{"id":14648,"date":"2026-08-19T05:00:39","date_gmt":"2026-08-19T09:00:39","guid":{"rendered":"https:\/\/blogdacondessa.com.br\/blog\/?p=14648"},"modified":"2026-08-18T18:52:05","modified_gmt":"2026-08-18T22:52:05","slug":"proibir-redes-sociais-para-jovens-nao-sera-solucao-magica-diz-psicologa-canadense","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogdacondessa.com.br\/blog\/cotidiano\/proibir-redes-sociais-para-jovens-nao-sera-solucao-magica-diz-psicologa-canadense\/","title":{"rendered":"&#8216;Proibir redes sociais para jovens n\u00e3o ser\u00e1 solu\u00e7\u00e3o m\u00e1gica&#8217;, diz psic\u00f3loga canadense"},"content":{"rendered":"<p>&#8220;\u00c9 muito f\u00e1cil vender hist\u00f3rias assustadoras para os pais. N\u00f3s somos um grupo ansioso&#8221;, diz a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/topics\/c95y3544238t\">psic\u00f3loga<\/a>\u00a0canadense Candice Odgers em um TED Talk que j\u00e1 teve mais de 260 mil visualiza\u00e7\u00f5es desde que foi lan\u00e7ado, em junho.<\/p>\n<p>Odgers se refere \u00e0 ideia que ganhou for\u00e7a nos \u00faltimos anos de que\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/topics\/c2dwqdk9541t\">smartphones<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/topics\/c340q4k1dq3t\">redes sociais\u00a0<\/a>est\u00e3o por tr\u00e1s de um aumento nas taxas de ansiedade,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/topics\/c5qvpqy94kvt\">depress\u00e3o<\/a>\u00a0e outros problemas de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/topics\/c06gq6k9d9qt\">sa\u00fade mental<\/a>\u00a0entre\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/topics\/cpzd4zxwgddt\">crian\u00e7as<\/a>\u00a0e adolescentes.<\/p>\n<p>Os poss\u00edveis efeitos nocivos dessas<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/topics\/c404v027pd4t\">\u00a0tecnologias<\/a>\u00a0s\u00e3o fonte de preocupa\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas para pais e m\u00e3es, mas tamb\u00e9m para governos ao redor do mundo, muitos dos quais v\u00eam adotando\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/articles\/ckg4nxr4wlvo\">restri\u00e7\u00f5es ao uso desses servi\u00e7os pelos mais jovens.<\/a><\/p>\n<p>No Brasil, o Discord suspendeu a funcionalidade de transmiss\u00f5es ao vivo (lives) na plataforma na segunda-feira (17\/8),\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/articles\/cd69p29eq6go\">cumprindo uma determina\u00e7\u00e3o da Ag\u00eancia Nacional de Prote\u00e7\u00e3o de Dados (ANPD)<\/a>.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o ocorreu ap\u00f3s uma adolescente de 13 anos ter sido induzida \u00e0 automutila\u00e7\u00e3o e ao suic\u00eddio durante transmiss\u00f5es em grupos na plataforma.<\/p>\n<p>Em entrevista concedida antes da decis\u00e3o da ANPD, Odgers, que \u00e9 professora da Universidade da Calif\u00f3rnia em Irvine (UCI), nos EUA, especialista em psicologia do desenvolvimento e h\u00e1 25 anos estuda a sa\u00fade mental de crian\u00e7as e adolescentes, argumenta que proibi\u00e7\u00f5es com a justificativa de proteger a sa\u00fade mental n\u00e3o s\u00e3o baseadas em<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/topics\/cr50y580rjxt\">\u00a0evid\u00eancias cient\u00edficas.<\/a><\/p>\n<p>&#8220;Estudo a sa\u00fade mental de adolescentes h\u00e1 muito tempo, e o que realmente me surpreende nesse debate \u00e9 a dist\u00e2ncia enorme que existe entre a narrativa dominante quando se fala sobre os efeitos das redes sociais e o que a grande maioria dos estudos encontrou at\u00e9 hoje&#8221;, diz Odgers \u00e0 BBC News Brasil.<\/p>\n<p>Odgers enfatiza que as\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/articles\/c1m2j9jdr4yo\">empresas de tecnologia<\/a>\u00a0devem ser responsabilizadas por garantir a seguran\u00e7a das plataformas e que \u00e9 preciso mais regulamenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No entanto, ela afirma que, quando estudos mostram uma associa\u00e7\u00e3o entre redes sociais e a sa\u00fade mental dos jovens, esta \u00e9 muito pequena e tende a desaparecer ap\u00f3s levados em conta outros poss\u00edveis fatores. Al\u00e9m disso, mesmo quando indicam correla\u00e7\u00f5es, n\u00e3o fica clara a dire\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo ela, proibir smartphones e redes sociais n\u00e3o vai resolver o problema e pode at\u00e9 ter o efeito contr\u00e1rio, ao ignorar causas mais complexas, impedir que se pense em outras solu\u00e7\u00f5es e empurrar os jovens para espa\u00e7os menos regulados.<\/p>\n<p>Odgers n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica a questionar o foco nas redes. Um comit\u00ea da Academia Nacional de Ci\u00eancias dos EUA estudou o tema por um ano e concluiu que pesquisas sobre a rela\u00e7\u00e3o entre redes sociais e sa\u00fade mental mostram &#8220;efeitos pequenos&#8221; e &#8220;associa\u00e7\u00f5es fracas&#8221;, que podem ser &#8220;influenciados por uma combina\u00e7\u00e3o de experi\u00eancias boas e ruins&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Ao contr\u00e1rio da narrativa cultural predominante de que as redes sociais s\u00e3o universalmente prejudiciais aos adolescentes, a realidade \u00e9 mais complexa&#8221;, disseram os autores.<\/p>\n<p>Mas propostas para restringir o acesso de jovens \u00e0s redes continuam ganhando apoio, diante de temores sobre os poss\u00edveis impactos de um\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/topics\/c6vzyvr6jg4t\">ambiente online<\/a>\u00a0onde muitas vezes h\u00e1 risco de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/articles\/ckgr66y4gg1o\">bullying, ass\u00e9dio e abuso sexual<\/a>, conte\u00fados de teor extremo e outras amea\u00e7as.<\/p>\n<p>Segundo o Pew Research Center, 56% dos adultos nos\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/topics\/cdr56r2r88wt\">Estados Unidos\u00a0<\/a>s\u00e3o a favor de proibir o uso de redes sociais por menores de 16 anos, e 77% apoiam a proibi\u00e7\u00e3o de celulares em sala de aula.<\/p>\n<p>No ano passado, a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/articles\/c3r7dx5r3l1o\">Austr\u00e1lia se tornou o primeiro pa\u00eds do mundo a proibir menores de 16 anos de usar plataformas<\/a>\u00a0como Facebook, Instagram, Snapchat, X, TikTok, YouTube e outras.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, diversos pa\u00edses, entre eles Fran\u00e7a, Reino Unido e Canad\u00e1, adotaram ou passaram a estudar algum tipo de restri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No Brasil,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/articles\/cn8z875n0x9o\">entrou em vigor em mar\u00e7o o ECA Digital (Estatuto Digital da Crian\u00e7a e do Adolescente)<\/a>, que n\u00e3o impede o uso das redes por menores, mas estabelece uma s\u00e9rie de restri\u00e7\u00f5es de conte\u00fado e controles.<\/p>\n<p>Depois de anos estudando o dia a dia dos adolescentes em seus smartphones, ela ressalta que eles s\u00e3o resilientes e destaca os avan\u00e7os nos \u00faltimos 20 anos, como queda nas taxas de viol\u00eancia, consumo de \u00e1lcool e gravidez na adolesc\u00eancia.<\/p>\n<p>&#8220;Os adolescentes de hoje s\u00e3o incr\u00edveis&#8221;, diz Odgers no TED Talk, intitulado\u00a0<em>What we&#8217;re getting wrong about kids and tech<\/em>\u00a0(&#8220;O que estamos entendendo errado sobre as crian\u00e7as e a tecnologia&#8221;, em tradu\u00e7\u00e3o livre).<\/p>\n<p>Para a psic\u00f3loga, que \u00e9 m\u00e3e de dois adolescentes, a maneira de ajudar os jovens \u00e9 estabelecer expectativas altas e apoi\u00e1-los para que consigam alcan\u00e7\u00e1-las.<\/p>\n<p>Leia a seguir os principais trechos de sua entrevista \u00e0 BBC News Brasil.<\/p>\n<p><strong>BBC News Brasil \u2014 Nos \u00faltimos anos, smartphones e redes sociais v\u00eam sendo citados entre as principais causas para a crise de sa\u00fade mental entre crian\u00e7as e adolescentes. Mas a senhora estuda o tema h\u00e1 25 anos e diz que n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancias disso. O que exatamente mostram os estudos?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Candice Odgers \u2014<\/strong>\u00a0Estudo a sa\u00fade mental de adolescentes h\u00e1 muito tempo, e o que realmente me surpreende nesse debate \u00e9 a dist\u00e2ncia enorme que existe entre a narrativa dominante quando se fala sobre os efeitos das redes sociais e o que a grande maioria dos estudos encontrou at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>Existem correla\u00e7\u00f5es entre o uso mais intenso e problemas de sa\u00fade mental, mas n\u00e3o sabemos em qual dire\u00e7\u00e3o elas v\u00e3o. Muitas vezes observamos que jovens que [j\u00e1] enfrentam problemas de sa\u00fade mental tendem a passar mais tempo online.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, encontramos associa\u00e7\u00f5es m\u00ednimas e em dire\u00e7\u00f5es variadas. \u00c0s vezes, as pessoas encontram associa\u00e7\u00f5es positivas com o tempo passado nas redes sociais, por estarem mais conectadas. Outras vezes, negativas.<\/p>\n<p>Mas o ponto principal \u00e9 que essas associa\u00e7\u00f5es s\u00e3o muito pequenas. N\u00e3o \u00e9 o que voc\u00ea pensaria de in\u00edcio ao acompanhar as manchetes da imprensa ou as discuss\u00f5es sobre o assunto.<\/p>\n<p>Se estivermos falando apenas sobre sa\u00fade mental de adolescentes e analisarmos todos os principais fatores que comprovadamente preveem sintomas de problemas de sa\u00fade mental, as redes sociais frequentemente sequer entram nessa lista.<\/p>\n<p>E isso \u00e9 realmente surpreendente para as pessoas, porque as redes sociais s\u00e3o algo de que todos falam quando o assunto \u00e9 a sa\u00fade mental dos adolescentes. E h\u00e1 uma forte cren\u00e7a de que s\u00e3o o motivo pelo qual os jovens est\u00e3o enfrentando dificuldades.<\/p>\n<p>Mas existem muitos motivos pelos quais os jovens nos dizem [nos estudos que ela conduz] que est\u00e3o enfrentando problemas de sa\u00fade mental. E as redes sociais n\u00e3o est\u00e3o nessa lista.<\/p>\n<p><strong>BBC News Brasil \u2014 Quantos estudos a senhora analisou? Todos chegaram \u00e0 mesma conclus\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Candice Odgers \u2014<\/strong>\u00a0Esse campo mudou rapidamente, porque as redes evolu\u00edram rapidamente. Os estudos iniciais eram sobre quanto tempo os jovens passavam em frente a qualquer tela, centenas e centenas de estudos e metan\u00e1lises que examinaram esse material.<\/p>\n<p>E o que se constata \u00e9 que a associa\u00e7\u00e3o entre tempo de uso de telas e bem-estar explica menos de 1% da varia\u00e7\u00e3o. Ou seja, 99% das raz\u00f5es pelas quais est\u00e3o deprimidos se devem a outros fatores nesses modelos. Ent\u00e3o isso \u00e9 min\u00fasculo. Al\u00e9m disso, nesses modelos, n\u00e3o se sabe a dire\u00e7\u00e3o da causalidade.<\/p>\n<p>No caso das redes sociais, [tamb\u00e9m h\u00e1] algumas centenas de estudos. E esses estudos algumas vezes encontram uma correla\u00e7\u00e3o m\u00ednima, como mencionei. Mas assim que se controlam outros fatores, como traumas no in\u00edcio da vida, hist\u00f3rico familiar, sa\u00fade mental dos pais, essas associa\u00e7\u00f5es diminuem e, frequentemente, desaparecem.<\/p>\n<p>N\u00e3o estou dizendo que as redes sociais n\u00e3o t\u00eam impactos negativos para algumas pessoas. Existem popula\u00e7\u00f5es vulner\u00e1veis para as quais as redes sociais podem piorar uma situa\u00e7\u00e3o que j\u00e1 \u00e9 ruim, assim como estar em qualquer ambiente que as exponha \u00e0 compara\u00e7\u00e3o social ou a conte\u00fados negativos.<\/p>\n<p>E existem, sem d\u00favida, riscos no ambiente online que precisam ser reduzidos e eliminados para todos n\u00f3s. \u00c9 por isso, ali\u00e1s, que gosto da abordagem do Brasil para essa quest\u00e3o, que foca em aprimorar o design para todos, visando \u00e0 seguran\u00e7a, em vez de simplesmente excluir os jovens das plataformas e fingir que eles n\u00e3o est\u00e3o l\u00e1.<\/p>\n<p>Em resumo, n\u00e3o estou dizendo que n\u00e3o existe associa\u00e7\u00e3o ou danos, mas o sinal que vemos \u00e9 muito pequeno, e essa \u00e9 uma mensagem muito diferente da que est\u00e3o nos passando.<\/p>\n<p>Isso provavelmente significa que simplesmente proibir n\u00e3o ser\u00e1 a solu\u00e7\u00e3o m\u00e1gica que todos imaginamos. Al\u00e9m de todos os outros problemas que surgiriam ao tentar banir os jovens da internet.<\/p>\n<p><strong>BBC News Brasil \u2014 Mas defensores de restri\u00e7\u00f5es, como o psic\u00f3logo Jonathan Haidt, afirmam que muitos estudos misturam todas as plataformas, meninos e meninas, diferentes tipos de problemas de sa\u00fade mental. Segundo eles, se o foco for em um recorte mais espec\u00edfico como, por exemplo, a rela\u00e7\u00e3o entre redes sociais e ansiedade ou depress\u00e3o em meninas, o sinal \u00e9 mais forte.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Candice Odgers \u2014\u00a0<\/strong>Uma metan\u00e1lise especificamente sobre meninas, redes sociais e depress\u00e3o encontrou uma correla\u00e7\u00e3o relativamente pequena.<\/p>\n<p>Associa\u00e7\u00f5es pequenas ainda assim devem receber a nossa aten\u00e7\u00e3o. Mas esses estudos n\u00e3o controlam outros fatores que sabemos que influenciam tanto a probabilidade de passar mais tempo online quanto a suscetibilidade \u00e0 depress\u00e3o.<\/p>\n<p>Portanto, precisamos ter muito cuidado ao avaliar essas pesquisas. Porque, quando investigamos a fundo e fazemos isso de forma rigorosamente controlada, descobrimos que esses efeitos caem para zero ou muito perto de zero.<\/p>\n<p>Acho intrigante toda essa \u00eanfase que tem sido colocada nas redes sociais, quando sabemos que os jovens est\u00e3o crescendo em um mundo cada vez mais inst\u00e1vel economicamente, expostos a viol\u00eancia nas escolas, conflitos, pais que enfrentam problemas de sa\u00fade mental, incerteza financeira. Ou seja, todos esses fatores complexos com os quais precisam conviver e superar enquanto amadurecem.<\/p>\n<p>Tudo isso acaba sendo deixado de lado em favor dessa narrativa simples de que &#8220;a culpa \u00e9 do tempo passado no TikTok&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>BBC News Brasil \u2014 A senhora concorda que h\u00e1 uma crise de sa\u00fade mental entre os jovens? Se n\u00e3o \u00e9 causada pelas redes sociais, quais seriam as outras poss\u00edveis explica\u00e7\u00f5es?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Candice Odgers \u2014\u00a0<\/strong>Eu concordo que h\u00e1 uma crise de sa\u00fade mental entre a popula\u00e7\u00e3o adulta nos Estados Unidos, j\u00e1 h\u00e1 algumas d\u00e9cadas. A dimens\u00e3o \u00e9 verdadeiramente sem precedentes. E a sa\u00fade mental dos respons\u00e1veis impacta a sa\u00fade mental dos jovens de maneiras extremamente importantes.<\/p>\n<p>Estamos vendo cen\u00e1rios bastante diversos ao redor do mundo. A taxa de suic\u00eddios entre jovens, por exemplo, n\u00e3o est\u00e1 aumentando na maioria dos pa\u00edses, n\u00e3o \u00e9 um aumento universal.<\/p>\n<p>Quando vemos um aumento, como estamos observando, em termos de sintomas de problemas de sa\u00fade mental, h\u00e1 a tend\u00eancia de procurar uma \u00fanica explica\u00e7\u00e3o e de concentrar toda a nossa aten\u00e7\u00e3o nisso.<\/p>\n<p>E isso \u00e9 bastante perigoso quando pensamos em algo t\u00e3o complexo e influenciado por m\u00faltiplos fatores. As causas v\u00e3o ser muito diferentes para cada grupo de pessoas. Al\u00e9m disso, a popula\u00e7\u00e3o de jovens tamb\u00e9m est\u00e1 mudando, por meio da imigra\u00e7\u00e3o, varia\u00e7\u00f5es geracionais e outros fatores.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, essa ideia de buscar uma \u00fanica explica\u00e7\u00e3o nunca vai corresponder \u00e0 realidade. Sempre vai ser uma combina\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios fatores.<\/p>\n<p>Cada pa\u00eds precisa examinar os fatores que est\u00e3o moldando a sa\u00fade mental da sua comunidade e entender qual \u00e9 o perfil dessa popula\u00e7\u00e3o. Nos Estados Unidos, suic\u00eddios entre jovens come\u00e7aram a crescer depois da Grande Recess\u00e3o de 2008, e suic\u00eddios entre adultos j\u00e1 estavam aumentando antes disso.<\/p>\n<p>Os jovens t\u00eam relatado preocupa\u00e7\u00e3o crescente com a seguran\u00e7a na escola. Tivemos um crescimento, por exemplo, nos casos de ataques a tiros em escolas. Tivemos aumento de instabilidade pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Muitos jovens se identificam com grupos marginalizados. Vimos sentimento anti-imigra\u00e7\u00e3o, o movimento Black Lives Matter, uma sensibilidade \u00e0 injusti\u00e7a, tanto nas comunidades locais quanto em n\u00edvel global. H\u00e1 muita coisa impactando os jovens.<\/p>\n<p>E, obviamente, parte disso eles est\u00e3o descobrindo por meio das redes sociais, e est\u00e3o se mobilizando pelas redes e se conectando para buscar mais informa\u00e7\u00f5es. Ent\u00e3o existe tamb\u00e9m esse aspecto de conscientiza\u00e7\u00e3o, que acho interessante.<\/p>\n<p><strong>BBC News Brasil \u2014 A senhora costuma dizer que o foco nas redes sociais est\u00e1 sufocando o resto do debate. Que efeitos negativos esse foco pode ter?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Candice Odgers \u2014<\/strong>\u00a0As pessoas me perguntam qual \u00e9 o mal em simplesmente expulsar os jovens das redes, banir tudo, em colocar a seguran\u00e7a em primeiro lugar, por cautela, j\u00e1 que n\u00e3o sabemos ao certo quais s\u00e3o os impactos.<\/p>\n<p>E eu acho que optar pela seguran\u00e7a em primeiro lugar seria v\u00e1lido, desde que isso fosse comunicado como tal. Mas o discurso atual \u00e9 de que descobrimos a causa central por tr\u00e1s da depress\u00e3o e da ansiedade [entre os jovens].<\/p>\n<p>Esses s\u00e3o problemas graves de sa\u00fade mental, e estamos afirmando que identificamos uma causa principal e que basta desativar [as redes] para que tudo melhore. E isso canaliza muita energia e dinheiro para criar e aplicar essas medidas, desviando o foco de outras necessidades fundamentais para os jovens.<\/p>\n<p>Outro ponto \u00e9 que ao afirmar que vamos proibir o uso, estamos nos iludindo. Estamos vendo na Austr\u00e1lia que 85% dos jovens continuam nas plataformas mesmo ap\u00f3s a proibi\u00e7\u00e3o [segundo pesquisa publicada em junho na revista cient\u00edfica BMJ].<\/p>\n<p>Vimos isso logo no primeiro dia [da proibi\u00e7\u00e3o na Austr\u00e1lia], quando encerraram todas as contas no YouTube, por exemplo. Isso n\u00e3o tirou os jovens do YouTube, o que fez foi desativar suas contas, que tinham configura\u00e7\u00f5es de privacidade, controles parentais, filtros de conte\u00fados.<\/p>\n<p>Os jovens continuaram conseguindo entrar no YouTube, s\u00f3 que na vers\u00e3o para adultos. Ent\u00e3o piorou a situa\u00e7\u00e3o, a experi\u00eancia acabou piorando para muitas dessas crian\u00e7as.<\/p>\n<p>E tamb\u00e9m acho que estamos enviando uma mensagem para os jovens sobre seu comportamento, de que s\u00e3o viciados [em redes sociais], que seus c\u00e9rebros est\u00e3o destru\u00eddos, quando na verdade seu comportamento \u00e9 absolutamente comum. Eles est\u00e3o online para consumir cultura jovem e se conectar com os amigos.<\/p>\n<p>E sabemos isso porque vemos [nas nossas pesquisas] os dados de seus celulares e recebemos relat\u00f3rios di\u00e1rios deles sobre o que est\u00e3o fazendo. E s\u00e3o coisas bem normais de qualquer adolescente.<\/p>\n<p>Agora, o que n\u00e3o \u00e9 normal \u00e9 ter uma empresa de tecnologia controlando esse ecossistema, com feeds e conte\u00fados t\u00f3xicos, sem ser responsabilizada por garantir a seguran\u00e7a desde a concep\u00e7\u00e3o [das plataformas]. Esses s\u00e3o os pontos nos quais precisamos focar. Mas precisamos melhorar isso para todo mundo.<\/p>\n<p>Porque se simplesmente dissermos que as crian\u00e7as n\u00e3o est\u00e3o nessas plataformas, estaremos mentindo para n\u00f3s mesmos. E estaremos permitindo que as empresas de tecnologia mintam para n\u00f3s e digam que os jovens n\u00e3o est\u00e3o l\u00e1.<\/p>\n<p>Precisamos corrigir isso e construir um mundo online melhor. Mas precisamos fazer isso para todos n\u00f3s, incluindo os jovens, que sempre ser\u00e3o os primeiros a adotar com entusiasmo as novas tecnologias, e simplesmente estar\u00e3o \u00e0 nossa frente na ocupa\u00e7\u00e3o desses espa\u00e7os ou na cria\u00e7\u00e3o de seus pr\u00f3prios novos ambientes.<\/p>\n<p><strong>BBC News Brasil \u2014 Se n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancias de que as redes sociais est\u00e3o por tr\u00e1s da crise de sa\u00fade mental entre os jovens, como essa ideia se tornou t\u00e3o prevalente? E por que n\u00e3o \u00e9 rejeitada publicamente por mais especialistas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Candice Odgers \u2014<\/strong>\u00a0Essa narrativa se tornou t\u00e3o poderosa. Fizemos uma pesquisa com pais e m\u00e3es e eleitores na Calif\u00f3rnia e cerca de 80%, fossem democratas, republicanos ou independentes, eram a favor de restringir redes sociais [para jovens].<\/p>\n<p>Portanto, para os pol\u00edticos, se est\u00e3o procurando um tema que ser\u00e1 vitorioso, \u00e9 este. Crian\u00e7as n\u00e3o votam, ent\u00e3o n\u00e3o haver\u00e1 muita oposi\u00e7\u00e3o. E muitos adultos bem-intencionados acreditam que isso vai melhorar a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Existe um argumento perfeitamente razo\u00e1vel de uma abordagem que prioriza a seguran\u00e7a, como mencionei antes, que \u00e9 o fato de n\u00e3o termos o retrato completo de quais s\u00e3o os efeitos da tecnologia sobre todos esses aspectos do desenvolvimento.<\/p>\n<p>Trata-se de uma \u00e1rea da ci\u00eancia ainda cercada de muitas incertezas, e as hist\u00f3rias que est\u00e3o nos contando sobre isso s\u00e3o muito diferentes do que vemos na pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>E as grandes empresas de tecnologia n\u00e3o s\u00e3o populares e, por v\u00e1rios bons motivos, acabam se tornando um vil\u00e3o f\u00e1cil neste momento. Mas muitas pessoas sabem que essas proibi\u00e7\u00f5es provavelmente n\u00e3o v\u00e3o funcionar.<\/p>\n<p>O que precisamos considerar \u00e9 o que vem depois da proibi\u00e7\u00e3o. O que vamos fazer quando essas proibi\u00e7\u00f5es n\u00e3o produzirem os ganhos milagrosos que prometem em termos de aprendizagem, sa\u00fade mental, redu\u00e7\u00e3o do tempo passado online? O que vamos fazer, al\u00e9m das proibi\u00e7\u00f5es, para realmente oferecer apoio aos jovens, tanto fora quanto dentro da internet? Porque esse \u00e9 um caso em que pol\u00edticos e outros adultos podem facilmente declarar vit\u00f3ria sem realmente gerar impacto.<\/p>\n<p>Acho que \u00e9 politicamente impopular dizer publicamente que as redes sociais n\u00e3o s\u00e3o respons\u00e1veis por toda a crise de sa\u00fade mental entre os jovens como tem sido retratado. Porque esse tem sido um enquadramento pol\u00edtico muito \u00fatil dessa quest\u00e3o, para impulsionar esse tipo de pol\u00edtica p\u00fablica. E a maioria das pessoas n\u00e3o quer se envolver nisso. Voc\u00ea recebe muitos e-mails interessantes, pode sofrer ass\u00e9dio.<\/p>\n<p><strong>BBC News Brasil \u2014 A senhora sofreu algum tipo de ass\u00e9dio? J\u00e1 foi alvo de alega\u00e7\u00f5es de que estaria trabalhando secretamente para empresas de tecnologia, n\u00e3o \u00e9 mesmo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Candice Odgers \u2014<\/strong>\u00a0Um jornalista espec\u00edfico estava convencido de que minha pesquisa era financiada pela Meta, o que n\u00e3o \u00e9 verdade. Eu estava dizendo que, nos Estados Unidos, as armas de fogo s\u00e3o a principal causa de morte entre as crian\u00e7as, n\u00e3o as redes sociais. E, de alguma forma, ele achou que, para dizer isso, eu deveria estar na m\u00e3o das grandes empresas de tecnologia.<\/p>\n<p>A Meta n\u00e3o financia minha pesquisa. O governo federal financia, assim como o Canadian Institute for Advanced Research [Instituto Canadense de Pesquisas Avan\u00e7adas, ou Cifar, na sigla em ingl\u00eas] e outras funda\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u00c9 um tipo de rea\u00e7\u00e3o pregui\u00e7osa, mas \u00e9 a resposta imediata que se recebe quando algu\u00e9m vem a p\u00fablico e diz &#8220;espere um pouco, isso realmente n\u00e3o fecha, esse n\u00e3o \u00e9 o efeito enorme que pensamos que \u00e9&#8221;. E ent\u00e3o as pessoas n\u00e3o querem lidar com esse n\u00edvel de ass\u00e9dio.<\/p>\n<p>Outro ponto \u00e9 que algumas pessoas est\u00e3o questionando, de maneira compreens\u00edvel, qual \u00e9 o problema em colocar essas pol\u00edticas em pr\u00e1tica e ver o que acontece. E eu adoto uma abordagem diferente nesse ponto, porque acho que h\u00e1 um custo enorme em ignorar as causas reais, em enviar aos jovens a mensagem de que seu comportamento \u00e9 de certa forma viciante e vergonhoso. E acho que essas pol\u00edticas podem ter o efeito contr\u00e1rio e empurrar os jovens para espa\u00e7os menos regulados.<\/p>\n<p>J\u00e1 \u00e9 bem dif\u00edcil fazer com que os jovens contem que algo negativo aconteceu online e permitam que voc\u00ea os ajude a lidar com isso, porque t\u00eam medo de que voc\u00ea tire o acesso deles \u00e0 tecnologia. E agora proibimos e tornamos ilegal estar nesses espa\u00e7os, ent\u00e3o nenhum desses jovens vai relatar danos [que tenham sofrido online].<\/p>\n<p>Mas eles v\u00e3o estar nesses espa\u00e7os, n\u00e3o v\u00e3o abandonar o ecossistema digital. E v\u00e3o surgir novos espa\u00e7os diferentes. A intelig\u00eancia artificial est\u00e1 mudando completamente o cen\u00e1rio, as redes sociais v\u00e3o ser muito diferentes daqui a 18 meses.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o precisamos ser \u00e1geis e trabalhar com os jovens para resolver isso. Quando voc\u00ea ouve as pessoas que est\u00e3o criando essas leis, fica claro que elas n\u00e3o t\u00eam ideia de como as crian\u00e7as usam a tecnologia ou de como a tecnologia funciona.<\/p>\n<p><strong>BBC News Brasil \u2014 A senhora diz que, al\u00e9m de riscos, as redes sociais tamb\u00e9m trazem benef\u00edcios para os jovens. Em suas pesquisas, o que eles relatam sobre suas experi\u00eancias nas redes?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Candice Odgers \u2014<\/strong>\u00a0Muitas pessoas que pertencem a comunidades vulner\u00e1veis encontram online uma conex\u00e3o que n\u00e3o encontrariam fora da internet.<\/p>\n<p>Eles buscam apoio social, conectam-se com os amigos, fazem planos, se divertem, criam. N\u00e3o estou dizendo que tudo \u00e9 bom, mas certamente n\u00e3o \u00e9 tudo ruim. Depende de como \u00e9 usado.<\/p>\n<p>Grande parte da quest\u00e3o \u00e9 como ajudamos nossos jovens e a n\u00f3s mesmos a ter um envolvimento saud\u00e1vel com as redes sociais e as ferramentas online. Aprender a usar essas ferramentas para o nosso trabalho, nosso lazer, para tudo o que precisamos fazer para alcan\u00e7ar nossos pr\u00f3prios objetivos, em vez de v\u00ea-las como essa subst\u00e2ncia t\u00f3xica que est\u00e1 destruindo uma parcela da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Temos que construir isso juntos. Pais e m\u00e3es n\u00e3o conseguem resolver isso sozinhos, os jovens n\u00e3o conseguem resolver isso sozinhos, e as empresas de tecnologia n\u00e3o querem resolver.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, a press\u00e3o sobre as empresas de tecnologia \u00e9 boa. Eu argumentaria que o Brasil est\u00e1 fazendo a coisa certa ao n\u00e3o expulsar um grupo espec\u00edfico [das redes]. Est\u00e3o exercendo press\u00e3o por meio de pol\u00edticas cuidadosamente elaboradas para melhorar a experi\u00eancia online para todos.<\/p>\n<p><strong>BBC News Brasil \u2014 A senhora costuma observar que muitas crian\u00e7as que sofrem bullying ou abusos online tamb\u00e9m enfrentam isso fora da internet. Como \u00e9 essa rela\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Candice Odgers \u2014\u00a0<\/strong>Trabalho h\u00e1 muito tempo com jovens em situa\u00e7\u00f5es de bastante vulnerabilidade. E o que as pessoas frequentemente esquecem \u00e9 que a vasta maioria dos jovens que sofrem abusos s\u00e3o vitimados por algu\u00e9m que conhecem, em locais onde deveriam estar seguros. Em suas casas, escolas, comunidades, locais onde os adultos est\u00e3o, e geralmente s\u00e3o adultos que eles conhecem. O perigo vindo de estranhos \u00e9 algo raro.<\/p>\n<p>O outro ponto \u00e9 que jovens que sofrem abusos ou est\u00e3o vulner\u00e1veis fora da internet t\u00eam mais chances de passar por experi\u00eancias negativas online. E parte disso vem da aus\u00eancia de adultos de confian\u00e7a para apoi\u00e1-los. Parte pode ser o fato de pesquisarem conte\u00fados mais perigosos na internet ou compartilharem informa\u00e7\u00f5es sens\u00edveis. H\u00e1 uma grande sobreposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E quando se trata de prever futuros problemas de sa\u00fade mental, a vitimiza\u00e7\u00e3o fora da rede \u00e9 o indicador de maior peso.<\/p>\n<p>Quero ressaltar que h\u00e1 casos horr\u00edveis de abuso e explora\u00e7\u00e3o online. Mas se o nosso objetivo \u00e9 prevenir que crian\u00e7as sofram abusos, precisamos focar no que ocorre em seus lares, escolas, fam\u00edlias, com pessoas de seu conv\u00edvio, inclusive no contato virtual com quem elas j\u00e1 conhecem.<\/p>\n<p>Outro aspecto \u00e9 que, no caso de jovens vulner\u00e1veis no ambiente presencial, \u00e9 preciso compreender como os recursos online chegam at\u00e9 eles. Canais de apoio via texto, por exemplo, t\u00eam extrema import\u00e2ncia ao proporcionar uma forma de buscar ajuda.<\/p>\n<p>Devemos falar sobre de que maneiras o mundo virtual aumenta os riscos, talvez expondo [as crian\u00e7as] a contatos indesejados, ou normalizando conte\u00fados inapropriados para a idade. E tamb\u00e9m sobre de que maneiras pode proteger ou ajudar, por meio de canais de ajuda via texto, com a integra\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os de apoio.<\/p>\n<p>\u00c9 esse equil\u00edbrio que precisamos alcan\u00e7ar se quisermos de fato ajudar os jovens, em vez de apenas criar a impress\u00e3o de que estamos agindo ao proibir as tecnologias.<\/p>\n<p><strong>BBC News Brasil \u2014 A senhora \u00e9 m\u00e3e de dois adolescentes, e costuma dizer que decis\u00f5es sobre uso de smartphones e redes sociais devem ser tomadas pela fam\u00edlia. Quais s\u00e3o as regras na sua casa?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Candice Odgers \u2014<\/strong>\u00a0Quando os filhos entram na adolesc\u00eancia, fica muito mais dif\u00edcil manter aquele controle absoluto que os pais querem. \u00c9 a\u00ed que surge grande parte da quest\u00e3o das redes sociais, bem no momento em que os jovens est\u00e3o come\u00e7ando a explorar o mundo com mais independ\u00eancia e os pais est\u00e3o ficando muito mais ansiosos em abrir m\u00e3o desse controle.<\/p>\n<p>Vejo muitos paralelos entre ensinar e apoiar as crian\u00e7as a navegar em espa\u00e7os online e prepar\u00e1-las para sair pelo mundo e explorar espa\u00e7os [f\u00edsicos], onde tamb\u00e9m v\u00e3o se deparar com riscos e complica\u00e7\u00f5es e precisar pedir o seu apoio ou desenvolver habilidades para serem bem-sucedidas.<\/p>\n<p>Na nossa casa, a quest\u00e3o era se nossos filhos eram respons\u00e1veis o suficiente para ter um dispositivo, um celular, e tomamos a decis\u00e3o de permitir quando estavam no sexto ano. Eles iam a p\u00e9 para a escola, n\u00f3s conhec\u00edamos todos os seus amigos. Eles podiam ir para a casa dos amigos ap\u00f3s as aulas e n\u00f3s pod\u00edamos nos comunicar com eles. Eles podiam aprender a us\u00e1-lo com responsabilidade antes de fazerem a pr\u00f3xima transi\u00e7\u00e3o, no s\u00e9timo ano, para uma escola maior, com pessoas novas, hor\u00e1rios novos e press\u00f5es novas.<\/p>\n<p>Mas essa foi simplesmente a decis\u00e3o na nossa fam\u00edlia. N\u00e3o \u00e9 que eu, como psic\u00f3loga do desenvolvimento, esteja dizendo que todas as crian\u00e7as est\u00e3o prontas para ter um celular aos 11 anos de idade. A quest\u00e3o \u00e9 se seus filhos est\u00e3o prontos, se isso se encaixa com a escola, o ambiente, a rotina deles. (Fonte: BBC News)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;\u00c9 muito f\u00e1cil vender hist\u00f3rias assustadoras para os pais. 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