{"id":14674,"date":"2026-08-24T05:00:37","date_gmt":"2026-08-24T09:00:37","guid":{"rendered":"https:\/\/blogdacondessa.com.br\/blog\/?p=14674"},"modified":"2026-08-23T18:52:02","modified_gmt":"2026-08-23T22:52:02","slug":"jejum-intermitente-o-que-os-influenciadores-nao-te-contam","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogdacondessa.com.br\/blog\/saude\/jejum-intermitente-o-que-os-influenciadores-nao-te-contam\/","title":{"rendered":"Jejum intermitente: o que os influenciadores n\u00e3o te contam"},"content":{"rendered":"<p>A cada poucos meses, ao que parece, surge uma nova rodada de debates sobre os benef\u00edcios do<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/articles\/cn0n88j1023o\">\u00a0jejum intermitente<\/a>.<\/p>\n<p>Essa\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/topics\/cpzd4zxnnrzt\">dieta<\/a>\u00a0popular, que pode assumir diferentes formas, envolve jejuar em determinados dias da semana ou restringir a alimenta\u00e7\u00e3o a certas horas do dia. O jejum intermitente ganhou fama de facilitar a perda de peso em compara\u00e7\u00e3o com a redu\u00e7\u00e3o convencional de calorias. Mas seus alegados benef\u00edcios iriam muito al\u00e9m disso e incluiriam, por exemplo, a redu\u00e7\u00e3o do risco de c\u00e2ncer e de decl\u00ednio cognitivo. N\u00e3o surpreende que esse regime tenha se tornado t\u00e3o popular.<\/p>\n<p>Evid\u00eancias recentes, no entanto, levantaram questionamentos sobre a solidez dessas alega\u00e7\u00f5es sobre benef\u00edcios. A depender do estudo, o jejum intermitente pode se mostrar mais ou menos eficaz do que outras dietas.<\/p>\n<p>Um estudo chegou a sugerir que a pr\u00e1tica pode ser prejudicial, por aumentar o risco de doen\u00e7as cardiovasculares.<\/p>\n<p>Os cientistas nem sempre concordam sobre todos os fatos, disse Krista Varady, professora de nutri\u00e7\u00e3o da Universidade do Illinois em Chicago, nos Estados Unidos, muito menos os influenciadores. &#8220;N\u00e3o \u00e9 m\u00e1gica&#8221;, disse Varady.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que o jejum intermitente foi superestimado? Ou \u00e9 uma dieta promissora, capaz de acrescentar anos \u00e0s nossas vidas? E por que as evid\u00eancias t\u00eam sido t\u00e3o inconscientes?<\/p>\n<p>Segundo muitos pesquisadores, o maior obst\u00e1culo para tornar os dados mais s\u00f3lidos \u00e9 tamb\u00e9m o mais dif\u00edcil de resolver. &#8220;N\u00e3o temos ideia do que as pessoas realmente est\u00e3o comendo&#8221;, diz Varady, da Universidade do Illinois. E isso vale para muitas outras interven\u00e7\u00f5es alimentares, se n\u00e3o para todas.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1bitos alimentares na pr\u00e9-hist\u00f3ria<\/strong><\/p>\n<p>O jejum intermitente busca reproduzir a forma com que nossos ancestrais evolu\u00edram ao se alimentar. &#8220;N\u00f3s n\u00e3o evolu\u00edmos em um ambiente em que faz\u00edamos tr\u00eas refei\u00e7\u00f5es por dia e ainda com\u00edamos dois lanches&#8221;, disse Mark Mattson, neurocientista cujo trabalho na Universidade Johns Hopkins, em Baltimore, nos EUA, foi fundamental para o desenvolvimento dessa \u00e1rea de pesquisa.<\/p>\n<p>O jejum faz com que o metabolismo deixe de queimar primeiro o a\u00e7\u00facar, um processo conhecido como glic\u00f3lise, e passe a queimar a gordura que circula no sangue. Essa mudan\u00e7a metab\u00f3lica muda o comportamento celular. As c\u00e9lulas saud\u00e1veis come\u00e7am a reciclar prote\u00ednas desgastadas e danificadas, um processo chamado autofagia, que tem o efeito de rejuvenec\u00ea-las.<\/p>\n<p>Em teoria, isso se traduz diretamente nos benef\u00edcios de sa\u00fade atribu\u00eddos ao jejum. Em uma revis\u00e3o influente publicada na revista cient\u00edfica New England Journal of Medicine, Mattson, da Universidade Johns Hopkins, amarra essa mudan\u00e7a metab\u00f3lica ao aumento da longevidade e a uma menor incid\u00eancia de doen\u00e7as, incluindo diabetes e c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>H\u00e1 apenas um problema. As evid\u00eancias mais robustas para essa narrativa vieram de estudos com camundongos, moscas e vermes. Para esses animais, o jejum intermitente se mostrou uma solu\u00e7\u00e3o milagrosa. Os camundongos podiam consumir a mesma quantidade de calorias que outro grupo, que se alimentava \u00e0 vontade, mas, desde que o per\u00edodo di\u00e1rio destinado \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o fosse restrito, eles permaneciam magros e saud\u00e1veis at\u00e9 a velhice, enquanto os demais se tornavam obesos e doentes.<\/p>\n<p>Infelizmente, as evid\u00eancias obtidas em estudos com seres humanos t\u00eam sido menos conclusivas.<\/p>\n<p><strong>De camundongos e homens<\/strong><\/p>\n<p>Considere os efeitos sobre a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/topics\/cjgn7g8493xt\">obesidade<\/a>. Dependendo do tipo de jejum intermitente, &#8220;ele provoca uma perda de peso de cerca de 5%&#8221; em seres humanos, diz Varady, da Universidade do Illinois.<\/p>\n<p>Isso \u00e9 &#8220;t\u00e3o eficaz quanto qualquer outra estrat\u00e9gia de dieta&#8221;, afirma, mas as evid\u00eancias em humanos ainda n\u00e3o reproduziram os resultados expressivos observados em camundongos (ou relatados em depoimentos nas redes sociais).<\/p>\n<p>Mesmo uma pequena perda de peso provocada pelo jejum intermitente pode, sem d\u00favida, trazer benef\u00edcios metab\u00f3licos.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 algumas redu\u00e7\u00f5es nos marcadores de risco metab\u00f3lico&#8221;, diz Varady, entre eles o colesterol e a press\u00e3o arterial. A pr\u00e1tica parece at\u00e9 reduzir os sintomas da s\u00edndrome dos ov\u00e1rios polic\u00edsticos, que em 2026 passou a ser oficialmente chamada de S\u00edndrome Ovariana Metab\u00f3lica Poliend\u00f3crina (SOMP).<\/p>\n<p>Segundo Varady, quanto menos saud\u00e1vel uma pessoa estiver no in\u00edcio da interven\u00e7\u00e3o, maiores ser\u00e3o os benef\u00edcios para a sa\u00fade. Mas, tamb\u00e9m nesse caso, eles tendem a ser menos pronunciados em seres humanos do que os observados em camundongos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, formas mais intensas de jejum intermitente, como se alimentar em dias alternados, por exemplo, podem piorar a sa\u00fade metab\u00f3lica ao provocar perda de massa corporal magra.<\/p>\n<p>Uma hist\u00f3ria familiar aparece nas alega\u00e7\u00f5es sobre melhora da cogni\u00e7\u00e3o: h\u00e1 uma diferen\u00e7a percept\u00edvel entre os dados obtidos em camundongos e os obtidos em seres humanos. As pesquisas sobre o c\u00e2ncer tamb\u00e9m apresentam resultados contradit\u00f3rios. Estudos com animais haviam associado o jejum intermitente \u00e0 preven\u00e7\u00e3o do c\u00e2ncer e a uma maior capacidade de suportar os efeitos t\u00f3xicos da quimioterapia. Mas um importante estudo sobre o mecanismo que havia funcionado em camundongos n\u00e3o obteve o mesmo resultado em seres humanos.<\/p>\n<p>Os pesquisadores haviam desenvolvido uma dieta especial destinada a reproduzir a resposta biol\u00f3gica ao jejum intermitente prolongado.<\/p>\n<p>Em tese, ela tornaria as c\u00e9lulas saud\u00e1veis mais resistentes e, ao mesmo tempo, enfraqueceria as c\u00e9lulas cancerosas. No entanto, os participantes n\u00e3o chegaram a apresentar essa mudan\u00e7a metab\u00f3lica pretendida.<\/p>\n<p>Dito isso, a dieta 5:2 (cinco dias de alimenta\u00e7\u00e3o normal e dois de consumo bem restrito) pode ajudar mulheres com c\u00e2ncer de mama metast\u00e1tico a apresentar melhores resultados durante a quimioterapia, tanto em termos de qualidade de vida quanto de progress\u00e3o mais lenta da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Em meio a resultados confusos e contradit\u00f3rios, um padr\u00e3o fica claro: os benef\u00edcios do jejum intermitente s\u00e3o menos expressivos em seres humanos do que os observados em animais. Mas por qu\u00ea?<\/p>\n<p>Parte da explica\u00e7\u00e3o est\u00e1 em diferen\u00e7as biol\u00f3gicas fundamentais. Por exemplo, a taxa metab\u00f3lica de um camundongo \u00e9 muito mais alta do que a de um ser humano, o que pode levar a interpreta\u00e7\u00f5es equivocadas. &#8220;Um jejum de 16 horas em um roedor equivale, na verdade, a um jejum de v\u00e1rios dias em um ser humano, porque a taxa metab\u00f3lica deles \u00e9 muito mais alta&#8221;, disse Courtney Peterson, professora associada de nutri\u00e7\u00e3o da Escola de Sa\u00fade P\u00fablica da Universidade de Harvard, nos EUA.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda o fato de que os camundongos usados nesses estudos costumam ser c\u00f3pias gen\u00e9ticas uns dos outros, diz Varady, o que n\u00e3o reflete a variabilidade observada em seres humanos. &#8220;Eles s\u00e3o simplesmente um modelo muito ruim&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Talvez o maior obst\u00e1culo n\u00e3o seja a biologia, mas a informa\u00e7\u00e3o. \u00c9 muito dif\u00edcil saber o que as pessoas realmente est\u00e3o comendo&#8221;, diz Peterson, da Escola de Sa\u00fade P\u00fablica de Harvard.<\/p>\n<p><strong>Mem\u00f3rias falhas<\/strong><\/p>\n<p>Parte da raz\u00e3o pela qual a rela\u00e7\u00e3o entre dieta e efeitos foi t\u00e3o marcante nos animais \u00e9 que n\u00e3o havia d\u00favida sobre o que eles estavam comendo. Camundongos e outros animais de laborat\u00f3rio n\u00e3o t\u00eam a escolha a n\u00e3o ser seguir a dieta. Eles comem exatamente quando o pesquisador oferece alimento e apenas a quantidade oferecida. Isso facilita estabelecer rela\u00e7\u00f5es diretas entre a dieta e seus efeitos biol\u00f3gicos ou m\u00e9dicos.<\/p>\n<p>Na grande maioria dos estudos com participantes humanos, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel controlar a ingest\u00e3o de nutrientes. Os pesquisadores podem orientar os participantes sobre a dieta que devem seguir e fornecer um di\u00e1rio alimentar, em papel ou, \u00e0s vezes, em formato digital. Depois, eles voltam \u00e0 vida cotidiana e fazem suas pr\u00f3prias escolhas.<\/p>\n<p>&#8220;Nas pesquisas sobre nutri\u00e7\u00e3o, n\u00e3o temos como medir o que as pessoas est\u00e3o realmente comendo&#8221;, diz Varady, da Universidade do Illinois em Chicago. &#8220;Por isso, dependemos completamente de que elas sejam honestas.&#8221;<\/p>\n<p>Mas mesmo pessoas honestas n\u00e3o t\u00eam mem\u00f3rias perfeitas. Elas podem se esquecer de registrar uma refei\u00e7\u00e3o no di\u00e1rio alimentar, o que pode dar a impress\u00e3o de que restringiram o hor\u00e1rio de alimenta\u00e7\u00e3o. Ou, por sentirem vergonha de n\u00e3o terem seguido a dieta, podem omitir uma ou duas coisas que comeram durante um per\u00edodo em que deveriam estar em jejum. Varady estima que apenas 50% dos participantes de suas pesquisas chegam a devolver os registros alimentares. Os demais, \u00e0s vezes, alteram as informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Varady diz que aprendeu isso por acaso no in\u00edcio da carreira, quando era uma jovem professora de nutri\u00e7\u00e3o. Ao passar pela sala onde os participantes de um de seus estudos esperavam para entregar os registros alimentares, viu uma pessoa anotando \u00e0s pressas todas as refei\u00e7\u00f5es de uma semana inteira. &#8220;Ela estava simplesmente inventando tudo&#8221;, diz. &#8220;E eu pensei: bem, esses dados simplesmente n\u00e3o servem. Depois pensei: &#8216;Quantas outras pessoas est\u00e3o fazendo isso?'&#8221;<\/p>\n<p>Em 2025, uma equipe internacional de pesquisadores desenvolveu uma equa\u00e7\u00e3o que permitiu ter uma ideia da dimens\u00e3o do problema e indicou que cerca de 30% das pessoas subestimam o que comem, diz Thomas Wilson, pesquisador de nutri\u00e7\u00e3o da Universidade de Aberystwyth, no Reino Unido. &#8220;\u00c9 muito raro que as pessoas relatem ter comido mais do que realmente comeram&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p>Os estudos com \u00e1gua duplamente marcada s\u00e3o considerados o padr\u00e3o-ouro para acompanhar com precis\u00e3o quanta energia uma pessoa ingere. Nesses testes, os participantes bebem \u00e1gua enriquecida com is\u00f3topos est\u00e1veis e seguros de hidrog\u00eanio e oxig\u00eanio. Ao medir a velocidade com que esses is\u00f3topos deixam o organismo pelo suor e pela urina, os cientistas conseguem calcular quanta energia o corpo utilizou naquele per\u00edodo.<\/p>\n<p>A equa\u00e7\u00e3o desenvolvida em 2025 indicou que, em m\u00e9dia, as pessoas deixam de relatar entre 400 e mais de 800 calorias consumidas. Mas os resultados variam. Quando Varady, da Universidade do Illinois em Chicago, usou esse m\u00e9todo para estimar quanto as lembran\u00e7as de uma pessoa sobre o que havia comido divergiam da realidade, os resultados foram surpreendentes. &#8220;As pessoas relatam que consomem entre 1.600 e 2.000 calorias por dia&#8221;, diz ela. &#8220;Depois recebemos os dados reais da \u00e1gua duplamente marcada, e o valor \u00e9 algo como 3.500 calorias.&#8221;<\/p>\n<p>At\u00e9 nutricionistas t\u00eam dificuldade para informar valores nutricionais exatos, diz Peterson. O tamanho das por\u00e7\u00f5es varia muito. Para complicar ainda mais, as tabelas de composi\u00e7\u00e3o nutricional usadas pelos cientistas para estimar o conte\u00fado dos alimentos \u2014 como a quantidade de macronutrientes presente em um hamb\u00farguer \u2014 trazem apenas valores m\u00e9dios, e n\u00e3o informa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas de cada produto.<\/p>\n<p>Essas limita\u00e7\u00f5es s\u00e3o t\u00e3o conhecidas e t\u00e3o dif\u00edceis de contornar que j\u00e1 houve pedidos para que peri\u00f3dicos cient\u00edficos deixem de publicar estudos baseados em informa\u00e7\u00f5es sobre alimenta\u00e7\u00e3o fornecidas pelos pr\u00f3prios participantes. Na pr\u00e1tica, por\u00e9m, pesquisadores da \u00e1rea de nutri\u00e7\u00e3o n\u00e3o podem simplesmente abandonar os registros e question\u00e1rios. &#8220;\u00c9 praticamente tudo o que temos&#8221;, diz Varady, da Universidade do Illinois.<\/p>\n<p>Mas talvez n\u00e3o por muito mais tempo.<\/p>\n<p><strong>Garfos inteligentes, colares e sensores dent\u00e1rios<\/strong><\/p>\n<p>Nem todos os estudos com seres humanos dependem de informa\u00e7\u00f5es fornecidas pelos pr\u00f3prios participantes. Ensaios alimentares em regime de interna\u00e7\u00e3o \u2014 um tipo rigoroso de estudo no qual os pesquisadores controlam exatamente o que os participantes comem \u2014 podem fornecer dados t\u00e3o objetivos quanto os estudos com camundongos. Cada caloria \u00e9 cuidadosamente controlada, os alimentos s\u00e3o pesados e, se der vontade de fazer um lanchinho escondido durante as horas em que deveria estar em jejum, azar. N\u00e3o h\u00e1 geladeira.<\/p>\n<p>Peterson j\u00e1 realizou estudos desse tipo. Em suas pesquisas, o jejum intermitente apresentou efeitos mais acentuados do que os observados no conjunto mais amplo da literatura cient\u00edfica, com redu\u00e7\u00e3o da glicemia e da press\u00e3o arterial, diminui\u00e7\u00e3o de um tipo de dano molecular chamado estresse oxidativo e aumento da autofagia.<\/p>\n<p>Os custos, no entanto, fizeram com que esses estudos tivessem de ser muito pequenos e muito curtos, o que limita, em certa medida, as conclus\u00f5es que podem ser tiradas deles. Poucos participantes t\u00eam tempo para se afastar de sua rotina e permanecer seis meses em um estudo sobre alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas e se fosse poss\u00edvel reproduzir, com o uso de tecnologia, essas condi\u00e7\u00f5es de monitoramento rigoroso? Cada vez mais, pesquisadores da \u00e1rea de nutri\u00e7\u00e3o recorrem a m\u00e9todos inovadores que dependem menos, ou n\u00e3o dependem, de informa\u00e7\u00f5es fornecidas pelos pr\u00f3prios participantes. Uma s\u00e9rie de novas tecnologias j\u00e1 consegue oferecer um registro mais objetivo do que as pessoas comem.<\/p>\n<p>Alguns estudos, por exemplo, pedem aos participantes que fotografem tudo o que comem. Mas esse m\u00e9todo tamb\u00e9m depende de que a pr\u00f3pria pessoa registre ativamente os dados. Por isso, outros pesquisadores usam c\u00e2meras instaladas em \u00f3culos ou colares, com nomes como FitNibble e Autographer, que tiram uma foto a cada sete segundos ou sempre que detectam mastiga\u00e7\u00e3o. O uso de c\u00e2meras, por\u00e9m, pode levar a preocupa\u00e7\u00f5es relacionadas \u00e0 privacidade.<\/p>\n<p>Outros sensores est\u00e3o sendo desenvolvidos para monitorar refei\u00e7\u00f5es e lanches sem o uso de c\u00e2meras. Entre eles est\u00e3o colares que identificam a mastiga\u00e7\u00e3o, garfos inteligentes que detectam quando e quanto alimento uma pessoa leva \u00e0 boca e sensores de nutrientes instalados nos dentes. A maioria dessas tecnologias ainda est\u00e1 em fase de prot\u00f3tipo. Por enquanto, a solu\u00e7\u00e3o mais pr\u00e1tica \u00e9 realizar exames regulares de sangue e urina para monitorar os macronutrientes processados pelo organismo. &#8220;As an\u00e1lises de urina e sangue fornecem muito mais informa\u00e7\u00f5es sobre a composi\u00e7\u00e3o&#8221;, diz Wilson.<\/p>\n<p>Segundo Wilson, da Universidade de Aberystwyth, h\u00e1 muitas tecnologias, novas e antigas, dispon\u00edveis, mas nenhuma delas resolver\u00e1 o problema sozinha. Combinadas, por\u00e9m, elas poderiam funcionar como uma esp\u00e9cie de pan\u00f3ptico para uso dom\u00e9stico. Em um estudo publicado no in\u00edcio deste ano, Wilson e seus colegas analisaram diversos m\u00e9todos e tecnologias e sugeriram que, usados em conjunto, essas tecnologias poderiam resolver o problema.<\/p>\n<p>A equipe est\u00e1 agora na fase final de um estudo que testa se a combina\u00e7\u00e3o dessas abordagens, incluindo di\u00e1rios alimentares subjetivos, biomarcadores objetivos obtidos por meio de exames de sangue e urina e dispositivos vest\u00edveis de car\u00e1ter quase subjetivo, como c\u00e2meras, poderia ajudar pesquisadores da \u00e1rea de nutri\u00e7\u00e3o a obter resultados com a mesma qualidade dos estudos realizados em regime de interna\u00e7\u00e3o, mesmo com os pacientes seguindo sua vida normal fora desse ambiente.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o quero ter que pedir que voc\u00ea interprete o que comeu ontem&#8221;, diz Wilson, da Universidade de Aberystwyth.<\/p>\n<p><strong>A necessidade de conhecimento<\/strong><\/p>\n<p>Mattson, da Universidade Johns Hopkins, afirma que os ensaios cl\u00ednicos sobre jejum intermitente deveriam ir ainda mais longe e incluir dados n\u00e3o apenas sobre ades\u00e3o \u00e0 dieta, composi\u00e7\u00e3o dos alimentos e ingest\u00e3o de calorias, mas tamb\u00e9m sobre atividade f\u00edsica e sono, fatores que tamb\u00e9m s\u00e3o &#8220;controlados com precis\u00e3o nos estudos com animais&#8221;.<\/p>\n<p>Enquanto pesquisadores e empresas tentam encontrar um equil\u00edbrio delicado entre invadir a privacidade e compreender com exatid\u00e3o os padr\u00f5es alimentares, influenciadores nas redes sociais continuam a tratar os resultados obtidos em camundongos como se fossem equivalentes aos observados em seres humanos e a exagerar alguns dos benef\u00edcios do jejum intermitente.<\/p>\n<p>&#8220;Estou pensando em criar um canal no YouTube porque vejo tanta informa\u00e7\u00e3o sem fundamento&#8221;, diz Varady.<\/p>\n<p>O problema vai al\u00e9m do jejum intermitente. &#8220;\u00c9 por isso que as pessoas ficam t\u00e3o frustradas com as pesquisas sobre nutri\u00e7\u00e3o&#8221;, explica ela. Varady cita as orienta\u00e7\u00f5es sobre colesterol, que h\u00e1 anos oscilam entre trat\u00e1-lo como algo mortal e consider\u00e1-lo inofensivo. &#8220;\u00c9 porque n\u00e3o temos ideia do que as pessoas est\u00e3o comendo.&#8221; ( Fonte: BBC News)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cada poucos meses, ao que parece, surge uma nova rodada de debates sobre os benef\u00edcios do\u00a0jejum intermitente. Essa\u00a0dieta\u00a0popular, que pode assumir diferentes formas, envolve jejuar em determinados dias da semana ou restringir a alimenta\u00e7\u00e3o a certas horas do dia. 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