no Brasil est\u00e1 em crescimento \u2014 e menos da metade delas recebe o tratamento adequado para prevenir ou tratar esse problema. Esses s\u00e3o dois dos principais alertas de\u00a0<a href=\"https:\/\/abccardiol.org\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Posicionamento-sobre-Doenca-Isquemica-do-Coracao_A-Mulher-no-Centro-do-Cuidado_2023.x55156.pdf\">um recente posicionamento<\/a>\u00a0sobre a sa\u00fade do cora\u00e7\u00e3o feminino lan\u00e7ado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). A entidade chama a aten\u00e7\u00e3o para todas as falhas na cadeia de preven\u00e7\u00e3o, diagn\u00f3stico precoce e tratamento do ataque card\u00edaco \u2014 e de outras doen\u00e7as agudas que afetam o sistema cardiovascular \u2014 entre o p\u00fablico feminino. Na cardiologia, as diferen\u00e7as entre homens e mulheres &#8220;v\u00e3o al\u00e9m das quest\u00f5es cromoss\u00f4micas&#8221; e envolvem &#8220;os valores sociais, as percep\u00e7\u00f5es e os comportamentos&#8221;, que &#8220;moldam padr\u00f5es e criam diferentes papeis na sociedade&#8221;, aponta o documento. Essas quest\u00f5es ganham mais import\u00e2ncia quando lembramos que as doen\u00e7as cardiovasculares s\u00e3o a principal causa de morte no Brasil, independentemente do sexo.<\/p>\n<p>Mas o que est\u00e1 por tr\u00e1s dessa quase neglig\u00eancia do cora\u00e7\u00e3o feminino? Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil apontam que n\u00e3o existe um \u00fanico fator que explica o fen\u00f4meno \u2014 e h\u00e1 toda uma sucess\u00e3o de falhas por tr\u00e1s desse cen\u00e1rio. A seguir, confira o aumento da mortalidade nesse p\u00fablico em compara\u00e7\u00e3o \u00e0s demais faixas et\u00e1rias e entenda o que sa\u00fade mental e sintomas \u201cdesprezados\u201d t\u00eam a ver com o problema.<\/p>\n<p><strong>Mulheres mais jovens sob risco<\/strong><\/p>\n<p>O infarto geralmente acontece quando h\u00e1 o entupimento das art\u00e9rias coron\u00e1rias, os vasos que levam sangue rico em oxig\u00eanio e nutrientes para o cora\u00e7\u00e3o funcionar direito. Essa crise card\u00edaca aguda \u2014 e potencialmente mortal \u2014 costuma ser o estopim de uma s\u00e9rie de elementos que se acumulam por anos ou d\u00e9cadas, como doen\u00e7as cr\u00f4nicas (obesidade, hipertens\u00e3o, colesterol alto, diabetes\u2026), comportamentos e mudan\u00e7as de estilo de vida (consumo de \u00e1lcool, tabagismo, sedentarismo, sono de m\u00e1 qualidade\u2026) ou caracter\u00edsticas individuais (idade, sexo, hist\u00f3rico familiar\u2026). Tradicionalmente, o ataque card\u00edaco sempre foi vinculado \u00e0 figura do homem com mais de 45 ou 50 anos que carrega um ou mais fatores de risco da lista detalhada no par\u00e1grafo anterior. E, segundo essa linha de racioc\u00ednio, o risco para as mulheres s\u00f3 aumentava no p\u00f3s-menopausa \u2014 quando elas perdem a prote\u00e7\u00e3o cardiovascular conferida por alguns horm\u00f4nios, como o estrog\u00eanio e a progesterona. Mas a realidade \u00e9 bem mais complexa: o posicionamento da SBC revela que o percentual da taxa de mortalidade por infarto no Brasil vem caindo de forma geral entre homens e mulheres de 1990 para 2019. Por\u00e9m, quando s\u00e3o analisados os n\u00fameros espec\u00edficos de mulheres mais jovens, que estariam supostamente mais protegidas pelos fatores hormonais, mortalidade por doen\u00e7as card\u00edacas at\u00e9 aumentou nas \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>A taxa de mortalidade por doen\u00e7as cardiovasculares agudas subiu 7,6% entre mulheres de 15 a 49 anos entre 1990 e 2019. Nos outros grupos (mulheres mais velhas e homens de todas as idades), essas taxas est\u00e3o em queda ou sofreram um crescimento menor em compara\u00e7\u00e3o \u00e0s brasileiras pr\u00e9-menopausa. A varia\u00e7\u00e3o foi menor entre aquelas de 50 a 69 anos (+5,4%) e caiu entre as que j\u00e1 passaram dos 70 anos (-18,4%). Entre os homens, a varia\u00e7\u00e3o da mortalidade tamb\u00e9m foi inferior nos tr\u00eas grupos analisados: de 15 a 49 anos (+5,8%), 50 a 69 anos (+1,6%) e 70 anos ou mais (-18,2%). &#8220;Ainda n\u00e3o temos evid\u00eancias suficientes para explicar definitivamente e em detalhes porque isso est\u00e1 acontecendo e o que est\u00e1 por tr\u00e1s dessa letalidade maior nesse grupo&#8221;, admite o cardiologista Antonio Mansur, diretor do Servi\u00e7o de Preven\u00e7\u00e3o, Cardiopatia na Mulher e Reabilita\u00e7\u00e3o Cardiovascular do Instituto do Cora\u00e7\u00e3o (InCor), em S\u00e3o Paulo. Mas o documento da SBC apresenta algumas pistas que ajudam a entender esse cen\u00e1rio \u2014 como voc\u00ea confere a seguir.<\/p>\n<p><strong>Fatores de risco menos \u00f3bvios<\/strong><\/p>\n<p>Para come\u00e7ar, o posicionamento destaca que &#8220;as mulheres apresentam com maior frequ\u00eancia fatores de risco cardiovascular n\u00e3o tradicionais, como estresse mental e depress\u00e3o, e sofrem as consequ\u00eancias das desvantagens sociais devido \u00e0 ra\u00e7a, etnicidade e renda&#8221;. Ou seja: al\u00e9m daqueles gatilhos cl\u00e1ssicos do infarto (press\u00e3o alta, diabetes, sedentarismo, excesso de peso\u2026), o p\u00fablico feminino ainda \u00e9 mais afetado por problemas relacionados \u00e0 sa\u00fade mental. As quest\u00f5es psicol\u00f3gicas, por sua vez, v\u00e3o representar um fardo a mais para um cora\u00e7\u00e3o que j\u00e1 est\u00e1 sobrecarregado. O impacto do estresse e da sa\u00fade mental no cora\u00e7\u00e3o da mulher foi medido em v\u00e1rios estudos publicados ao longo dos \u00faltimos anos. Um deles, feito na Universidade Emory, nos Estados Unidos, mostrou que\u00a0<a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/29459465\/\">a taxa de ataques card\u00edacos relacionados ao estresse era o dobro no p\u00fablico feminino\u00a0<\/a>em compara\u00e7\u00e3o com o masculino. Entre pacientes que se recuperam de um infarto, a diferen\u00e7a no fardo mental tamb\u00e9m \u00e9 marcante entre os sexos. De acordo com uma pesquisa da Universidade Yale, tamb\u00e9m nos EUA,\u00a0<a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/27984507\/\">a percep\u00e7\u00e3o de estresse \u00e9 maior entre as mulheres mais jovens<\/a>\u00a0durante os doze meses que sucedem o evento cardiovascular. Em linhas gerais,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.thelancet.com\/journals\/lanpsy\/article\/PIIS2215-0366(16)30348-0\/fulltext\">a sa\u00fade mental das mulheres \u00e9 mais afetada que a dos homens por quest\u00f5es hormonais, de viol\u00eancia de g\u00eanero e traumas<\/a>, segundo uma revis\u00e3o publicada no The Lancet Psychiatry. &#8220;Existe uma tend\u00eancia na sociedade e na medicina de n\u00e3o se valorizar muito os aspectos da sa\u00fade mental. A mulher \u00e9 vista como nervosa, como se n\u00e3o soubesse se portar ou reagir&#8221;, comenta a cardiologista Ieda Jatene, do Grupo de Estudo de Doen\u00e7as Cardiovasculares em Mulheres do Hcor, em S\u00e3o Paulo. &#8220;Muitas vezes, as queixas emocionais n\u00e3o s\u00e3o encaradas com a mesma seriedade de inc\u00f4modos f\u00edsicos&#8221;, lamenta a m\u00e9dica. Que fique claro: estresse, ansiedade, depress\u00e3o e outros problemas psicol\u00f3gicos acometem homens e mulheres. Em ambos os sexos, se essas doen\u00e7as n\u00e3o forem diagnosticadas e tratadas adequadamente, elas podem resultar em ataque card\u00edaco. &#8220;Por\u00e9m, o p\u00fablico feminino tende a sofrer mais com a sobrecarga relacionada \u00e0 dupla ou \u00e0 tripla jornada di\u00e1ria&#8221;, acrescenta Jatene, referindo-se \u00e0 incumb\u00eancia de ter uma profiss\u00e3o, cuidar da casa e dar aten\u00e7\u00e3o \u00e0 fam\u00edlia que recai com maior frequ\u00eancia sobre elas. Al\u00e9m da sa\u00fade mental, a lista de fatores de risco cardiovasculares n\u00e3o tradicionais que acometem as mulheres inclui tamb\u00e9m o parto prematuro, a doen\u00e7a hipertensiva da gesta\u00e7\u00e3o, o diabetes gestacional, as doen\u00e7as autoimunes (como l\u00fapus e artrite reumatoide, mais frequentes no p\u00fablico feminino) e os tratamentos para doen\u00e7as como o c\u00e2ncer de mama.<\/p>\n<p><strong>Sintomas desprezados<\/strong><\/p>\n<p>Ap\u00f3s anos de sobrecarga, as art\u00e9rias do cora\u00e7\u00e3o entopem e o m\u00fasculo entra em pane. Falamos aqui do infarto, um evento que costuma apresentar alguns sintomas importantes e bem conhecidos \u2014 o mais famoso deles \u00e9 a dor no peito que irradia para o bra\u00e7o esquerdo. Mas aqui, mais uma vez, as mulheres saem no preju\u00edzo. Nelas, nem sempre o ataque card\u00edaco se manifesta dessa forma. Mansur, que tamb\u00e9m \u00e9 professor associado da Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo, calcula que a dor no peito aparece em 90 a 95% dos homens com infarto. Enquanto isso, esse sintoma acomete de 75 a 80% das mulheres na mesma condi\u00e7\u00e3o. &#8220;Ou seja: ela ainda \u00e9 o sinal comum e mais importante em ambos os sexos&#8221;, constata ele. As mulheres v\u00edtimas desse problema, por\u00e9m, podem sentir mais frequentemente outros inc\u00f4modos diferentes \u2014 e, em raz\u00e3o disso, nem suspeitarem que est\u00e3o sob risco. Muitas vezes, nem mesmo os profissionais da sa\u00fade que atuam em ambulat\u00f3rios e servi\u00e7os de emerg\u00eancia conhecem esses sintomas at\u00edpicos do infarto, o que atrasa o diagn\u00f3stico e o tratamento delas. &#8220;Muitas apresentam queixas como cansa\u00e7o extremo, um desconforto no peito que n\u00e3o tem uma caracter\u00edstica de aperto, falta de ar e disparos nas batidas do cora\u00e7\u00e3o&#8221;, descreve Jatene. &#8220;Todas essas manifesta\u00e7\u00f5es devem sempre ser encaradas como sinais de alerta para uma doen\u00e7a cardiovascular&#8221;, complementa ela. Al\u00e9m das pistas de infarto citadas pela m\u00e9dica, os manuais de cardiologia incluem tamb\u00e9m mal-estar s\u00fabito, sensa\u00e7\u00e3o de desmaio, dificuldades para manter a respira\u00e7\u00e3o, fraqueza intensa, tontura, suor frio, dor no abd\u00f4men ou nas costas, palidez, n\u00e1useas, v\u00f4mitos e dificuldades para dormir. Diante deles, vale ir at\u00e9 um servi\u00e7o de emerg\u00eancia com a maior rapidez poss\u00edvel.<\/p>\n<p><strong>Tratamento inadequado<\/strong><\/p>\n<p>Chegamos, enfim, \u00e0 terceira barreira da lista: segundo o posicionamento da SBC, &#8220;menos de 50% das pacientes [com doen\u00e7as card\u00edacas] s\u00e3o submetidas ao tratamento medicamentoso adequado&#8221;. Em outras palavras, mesmo quando superam as outras duas dificuldades, fazem exames de rotina ou suspeitam de algo mais grave e recebem o diagn\u00f3stico correto, mais da metade das pacientes n\u00e3o tem acesso aos rem\u00e9dios ou aos procedimentos mais indicados para o caso delas.<\/p>\n<p>Segundo os m\u00e9dicos ouvidos pela BBC News Brasil e o pr\u00f3prio documento da SBC, existem v\u00e1rios fatores que explicam esse menor acesso aos tratamentos contra as doen\u00e7as cardiovasculares. O primeiro deles tem a ver justamente com o fato de os profissionais de sa\u00fade suspeitarem menos desses problemas quando a paciente \u00e9 do sexo feminino \u2014 com isso, elas n\u00e3o recebem o diagn\u00f3stico adequado, que permitiria realizar a melhor terapia no tempo adequado. Os especialistas tamb\u00e9m observam que, no geral, as mulheres t\u00eam menos acesso a exames de rotina do cora\u00e7\u00e3o, que permitiriam flagrar aqueles fatores de risco por tr\u00e1s de um infarto \u2014 como diabetes, colesterol alto e hipertens\u00e3o arterial \u2014 e poderiam ser controlados por meio de medica\u00e7\u00f5es. Esses problemas ficam, ent\u00e3o, escondidos por d\u00e9cadas, at\u00e9 que desembocam numa crise aguda das coron\u00e1rias. O posicionamento da SBC ainda chama a aten\u00e7\u00e3o para os \u201cdeterminantes sociais da sa\u00fade\u201d, como abuso sexual e viol\u00eancia, priva\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica e baixa escolaridade. A entidade aponta que todos eles s\u00e3o \u201cpotencializadores de doen\u00e7as cardiovasculares\u201d nas mulheres \u2014 e \u00e9 importante levar em considera\u00e7\u00e3o todos esses pontos durante a consulta para ampliar o acesso aos tratamentos mais efetivos para elas. &#8220;Infelizmente, essa \u00e9 a realidade. O tratamento do infarto nas mulheres costuma ser inadequado e tardio&#8221;, classifica Mansur.<\/p>\n<p>&#8220;Elas s\u00e3o menos submetidas, por exemplo, \u00e0 angioplastia e \u00e0 coloca\u00e7\u00e3o de\u00a0stent&#8221;, diz o m\u00e9dico. Esses nomes citados pelo cardiologista fazem alus\u00e3o aos m\u00e9todos cir\u00fargicos minimamente invasivos que desentopem as art\u00e9rias coron\u00e1rias e instalam pequenos dispositivos (os\u00a0stents) que garantem a passagem de sangue pela regi\u00e3o afetada. Mansur acrescenta que, al\u00e9m dos procedimentos, as mulheres tamb\u00e9m costumam receber menos prescri\u00e7\u00f5es de rem\u00e9dios para controlar os fatores de risco tradicionais, como hipertens\u00e3o e colesterol alto \u2014 que, como vimos anteriormente, s\u00e3o gatilhos para um infarto. &#8220;As mulheres tamb\u00e9m s\u00e3o menos representadas em estudos cl\u00ednicos de cardiologia. O n\u00famero de volunt\u00e1rias nas pesquisas \u00e9 sempre muito menor&#8221;, aponta Jatene. &#8220;At\u00e9 h\u00e1 pouco tempo, acreditava-se que doen\u00e7a cardiovascular era coisa de homem e a mulher s\u00f3 apresentaria esses problemas depois que perdesse a prote\u00e7\u00e3o hormonal no p\u00f3s-menopausa. Mas sabemos hoje em dia que eles podem aparecer de forma muito mais precoce&#8221;, refor\u00e7a ela. Para completar, a recupera\u00e7\u00e3o p\u00f3s-infarto tamb\u00e9m \u00e9 mais complicada entre o p\u00fablico feminino. Segundo\u00a0<a href=\"https:\/\/jamanetwork.com\/journals\/jama\/fullarticle\/2805294\">um estudo publicado<\/a>\u00a0em maio no Jornal da Academia Americana de Cardiologia, mulheres s\u00e3o 1,65 vez mais propensas a precisar de uma nova interna\u00e7\u00e3o nos primeiros 12 meses em compara\u00e7\u00e3o com os homens. Elas tamb\u00e9m sofrem 1,46 vez mais complica\u00e7\u00f5es relacionadas ao ataque card\u00edaco e t\u00eam um risco 2,2 vezes maior de morrer nessa janela de um ano ap\u00f3s o evento inicial.<\/p>\n<p><strong>Como mudar isso<\/strong><\/p>\n<p>Para Jatene, a melhora desse cen\u00e1rio passa necessariamente por uma palavra: educa\u00e7\u00e3o. Na vis\u00e3o da m\u00e9dica, todo mundo deve conhecer melhor as formas de preven\u00e7\u00e3o dos fatores de risco cardiovasculares e os cuidados b\u00e1sicos diante dos sinais de um infarto. Do lado dos profissionais de sa\u00fade, ela tamb\u00e9m aponta para a necessidade de uma melhoria no acolhimento das pacientes. &#8220;Fundamentalmente, precisamos valorizar os sintomas precoces, mesmo que eles sejam at\u00edpicos, e encaminh\u00e1-las para uma avalia\u00e7\u00e3o&#8221;, diz a cardiologista. J\u00e1 do ponto de vista da popula\u00e7\u00e3o geral, conhecer mais sobre o problema e ter uma rotina de autocuidado \u00e9 algo primordial, aponta Jatene. &#8220;\u00c9 importante que toda mulher de 35 a 40 anos procure um cardiologista e fa\u00e7a uma avalia\u00e7\u00e3o. Isso pode ajudar na detec\u00e7\u00e3o de um problema que ainda est\u00e1 escondido&#8221;, sugere. A m\u00e9dica acredita que, quando o assunto \u00e9 cora\u00e7\u00e3o, o p\u00fablico feminino deve ter a mesma rotina de cuidados reservada \u00e0 preven\u00e7\u00e3o do c\u00e2ncer de mama \u2014 com exames peri\u00f3dicos quando h\u00e1 indica\u00e7\u00e3o e aten\u00e7\u00e3o aos poss\u00edveis sintomas de algo mais s\u00e9rio. &#8220;As mulheres geralmente cuidam do marido, dos filhos, dos pais, dos colegas de trabalho, dos amigos\u2026 Mas elas dificilmente s\u00e3o cuidadas como deveriam&#8221;, conclui ela. (Fonte: BBC News Brasil)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A mortalidade por infarto entre mulheres jovens no Brasil est\u00e1 em crescimento \u2014 e menos da metade delas recebe o tratamento adequado para prevenir ou tratar esse problema. Esses s\u00e3o dois dos principais alertas de\u00a0um recente posicionamento\u00a0sobre a sa\u00fade do cora\u00e7\u00e3o feminino lan\u00e7ado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). 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