{"id":4058,"date":"2022-06-12T05:00:48","date_gmt":"2022-06-12T09:00:48","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdacondessa.com.br\/?p=4058"},"modified":"2022-06-11T19:18:29","modified_gmt":"2022-06-11T23:18:29","slug":"os-corpos-e-as-mentes-serao-os-dois-principais-produtos-da-nova-onda-de-mudancas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogdacondessa.com.br\/blog\/mundo\/os-corpos-e-as-mentes-serao-os-dois-principais-produtos-da-nova-onda-de-mudancas\/","title":{"rendered":"\u201cOs corpos e as mentes ser\u00e3o os dois principais produtos da nova onda de mudan\u00e7as\u201d"},"content":{"rendered":"<p>\u201cN\u00f3s,\u00a0seres humanos, estamos perdendo nosso valor econ\u00f4mico e pol\u00edtico? As massas e as revoltas populares deixaram de ter poder? A medicina voltar\u00e1 a ser um privil\u00e9gio dos ricos?<\/p>\n<p>Estas s\u00e3o algumas das quest\u00f5es abordadas pelo historiador\u00a0Yuval Noah Harari, autor do best-seller mundial\u00a0Sapiens. Uma breve hist\u00f3ria da humanidade.<\/p>\n<p>A entrevista \u00e9 de\u00a0Daniel Kahneman, Pr\u00eamio Nobel de Economia, publicada por\u00a0Memo, 10-06-2022. A tradu\u00e7\u00e3o \u00e9 do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/sobre-o-ihu\/rede-sjcias\/cepat\">Cepat<\/a>.<\/p>\n<p><em>\u00a0Eis a entrevista.<\/em><\/p>\n<p><strong>\u00a0Em seu livro \u2018Sapiens\u2019, prop\u00f5e a ideia de que a ci\u00eancia nasceu quando as pessoas descobriram o que era a ignor\u00e2ncia e o que podiam fazer, que esse foi realmente o in\u00edcio. Encanto-me com essa express\u00e3o. Como foi a transi\u00e7\u00e3o, a partir do livro, para o que voc\u00ea est\u00e1 fazendo agora?<\/strong><\/p>\n<p>Foi algo natural. Hoje, a grande pergunta que me fa\u00e7o \u00e9 quais s\u00e3o as\u00a0prioridades da humanidade para o s\u00e9culo XXI. E esta \u00e9 uma continua\u00e7\u00e3o direta, ap\u00f3s ter percorrido a hist\u00f3ria da humanidade, do surgimento do\u00a0Homo sapiens\u00a0at\u00e9 o presente. Uma vez que chegamos ao final desse percurso, na sequ\u00eancia, pergunta-se: e agora?<\/p>\n<p>N\u00e3o estou prevendo o futuro, coisa que \u00e9 imposs\u00edvel, agora mais do que nunca. Ningu\u00e9m faz ideia de como ser\u00e1 o mundo daqui a quarenta ou cinquenta anos, vamos dizer. Pode ser que conhe\u00e7amos algumas das vari\u00e1veis fundamentais, mas quando se compreende o que realmente est\u00e1 acontecendo no mundo, sabe-se que \u00e9 imposs\u00edvel prever, com alguma confiabilidade, qualquer coisa nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas. \u00c9 a primeira vez na hist\u00f3ria que estamos nessa situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Estou tentando fazer algo que \u00e9 o oposto de prever o futuro. Estou tentando identificar quais s\u00e3o as possibilidades, qual \u00e9 o horizonte de possibilidades que estamos enfrentando e qual de todas elas acontecer\u00e1. Ainda temos muita margem de manobra nesse sentido.<\/p>\n<p><strong>\u00a0Poderia explicar mais sobre essas possibilidades? Por exemplo, qual \u00e9 a diferen\u00e7a entre fazer uma previs\u00e3o e estabelecer todo um leque de possibilidades?<\/strong><\/p>\n<p>Eu imagino isso no sentido visual: a diferen\u00e7a est\u00e1 em se reduzimos ou ampliamos nosso campo de vis\u00e3o. Por exemplo, quando tentamos prever o tempo amanh\u00e3, partimos de muitas possibilidades. Pode ser que chova, que neve ou talvez fa\u00e7a sol. E um bom meteorologista, segundo determinada forma de entender a ci\u00eancia, \u00e9 aquele que parte desse horizonte de possibilidades e o reduz a apenas uma ou duas. Certamente chover\u00e1, e pode ser que seja forte, ou talvez nem tanto. \u00c9 isso.<\/p>\n<p>A mesma coisa acontece com a\u00a0economia, com a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/6743-corpo-e-subjetividade-na-medicina-entrevista-especial-com-liana-albernaz-de-melo-bastos\">medicina<\/a>\u00a0e com a hist\u00f3ria. As pessoas perguntam: \u201cO que acontecer\u00e1 na sequ\u00eancia?\u201d. Temos todas essas possibilidades e eu afirmo: \u201cA\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/159-entrevistas\/593121-china-ascende-nas-areas-economica-e-militar-mas-nao-projeta-sua-cultura-pelo-mundo-entrevista-especial-com-marcos-reis\">China ser\u00e1 a \u00fanica superpot\u00eancia<\/a>\u201d. E pronto. Reduzimos o leque de possibilidades.<\/p>\n<p>O mais importante, e \u00e9 a minha principal tarefa como historiador, \u00e9 fazer com que as pessoas enxerguem possibilidades que normalmente est\u00e3o fora de seu campo de vis\u00e3o, porque seu campo de vis\u00e3o \u00e9 determinado pela hist\u00f3ria, que o limitou. Se compreendermos como ocorreu esse estreitamento de nosso campo de vis\u00e3o, seremos capazes de ampli\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Permita-me dar um exemplo de algo a respeito do qual penso muito atualmente, que tem a ver com o\u00a0futuro da humanidade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 medicina. At\u00e9 onde eu sei, estamos vivendo uma revolu\u00e7\u00e3o nessa \u00e1rea. Durante o s\u00e9culo XX, ela se concentrou em curar os doentes, e agora se concentra cada vez mais em melhorar a sa\u00fade das pessoas saud\u00e1veis, o que \u00e9 um projeto completamente diferente.<\/p>\n<p>E \u00e9 assim tanto no sentido social, como no pol\u00edtico, pois enquanto a cura dos doentes \u00e9 um\u00a0projeto igualit\u00e1rio\u00a0(que pressup\u00f5e um padr\u00e3o de sa\u00fade e que se algu\u00e9m est\u00e1 abaixo desse padr\u00e3o, \u00e9 ajudado a recuperar o n\u00edvel adequado), o atual \u00e9 um\u00a0<a href=\"https:\/\/ihu.unisinos.br\/categorias\/188-noticias-2018\/581551-a-sobrevivencia-dos-mais-ricos-e-como-tramam-abandonar-o-barco\">projeto elitista<\/a>. N\u00e3o existe nenhum padr\u00e3o que se aplique a todos.<\/p>\n<p>Isto abre a possibilidade de criar\u00a0enormes abismos entre ricos e pobres, maiores do que em qualquer momento anterior, ao longo da hist\u00f3ria. Muitas pessoas negam, dizem que isso n\u00e3o acontecer\u00e1 porque temos a experi\u00eancia do s\u00e9culo XX, quando todos os\u00a0avan\u00e7os m\u00e9dicos\u00a0estiveram, inicialmente, \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dos ricos, ou dos pa\u00edses mais avan\u00e7ados, e se espalharam progressivamente at\u00e9 chegar ao mundo todo, e agora todos usufruem dos\u00a0antibi\u00f3ticos, das\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/615606-vacinas-a-big-pharma-ja-arrecadou-90-bilhoes-para-sair-do-covid-as-patentes-devem-ser-suspensas\">vacinas<\/a>, ou de outros, e que ser\u00e1 o que vai acontecer, novamente, desta vez.<\/p>\n<p>Como historiador, minha principal obriga\u00e7\u00e3o consiste em dizer n\u00e3o, que existiram raz\u00f5es espec\u00edficas para que a\u00a0medicina\u00a0fosse igualit\u00e1ria, no s\u00e9culo XX, para que as descobertas chegassem ao mundo todo. Pode ser que essas condi\u00e7\u00f5es particulares n\u00e3o se repitam no s\u00e9culo XXI, raz\u00e3o pela qual devemos ampliar nossa vis\u00e3o e considerar a possibilidade de que a\u00a0medicina do s\u00e9culo XXI\u00a0seja elitista, e que isso d\u00ea lugar a crescentes lacunas, a\u00a0abismos biol\u00f3gicos entre ricos e pobres e entre diferentes pa\u00edses. E n\u00e3o podemos simplesmente nos restringir a confiar que um processo de difus\u00e3o para baixo resolver\u00e1 esse problema.<\/p>\n<p>Existem raz\u00f5es fundamentais pelas quais dever\u00edamos levar essa possibilidade muito a s\u00e9rio, porque, em linhas gerais,\u00a0o s\u00e9culo XX foi a era das massas: pol\u00edtica de massas e economia de massas. Todo ser humano tem valor (pol\u00edtico, econ\u00f4mico e militar) pelo simples fato de ser um humano, e isso est\u00e1 relacionado \u00e0s\u00a0estruturas militares e econ\u00f4micas, nas quais todo ser humano \u00e9 valioso como soldado nas trincheiras, ou como trabalhador na f\u00e1brica.<\/p>\n<p>Mas, no s\u00e9culo XXI, \u00e9 bem prov\u00e1vel que a maioria dos humanos perca ou j\u00e1 esteja perdendo seu\u00a0valor militar e econ\u00f4mico. Isso vale para o ex\u00e9rcito: j\u00e1 aconteceu, acabou. A era das massas faz parte do passado. N\u00e3o estamos ainda na\u00a0Primeira Guerra Mundial, quando t\u00ednhamos milh\u00f5es de soldados, cada um recebia um fuzil e tinham que ir para o front. E \u00e9 poss\u00edvel que o mesmo esteja acontecendo na\u00a0economia. Talvez a quest\u00e3o mais importante para a\u00a0economia\u00a0do s\u00e9culo XXI seja qual ser\u00e1 a pr\u00f3pria necessidade da economia das pessoas no ano 2050.<\/p>\n<p>E uma vez que a maioria das pessoas passe a n\u00e3o ser realmente necess\u00e1ria para o ex\u00e9rcito e para a\u00a0economia, a ideia de que continuaremos tendo\u00a0medicina de massas\u00a0deixa de ser algo t\u00e3o \u00f3bvio. Pode ser assim. Isso n\u00e3o \u00e9 uma profecia, mas dever\u00edamos considerar seriamente a possibilidade de que as pessoas percam seu\u00a0valor militar e econ\u00f4mico, e as consequ\u00eancias que isso teria para a\u00a0medicina.<\/p>\n<p><strong>\u00a0Parece que voc\u00ea descreve a situa\u00e7\u00e3o como se j\u00e1 estivesse acontecendo. Voc\u00ea se refere a coisas como os planos para acabar com a morte? Sem d\u00favida, esse n\u00e3o seria um projeto de massas. Voc\u00ea poderia explic\u00e1-lo um pouco mais?<\/strong><\/p>\n<p>Sim. A abordagem atual sobre a\u00a0doen\u00e7a, o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/186-noticias-2017\/564455-no-futuro-as-pessoas-nao-morrerao-por-envelhecimento-diz-cientista\">envelhecimento\u00a0e a\u00a0morte<\/a>\u00a0\u00e9 a de que s\u00e3o basicamente\u00a0problemas t\u00e9cnicos. Trata-se de uma enorme\u00a0revolu\u00e7\u00e3o do pensamento humano. Ao longo da hist\u00f3ria, o\u00a0envelhecimento\u00a0e a\u00a0morte\u00a0sempre foram tratados como\u00a0problemas metaf\u00edsicos, como algo decretado pelos deuses, algo essencial que define os humanos, que define a condi\u00e7\u00e3o e a realidade humanas.<\/p>\n<p>H\u00e1 apenas alguns anos, muito poucos m\u00e9dicos ou cientistas afirmavam categoricamente que estavam tentando vencer o\u00a0envelhecimento\u00a0e a\u00a0morte. Em vez disso, diziam que estavam buscando vencer esta ou aquela doen\u00e7a em particular, como a\u00a0tuberculose, o\u00a0c\u00e2ncer\u00a0ou o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/eventos\/78-noticias\/586682-por-que-nao-conseguimos-acabar-com-o-alzheimer\">Alzheimer<\/a>. Vencer a doen\u00e7a em geral e a morte era algo absurdo, fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica.<\/p>\n<p>Mas a nova atitude consiste em tratar\u00a0o envelhecimento e a morte como problemas t\u00e9cnicos, basicamente semelhantes a qualquer outra doen\u00e7a, como o\u00a0c\u00e2ncer, o\u00a0Alzheimer\u00a0ou a\u00a0tuberculose. Pode ser que ainda n\u00e3o conhe\u00e7amos todos os mecanismos e todos os rem\u00e9dios, mas a princ\u00edpio as pessoas sempre morrem por raz\u00f5es t\u00e9cnicas, n\u00e3o metaf\u00edsicas.<\/p>\n<p>Estes s\u00e3o todos\u00a0problemas t\u00e9cnicos\u00a0e, essencialmente, devem ter uma\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/619411-a-tecnologia-nao-ira-nos-salvar-nos-e-que-temos-que-nos-salvar-entrevista-com-marta-peirano\">solu\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica<\/a>. Essa forma de pensar est\u00e1 se consolidando como a dominante em\u00a0c\u00edrculos cient\u00edficos, e tamb\u00e9m entre os\u00a0multimilion\u00e1rios, que come\u00e7aram a compreender que algo est\u00e1 acontecendo aqui: \u201cPela primeira vez na hist\u00f3ria, se sou suficientemente rico, talvez n\u00e3o tenha que morrer\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A morte \u00e9 opcional.<\/strong><\/p>\n<p>A morte \u00e9 opcional. Quando se olha do\u00a0ponto de vista dos pobres, isso \u00e9 terr\u00edvel, porque ao longo da hist\u00f3ria a\u00a0morte\u00a0foi a grande niveladora. Ao longo da hist\u00f3ria, grande consola\u00e7\u00e3o que os pobres tiveram foi: \u201cSim, os ricos vivem bem, mas morrer\u00e3o assim como eu\u201d. Mas imaginemos um mundo, por exemplo, daqui a cinquenta ou cem anos, onde as pessoas pobres continuem morrendo, mas os ricos, al\u00e9m de todas as suas outras vantagens, tamb\u00e9m se livrem da\u00a0morte. Isso gerar\u00e1 muita ira.<\/p>\n<p><strong>\u00a0Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 frase \u201cas pessoas n\u00e3o ser\u00e3o necess\u00e1rias\u201d, voc\u00ea pode oferecer mais detalhes sobre essa distopia? \u00c9 uma express\u00e3o nova para mim. Certamente, coisas assim se desenvolvem muito devagar. Em outra \u00e9poca, estive preocupado com a forma como os computadores substituiriam as pessoas. Foi algo que me trouxe inquieta\u00e7\u00e3o quando estava no doutorado, h\u00e1 mais de cinquenta anos, e via isso como um problema muito grave e urgente. N\u00e3o era e agora tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9, mas, sim, pode ser grave. Voc\u00ea refletiu a esse respeito com profundidade, o que pode nos dizer sobre o fato de as pessoas deixarem de ser necess\u00e1rias, tanto econ\u00f4mica como militarmente? O que isso implicar\u00e1?<\/strong><\/p>\n<p>O processo b\u00e1sico \u00e9 o da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/188-noticias-2018\/582333-maquinas-digitais-hora-de-desconectar\">desconex\u00e3o entre intelig\u00eancia e consci\u00eancia<\/a>. Ao longo da hist\u00f3ria, as duas andaram de m\u00e3os dadas. Se quis\u00e9ssemos que algo fosse inteligente, precisava ter a consci\u00eancia como um de seus elementos b\u00e1sicos. As pessoas n\u00e3o estavam acostumadas a que objetos n\u00e3o humanos, sem consci\u00eancia, pudessem ser inteligentes, capazes de resolver problemas como jogar xadrez, dirigir um carro ou diagnosticar uma doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Contudo, hoje em dia, n\u00e3o estamos dizendo que os\u00a0computadores\u00a0ser\u00e3o como os\u00a0seres humanos. Penso que muitos desses cen\u00e1rios de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, em que os\u00a0computadores\u00a0ser\u00e3o como\u00a0humanos, est\u00e3o errados. Os\u00a0computadores\u00a0est\u00e3o muito longe de serem como os\u00a0humanos, principalmente no que se refere \u00e0\u00a0consci\u00eancia. O problema \u00e9 outro: \u00e9 que para o sistema, o\u00a0sistema pol\u00edtico,\u00a0militar\u00a0e\u00a0econ\u00f4mico, na verdade, a\u00a0consci\u00eancia\u00a0n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Precisa de intelig\u00eancia.<\/strong><\/p>\n<p>Precisa de\u00a0intelig\u00eancia. E a\u00a0intelig\u00eancia\u00a0\u00e9 algo muito mais f\u00e1cil de obter do que a\u00a0consci\u00eancia. E o problema \u00e9 que talvez os\u00a0computadores\u00a0n\u00e3o consigam ser conscientes, segundo minhas estimativas, nos pr\u00f3ximos quinhentos anos, mas podem, em muito pouco tempo, tornar-se t\u00e3o inteligentes ou mais do que os humanos para determinadas tarefas.<\/p>\n<p>Se pensarmos, por exemplo, nos\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/584448-quais-sao-os-perigos-da-inteligencia-artificial-em-nosso-admiravel-mundo-novo-de-carros-autonomos\">carros aut\u00f4nomos\u00a0do\u00a0Google<\/a>, e os compararmos com os taxistas humanos, vemos que estes \u00faltimos s\u00e3o imensamente mais complexos do que os\u00a0carros aut\u00f4nomos. Existem in\u00fameras coisas que o taxista \u00e9 capaz de fazer e o\u00a0carro aut\u00f4nomo\u00a0n\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas o problema \u00e9 que, do\u00a0ponto de vista puramente econ\u00f4mico, n\u00e3o precisamos de toda essa infinidade de coisas que o taxista pode fazer. Apenas que nos leve do ponto A ao ponto B da forma mais r\u00e1pida e barata poss\u00edvel. E isso \u00e9 algo que o\u00a0carro aut\u00f4nomo\u00a0pode fazer melhor, ou em breve ser\u00e1 capaz de fazer melhor.<\/p>\n<p>E quanto mais se pensa nisso, para a maioria das tarefas para as quais os humanos s\u00e3o necess\u00e1rios \u00e9 preciso apenas da\u00a0intelig\u00eancia, um tipo muito particular de\u00a0intelig\u00eancia, porque viemos experimentando, h\u00e1 milhares de anos, um processo de especializa\u00e7\u00e3o que faz com que cada vez seja mais f\u00e1cil nos substituir.<\/p>\n<p>Construir um rob\u00f4 capaz de funcionar como ca\u00e7ador-coletor de modo eficaz \u00e9 algo extremamente complicado. Teria que saber uma infinidade de coisas diferentes. Mas criar um\u00a0carro aut\u00f4nomo, ou um\u00a0Watson-bot\u00a0capaz de diagnosticar doen\u00e7as melhor do que meu m\u00e9dico, isso \u00e9 algo relativamente f\u00e1cil.<\/p>\n<p>E \u00e9 aqui que devemos considerar seriamente a possibilidade de que, embora os\u00a0computadores\u00a0permane\u00e7am atrasados em rela\u00e7\u00e3o aos\u00a0humanos\u00a0em muitos aspectos, no que se refere \u00e0s tarefas que o sistema exige de n\u00f3s, na maioria dos casos os\u00a0computadores\u00a0ser\u00e3o capazes de realiz\u00e1-las, e at\u00e9 mesmo melhor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Novamente, n\u00e3o quero fazer uma previs\u00e3o para daqui a vinte, cinquenta ou cem anos, mas o que vemos lembra um pouco a hist\u00f3ria de\u00a0Pedro\u00a0e o lobo: Sim, gritamos: \u201cO lobo est\u00e1 chegando!\u201d uma, duas, tr\u00eas vezes, e h\u00e1 os que dizem que h\u00e1 cinquenta anos j\u00e1 se previa que os\u00a0computadores\u00a0substituiriam os\u00a0humanos\u00a0e isso n\u00e3o aconteceu. Mas a verdade \u00e9 que, a cada gera\u00e7\u00e3o, o momento se aproxima, e previs\u00f5es como essas alimentam o processo.<\/p>\n<p>O mesmo acontecer\u00e1 com as\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/585927-o-ultra-capitalismo-controlara-a-longevidade\">promessas de vencer a morte<\/a>. Minha estimativa (que \u00e9 apenas isso, uma estimativa) \u00e9 que as pessoas que est\u00e3o vivas hoje, e que esperam vencer a morte dentro de cinquenta ou sessenta anos, ter\u00e3o uma enorme decep\u00e7\u00e3o. Uma coisa \u00e9 aceitar que vou morrer, e outra, muito mais dura, \u00e9 acreditar que \u00e9 poss\u00edvel enganar a morte e acabar morrendo da mesma forma.<\/p>\n<p>Mesmo que ter\u00e3o uma enorme decep\u00e7\u00e3o em suas\u00a0tentativas de vencer a morte, conquistar\u00e3o grandes coisas. Far\u00e3o com que seja mais f\u00e1cil esse objetivo para a pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o e, em algum momento, haver\u00e1 uma passagem da fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica \u00e0\u00a0ci\u00eancia, e o lobo chegar\u00e1.<\/p>\n<p><strong>\u00a0Essas suas previs\u00f5es se referem a tend\u00eancias. A tend\u00eancia \u00e9 clara, o que o progresso envolve est\u00e1 claro, mas quando voc\u00ea descreve as pessoas como desnecess\u00e1rias, est\u00e1 expondo as condi\u00e7\u00f5es para um grande problema. Quem decide o que fazer com as pessoas desnecess\u00e1rias? Em particular, quais consequ\u00eancias sociais voc\u00ea imagina ou qual \u00e9 a evolu\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica ou tecnol\u00f3gica que voc\u00ea prev\u00ea?<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Insisto, eu sou historiador, n\u00e3o bi\u00f3logo, nem cientista da computa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o estou em condi\u00e7\u00f5es de afirmar se todas essas ideias podem se concretizar na pr\u00e1tica ou n\u00e3o. A \u00fanica coisa que posso fazer \u00e9 uma an\u00e1lise do\u00a0ponto de vista do historiador\u00a0e dizer o que observo. O que mais me interessa s\u00e3o as consequ\u00eancias sociais, filos\u00f3ficas e pol\u00edticas. Basicamente, se alguma dessas tend\u00eancias se consolidar na pr\u00e1tica, o melhor que posso fazer \u00e9 citar\u00a0Marx\u00a0e dizer que\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/501076-marx-estava-certo-sobre-o-capitalismo\">tudo o que era s\u00f3lido se desmancha no ar<\/a>.<\/p>\n<p>Para citar apenas um exemplo, uma vez que resolvamos um problema como a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/170-noticias-2014\/536659-timothy-lenoir-as-sociedades-de-controle-e-a-iminencia-de-um-panoptico-global\">interface direta entre c\u00e9rebro-m\u00e1quina<\/a>, quando os\u00a0c\u00e9rebros\u00a0e os\u00a0computadores\u00a0puderem interagir diretamente, logo, esse ser\u00e1 o\u00a0fim da hist\u00f3ria, o\u00a0fim da biologia\u00a0como a conhecemos. Ningu\u00e9m sequer faz ideia do que acontecer\u00e1, caso consigamos.<\/p>\n<p>Se a vida puder, basicamente,\u00a0escapar do dom\u00ednio org\u00e2nico para a vastid\u00e3o do reino inorg\u00e2nico, \u00e9 imposs\u00edvel sequer come\u00e7ar a imaginar quais ser\u00e3o as consequ\u00eancias, porque, hoje,\u00a0nossa imagina\u00e7\u00e3o \u00e9 org\u00e2nica. Portanto, se houver esse ponto de singularidade, como \u00e9 comumente conhecido, por defini\u00e7\u00e3o n\u00e3o temos sequer como come\u00e7ar a imaginar o que acontecer\u00e1, uma vez que o atravessarmos.<\/p>\n<p>Ao lan\u00e7ar um olhar para al\u00e9m do ponto de singularidade, agora que a tend\u00eancia est\u00e1 se acelerando, o que podemos afirmar \u00e9 que poderia se repetir o que aconteceu no s\u00e9culo XX com a\u00a0Revolu\u00e7\u00e3o Industrial: a\u00a0abertura de enormes abismos entre as diferentes classes sociais e pa\u00edses. Em grandes linhas, durante o s\u00e9culo XX, esses abismos (entre classes, entre g\u00eaneros, entre grupos \u00e9tnicos, entre pa\u00edses) diminu\u00edram. Pode ser que estejamos assistindo sua reabertura, com crueldade, e que as diferen\u00e7as entre a parte do mundo industrializada e a que n\u00e3o est\u00e1 passem a ser muito maiores do que eram h\u00e1 cento e cinquenta ou duzentos anos.<\/p>\n<p>Basicamente, o que a\u00a0humanidade\u00a0aprendeu a produzir durante a\u00a0Revolu\u00e7\u00e3o Industrial do s\u00e9culo XIX\u00a0foram todos os tipos de objetos (como tecidos, cal\u00e7ados, armas e ve\u00edculos), e isso bastou para que o reduzido grupo de pa\u00edses que vivenciou a revolu\u00e7\u00e3o fosse capaz de subjugar a todos os outros. Do que estamos falando agora \u00e9 de\u00a0uma segunda Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, mas desta vez os produtos n\u00e3o ser\u00e3o tecidos, m\u00e1quinas ou ve\u00edculos, nem mesmo armas. Desta vez, o produto ser\u00e3o os pr\u00f3prios\u00a0humanos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em ess\u00eancia,\u00a0estamos aprendendo a produzir corpos e mentes. Os\u00a0corpos\u00a0e as\u00a0mentes\u00a0ser\u00e3o os dois principais produtos da nova onda de mudan\u00e7as. E caso se abra um abismo entre aqueles que sabem como\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/614587-caminhamos-para-um-novo-colonialismo-entrevista-com-yuval-noah-harari\">produzir corpos e mentes<\/a>\u00a0e aqueles que n\u00e3o sabem, ser\u00e1 muito maior do que qualquer outro que, ao longo da hist\u00f3ria, j\u00e1 tenhamos visto.<\/p>\n<p>Desta vez, se voc\u00ea n\u00e3o for r\u00e1pido o suficiente para pular na onda da revolu\u00e7\u00e3o, provavelmente acabar\u00e1 sendo extinto. Pa\u00edses que, como a\u00a0China, perderam o trem da\u00a0Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, cento e cinquenta anos mais tarde conseguiram recuperar o campo perdido, em grande medida, em termos econ\u00f4micos, gra\u00e7as \u00e0\u00a0m\u00e3o de obra barata. Desta vez, aqueles que perderem o trem n\u00e3o ter\u00e3o uma segunda oportunidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Hoje em dia, se um pa\u00eds, um grupo de pessoas, fica de fora, n\u00e3o ter\u00e1 uma segunda oportunidade, especialmente porque a\u00a0m\u00e3o de obra barata\u00a0n\u00e3o ter\u00e1 nenhuma relev\u00e2ncia. Uma vez que saibamos como\u00a0produzir corpos,\u00a0c\u00e9rebros\u00a0e mentes, a\u00a0m\u00e3o de obra barata\u00a0na\u00a0\u00c1frica, no\u00a0Sudeste asi\u00e1tico, ou seja onde for, simplesmente se tornar\u00e1 irrelevante. Ent\u00e3o, em\u00a0termos geopol\u00edticos, \u00e9 poss\u00edvel que vejamos uma repeti\u00e7\u00e3o do s\u00e9culo XIX, mas em uma escala muito maior.<\/p>\n<p><strong>\u00a0O que \u00e9 interessante e perturbador neste cen\u00e1rio \u00e9 que \u00e9 verdade, como voc\u00ea aponta, que as pessoas vivem para trabalhar, ou trabalham para viver, e no cen\u00e1rio que voc\u00ea descreve, o trabalho ser\u00e1 desnecess\u00e1rio para a maioria. Haver\u00e1 uma classe de pessoas que v\u00e3o trabalhar porque gostam e podem, e depois temos a maioria da humanidade, para quem n\u00e3o haver\u00e1 mais trabalho. Essa massa de pessoas n\u00e3o poder\u00e1 mais trabalhar, mas poder\u00e1 matar outras pessoas. Como voc\u00ea imagina a possibilidade de lutas e conflitos entre as pessoas desnecess\u00e1rias e aquelas que n\u00e3o s\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Uma vez que voc\u00ea \u00e9 desnecess\u00e1rio, deixa de ter poder. Insisto: estamos acostumados \u00e0\u00a0era das massas, aos s\u00e9culos XIX e XX, em que assistimos ao triunfo de todos esses\u00a0levantes em massa,\u00a0revolu\u00e7\u00f5es,\u00a0revoltas, e estamos acostumados a pensar nas massas como algo poderoso, mas esse \u00e9 um fen\u00f4meno basicamente pr\u00f3prio dos dois s\u00e9culos anteriores.<\/p>\n<p>Se remontamos a outros per\u00edodos da hist\u00f3ria, por exemplo, \u00e0\u00a0Idade M\u00e9dia, vemos que, embora tenha existido levantes dos camponeses, todos fracassaram, porque as massas n\u00e3o tinham poder. Uma vez que algu\u00e9m se torne desnecess\u00e1rio, tanto militar quanto economicamente, sem d\u00favida, pode continuar causando problemas, mas n\u00e3o tem a capacidade de realmente mudar as coisas.<\/p>\n<p>Uma vez em curso a\u00a0revolu\u00e7\u00e3o\u00a0que estamos experimentando no ex\u00e9rcito, na qual o n\u00famero de soldados simplesmente passa a ser irrelevante em compara\u00e7\u00e3o a fatores como a\u00a0tecnologia, as pessoas continuam sendo necess\u00e1rias, mas n\u00e3o s\u00e3o mais necess\u00e1rios milh\u00f5es de soldados, cada um com o seu fuzil. \u00c9 necess\u00e1rio um n\u00famero muito menor de especialistas que saibam utilizar as\u00a0novas tecnologias.<\/p>\n<p>Diante de\u00a0poderes militares\u00a0como esses, as massas, mesmo que de alguma forma conseguissem se organizar, nada t\u00eam a fazer. N\u00e3o estamos na\u00a0R\u00fassia de 1917\u00a0ou na\u00a0Europa do s\u00e9culo XIX. Insisto mais uma vez: n\u00e3o \u00e9 uma profecia.<\/p>\n<p>Pode ser que as coisas aconte\u00e7am de outra forma. Mas, como historiador, o mais importante \u00e9 ter consci\u00eancia de que o poder das massas, ao qual estamos t\u00e3o acostumados, tem sua origem em determinadas condi\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas, econ\u00f4micas, militares e pol\u00edticas, caracter\u00edsticas dos s\u00e9culos XIX e XX. Essas condi\u00e7\u00f5es est\u00e3o mudando, e h\u00e1 raz\u00f5es para duvidar que as massas continuem tendo poder.<\/p>\n<p><strong>\u00a0O que voc\u00ea descreve, o cen\u00e1rio que destaca, \u00e9 que o progresso tecnol\u00f3gico \u00e9 bastante acelerado, e realmente n\u00e3o importa se estamos falando de cinquenta ou cento e cinquenta anos. H\u00e1 uma organiza\u00e7\u00e3o social que permanece em p\u00e9 h\u00e1 muito tempo, d\u00e9cadas ou mesmo s\u00e9culos, e que muda em um ritmo relativamente lento. O que voc\u00ea sugere, se eu estou compreendendo bem, \u00e9 uma importante desconex\u00e3o entre a r\u00e1pida mudan\u00e7a tecnol\u00f3gica e as estruturas culturais e sociais bastante r\u00edgidas, que n\u00e3o ser\u00e3o capazes de acompanhar esse ritmo.<\/strong><\/p>\n<p>Sim, este \u00e9 um dos grandes perigos, um dos grandes problemas da\u00a0tecnologia. Ela avan\u00e7a muito mais r\u00e1pido do que a sociedade e a moralidade humanas, e isso gera uma enorme tens\u00e3o. Mas, novamente, podemos tentar aprender algo de nossa experi\u00eancia pr\u00e9via, com a\u00a0Revolu\u00e7\u00e3o Industrial do s\u00e9culo XIX, quando assistimos a mudan\u00e7as muito r\u00e1pidas na sociedade, n\u00e3o t\u00e3o velozes como as que acontecem com a\u00a0tecnologia, mas espantosamente r\u00e1pidas.<\/p>\n<p>O exemplo mais \u00f3bvio \u00e9 o\u00a0colapso da fam\u00edlia\u00a0e do\u00a0c\u00edrculo \u00edntimo, e sua substitui\u00e7\u00e3o pelo Estado e o mercado. Basicamente, ao longo de toda a hist\u00f3ria, os humanos viveram fazendo parte desses grupos pequenos e de grande import\u00e2ncia: a\u00a0fam\u00edlia\u00a0e o\u00a0c\u00edrculo \u00edntimo, consideremos, no total, cerca de duzentas pessoas que comp\u00f5em o povoado, a tribo, a vizinhan\u00e7a.<\/p>\n<p>Conhecemos a todos e todos nos conhecem. Pode ser que n\u00e3o gostem de n\u00f3s, mas nossa vida depende deles. Proporcionam quase tudo o que precisamos para sobreviver. S\u00e3o o nosso sistema de sa\u00fade. N\u00e3o h\u00e1 fundo de pens\u00f5es a n\u00e3o ser nossos pr\u00f3prios filhos. S\u00e3o o nosso banco, nossa escola, nossa pol\u00edcia, tudo. Se perdemos nossa fam\u00edlia e nosso c\u00edrculo \u00edntimo, estamos mortos, a menos que encontremos uma fam\u00edlia substituta.<\/p>\n<p>Podemos dizer que, em certo sentido, a vida talvez seja pior hoje em dia do que em 1700, porque\u00a0perdemos boa parte da conex\u00e3o com a comunidade que nos cerca. \u00c9 um argumento s\u00f3lido&#8230;, mas aconteceu. Hoje em dia, as pessoas, muitas pessoas, buscam viver como\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/523741-a-ideia-de-felicidade-ocidental-baseada-no-individualismo-falhou\">indiv\u00edduos isolados e alienados<\/a>. Nas sociedades mais avan\u00e7adas, as pessoas vivem como\u00a0indiv\u00edduos alienados, sem uma verdadeira comunidade ao seu redor, e com uma fam\u00edlia muito pequena.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 mais grandes fam\u00edlias estendidas. Agora, a fam\u00edlia \u00e9 muito pequena, talvez se limite apenas ao casal, talvez com um ou dois filhos, e mesmo esses talvez vivam em outra cidade, em outro pa\u00eds, e s\u00f3 se vejam uma vez a cada v\u00e1rios meses, no m\u00e1ximo. E o espantoso \u00e9 que as pessoas suportam. E s\u00f3 passaram duzentos anos.<\/p>\n<p>O que acontecer\u00e1 nos pr\u00f3ximos cem anos nessa escala de nossa vida di\u00e1ria, de nossos relacionamentos \u00edntimos? Tudo \u00e9 poss\u00edvel. Pode ser que o Jap\u00e3o v\u00e1 estar vinte anos \u00e0 frente do resto do mundo em tudo. Se olharmos para o Jap\u00e3o atual, vemos que as pessoas mant\u00eam\u00a0rela\u00e7\u00f5es com parceiros virtuais. E h\u00e1 pessoas que nunca saem de casa e vivem apenas atrav\u00e9s de seus\u00a0computadores.<\/p>\n<p>Pode ser que esse seja o futuro ou pode ser que n\u00e3o, n\u00e3o sei, mas para mim o surpreendente \u00e9 que \u00e9 poss\u00edvel pensar que, dada a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/595776-eugenia-biotecnologica-didig8-um-tinder-que-usara-o-dna-para-evitar-filhos-doentes\">heran\u00e7a biol\u00f3gica da humanidade<\/a>, tudo isso seria imposs\u00edvel, mas n\u00e3o \u00e9. Aparentemente, o Homo sapiens \u00e9 inclusive mais male\u00e1vel do que costumamos acreditar.<\/p>\n<p>Daqui podemos tirar uma li\u00e7\u00e3o, ou ao menos pode dar o que pensar em rela\u00e7\u00e3o \u00e0\u00a0nova revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica. Ningu\u00e9m duvidaria que todas as\u00a0novas tecnologias\u00a0potencializar\u00e3o novamente as\u00a0capacidades coletivas da humanidade, mas a pergunta que devemos nos fazer \u00e9 o que est\u00e1 acontecendo em escala individual.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria nos oferece evid\u00eancias suficientes para saber que \u00e9 poss\u00edvel dar um grande passo \u00e0 frente na\u00a0capacidade coletiva, ao mesmo tempo em que ocorre\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/599168-a-industria-da-felicidade-se-alimenta-da-insatisfacao-constante-entrevista-com-edgar-cabanas\">um importante retrocesso em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 felicidade e o sofrimento individuais<\/a>. No que diz respeito \u00e0s\u00a0novas tecnologias\u00a0que est\u00e3o surgindo, n\u00e3o s\u00f3 devemos nos perguntar como afetar\u00e3o as\u00a0capacidades coletivas da humanidade, mas tamb\u00e9m qual ser\u00e1 o seu efeito no dia a dia dos indiv\u00edduos.<\/p>\n<p>Em termos hist\u00f3ricos, os acontecimentos no Oriente Pr\u00f3ximo, com o\u00a0Estado Isl\u00e2mico\u00a0e todo o resto, n\u00e3o s\u00e3o mais do que um buraco na estrada da hist\u00f3ria. O\u00a0Oriente Pr\u00f3ximo\u00a0n\u00e3o \u00e9 muito importante. O\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/590799-o-facebook-ocupa-o-lugar-de-deus-entrevista-com-markus-gabriel\">Vale do Sil\u00edcio<\/a>\u00a0\u00e9 muito mais. \u00c9 o mundo do s\u00e9culo XXI, e n\u00e3o estou me referindo apenas \u00e0\u00a0tecnologia.<\/p>\n<p>No que se refere \u00e0s ideias, \u00e0s religi\u00f5es, atualmente, o lugar mais interessante do mundo \u00e9 o\u00a0Vale do Sil\u00edcio, n\u00e3o o\u00a0Oriente Pr\u00f3ximo. Estas s\u00e3o as religi\u00f5es que conquistar\u00e3o o mundo, n\u00e3o as que surgem da\u00a0S\u00edria,\u00a0Iraque\u00a0e\u00a0Nig\u00e9ria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cN\u00f3s,\u00a0seres humanos, estamos perdendo nosso valor econ\u00f4mico e pol\u00edtico? As massas e as revoltas populares deixaram de ter poder? A medicina voltar\u00e1 a ser um privil\u00e9gio dos ricos? Estas s\u00e3o algumas das quest\u00f5es abordadas pelo historiador\u00a0Yuval Noah Harari, autor do best-seller mundial\u00a0Sapiens. Uma breve hist\u00f3ria da humanidade. 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