{"id":14506,"date":"2026-07-26T05:00:13","date_gmt":"2026-07-26T09:00:13","guid":{"rendered":"https:\/\/blogdacondessa.com.br\/blog\/?p=14506"},"modified":"2026-07-25T16:46:05","modified_gmt":"2026-07-25T20:46:05","slug":"china-quer-reduzir-dependencia-do-agronegocio-brasileiro-o-plano-que-assusta-o-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogdacondessa.com.br\/blog\/mundo\/china-quer-reduzir-dependencia-do-agronegocio-brasileiro-o-plano-que-assusta-o-brasil\/","title":{"rendered":"China quer reduzir depend\u00eancia do agroneg\u00f3cio brasileiro: o plano que assusta o Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Em pouco mais de duas d\u00e9cadas, a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/topics\/cdr56r2v966t\">China<\/a>\u00a0passou de parceiro secund\u00e1rio a principal destino das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras, impulsionando uma sucess\u00e3o de recordes de vendas do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/topics\/c340q4k57g2t\">agroneg\u00f3cio<\/a>\u00a0nacional. Apenas em 2025, o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/topics\/cz74k717pw5t\">Brasil<\/a>\u00a0faturou US$ 100 bilh\u00f5es com o mercado chin\u00eas \u2014 mais do que com qualquer outro pa\u00eds do mundo.<\/p>\n<p>O ritmo segue forte em 2026. De janeiro a junho, as vendas brasileiras para o mercado chin\u00eas atingiram US$ 58,322 bilh\u00f5es, um crescimento de 21,9% em compara\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano anterior, segundo dados consolidados divulgados pelo Minist\u00e9rio do Desenvolvimento, Ind\u00fastria, Com\u00e9rcio e Servi\u00e7os (MDIC).<\/p>\n<p>No mesmo intervalo, as exporta\u00e7\u00f5es para os Estados Unidos recuaram 13%, uma perda de US$ 2,6 bilh\u00f5es, ap\u00f3s o governo de Donald Trump impor tarifas de 50% sobre parte dos produtos brasileiros em 2025. Na quarta-feira (22\/7), entrou em vigor uma nova tarifa adicional de 25%, ampliando a press\u00e3o para que o Brasil encontre outros destinos para os produtos afetados.<\/p>\n<p>Mas as barreiras comerciais que vem sendo impostas por Trump tamb\u00e9m podem acelerar uma mudan\u00e7a mais ampla no com\u00e9rcio agr\u00edcola global.<\/p>\n<p>Uma reportagem publicada na ter\u00e7a-feira (21\/7) no brit\u00e2nico Financial Times, um dois principais jornais de finan\u00e7as do mundo, afirma que os\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/articles\/cwyj3g8695vo\">EUA correm o risco de perder para o Brasil o posto de maior exportador<\/a>\u00a0agr\u00edcola do mundo.<\/p>\n<p>Segundo o Departamento de Agricultura americano e o Minist\u00e9rio da Agricultura brasileiro, os EUA exportaram US$ 171 bilh\u00f5es em produtos agr\u00edcolas no ano passado, apenas US$ 2 bilh\u00f5es a mais do que o Brasil. Em 2021, essa diferen\u00e7a foi de US$ 56 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Analistas ouvidos pelo jornal apontam que um dos principais fatores por tr\u00e1s desse avan\u00e7o foi a guerra comercial iniciada por Donald Trump, principalmente contra a China. Desde seu primeiro mandato, quando tarifas foram impostas ao pa\u00eds asi\u00e1tico em 2018, Pequim reduziu significativamente as compras de produtos agr\u00edcolas americanos e ampliou suas importa\u00e7\u00f5es de pa\u00edses como o Brasil.<\/p>\n<p>Esse cen\u00e1rio refor\u00e7a, no curto prazo, a import\u00e2ncia do mercado chin\u00eas para compensar perdas em outros parceiros comerciais. Mas, enquanto o Brasil se volta para a China como parte de sua estrat\u00e9gia de diversifica\u00e7\u00e3o, Pequim trabalha para reduzir justamente a depend\u00eancia externa que ajudou a transformar o pa\u00eds em uma pot\u00eancia agr\u00edcola.<\/p>\n<p>&#8220;A China identificou que estar muito exposta a importa\u00e7\u00f5es \u00e9 um elemento de vulnerabilidade para um pa\u00eds com uma popula\u00e7\u00e3o t\u00e3o grande e por isso est\u00e1 promovendo uma mudan\u00e7a estrutural&#8221;, afirma Larissa Wachholz, coordenadora do Programa \u00c1sia e do Grupo de An\u00e1lise da China do Cebri (Centro Brasileiro de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais) e ex-assessora especial do Minist\u00e9rio da Agricultura.<\/p>\n<p>Essa mudan\u00e7a aparece de forma expl\u00edcita no rec\u00e9m-lan\u00e7ado 15\u00ba Plano Quinquenal Nacional (2026-2030) da China. O documento elevou a seguran\u00e7a alimentar \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de prioridade estrat\u00e9gica nacional e estabeleceu metas para ampliar a produ\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica de gr\u00e3os, aumentar a autossufici\u00eancia em sementes agr\u00edcolas, acelerar o uso de intelig\u00eancia artificial no campo e desenvolver novas fontes de prote\u00edna.<\/p>\n<p>&#8220;Obviamente, a China n\u00e3o vai renunciar \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es brasileiras de soja num prazo vis\u00edvel, mas ela vai come\u00e7ar a depender num grau cada vez menor dessas importa\u00e7\u00f5es, porque est\u00e1 investindo seriamente em tecnologias de substitui\u00e7\u00e3o dessas prote\u00ednas vegetais por amino\u00e1cidos industriais e outras formas de produ\u00e7\u00e3o de prote\u00edna para consumo animal&#8221;, afirma o professor s\u00eanior do Instituto de Estudos Avan\u00e7ados da Universidade de S\u00e3o Paulo Ricardo Abramovay.<\/p>\n<p>O alerta encontra respaldo em proje\u00e7\u00f5es do relat\u00f3rio\u00a0<em>China&#8217;s Food Future<\/em>, da consultoria Systemiq, segundo o qual as importa\u00e7\u00f5es chinesas de soja podem cair cerca de 25% at\u00e9 2030 \u2014 uma redu\u00e7\u00e3o equivalente a aproximadamente 23,5 milh\u00f5es de toneladas.<\/p>\n<p>Entre os fatores apontados est\u00e3o melhorias na alimenta\u00e7\u00e3o animal, ganhos de produtividade e o avan\u00e7o de prote\u00ednas produzidas por novos processos industriais. O estudo destaca tecnologias como fermenta\u00e7\u00e3o de precis\u00e3o, biomanufatura e carne cultivada em laborat\u00f3rio, m\u00e9todos que podem reduzir a necessidade de soja destinada \u00e0 produ\u00e7\u00e3o convencional de prote\u00edna animal.<\/p>\n<p>&#8220;Essa ideia de que a produ\u00e7\u00e3o brasileira de soja \u00e9 important\u00edssima para alimentar o mundo \u00e9 uma fic\u00e7\u00e3o. N\u00f3s n\u00e3o alimentamos pessoas, n\u00f3s alimentamos animais&#8221;, afirma Abramovay.<\/p>\n<p><strong>Quest\u00e3o de seguran\u00e7a nacional<\/strong><\/p>\n<p>A transforma\u00e7\u00e3o da China em pot\u00eancia econ\u00f4mica foi acompanhada por uma mudan\u00e7a igualmente profunda na forma como sua popula\u00e7\u00e3o se alimenta. Desde o in\u00edcio das reformas econ\u00f4micas lan\u00e7adas por Deng Xiaoping no fim dos anos 1970, centenas de milh\u00f5es de chineses deixaram a pobreza e ingressaram na classe m\u00e9dia. Com mais renda dispon\u00edvel, a dieta do pa\u00eds passou por uma r\u00e1pida diversifica\u00e7\u00e3o: o consumo de carne, leite, ovos e alimentos processados cresceu de forma acelerada.<\/p>\n<p>Essa mudan\u00e7a teve efeitos diretos sobre o com\u00e9rcio global de alimentos. Para produzir mais fontes de prote\u00edna, a China precisou ampliar fortemente a oferta de ra\u00e7\u00e3o animal \u2014 que tem como um dos insumos principais a soja. Foi essa demanda crescente que ajudou a transformar o Brasil em um dos principais fornecedores agr\u00edcolas do pa\u00eds asi\u00e1tico.<\/p>\n<p>Isso porque o territ\u00f3rio chin\u00eas enfrenta limita\u00e7\u00f5es estruturais para expandir sua produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola: o pa\u00eds abriga cerca de um quinto da popula\u00e7\u00e3o mundial, mas disp\u00f5e de menos de 10% das terras agricult\u00e1veis do planeta e de cerca de 6% dos recursos h\u00eddricos globais.<\/p>\n<p>Assim, durante d\u00e9cadas, a solu\u00e7\u00e3o encontrada por Pequim foi combinar produ\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica com importa\u00e7\u00f5es crescentes de alimentos e insumos agr\u00edcolas. Esse modelo permitiu sustentar a expans\u00e3o do consumo sem exigir que o pa\u00eds produzisse internamente tudo aquilo que sua popula\u00e7\u00e3o demandava.<\/p>\n<p>Agora, por\u00e9m, a mesma depend\u00eancia externa que ajudou a impulsionar seu crescimento passou a ser vista internamente com apreens\u00e3o, especialmente em um contexto marcado por guerras, disputas comerciais, san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e interrup\u00e7\u00f5es nas cadeias globais de suprimento.<\/p>\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 te\u00f3rica. Segundo o relat\u00f3rio China&#8217;s Food Future, da consultoria Systemiq, a China \u00e9 hoje o maior importador de alimentos do mundo e acumula um d\u00e9ficit comercial agr\u00edcola de US$ 124,5 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>No caso da soja, cerca de 84% do consumo dom\u00e9stico depende de importa\u00e7\u00f5es. Mais da metade desse abastecimento vem do Brasil, que responde por cerca de 71% das compras chinesas do gr\u00e3o.<\/p>\n<p>Na carne bovina, a depend\u00eancia externa \u00e9 menor, mas ainda relevante: aproximadamente 32% do consumo \u00e9 importado, e o Brasil responde por 54% dessas compras.<\/p>\n<p><strong>Modelo industrial<\/strong><\/p>\n<p>O historiador econ\u00f4mico Adam Tooze, da Universidade Columbia, enxerga paralelos entre a atual estrat\u00e9gia de soberania alimentar chinesa e a pol\u00edtica industrial que permitiu ao pa\u00eds assumir posi\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7a global em setores como energia solar, baterias e ve\u00edculos el\u00e9tricos.<\/p>\n<p>Em artigo recente publicado no jornal brit\u00e2nico Financial Times, ele aponta o caminho percorrido por Pequim em ambos os casos: planejamento estatal, financiamento direcionado, coordena\u00e7\u00e3o entre universidades, empresas e centros de pesquisa e forte aposta em inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica.<\/p>\n<p>&#8220;Se o desacoplamento alimentar for perseguido com a mesma energia da pol\u00edtica industrial da China, ele ir\u00e1 subverter a economia agr\u00edcola global do \u00faltimo quarto de s\u00e9culo&#8221;, alerta Tooze.<\/p>\n<p>O historiador argumenta que a depend\u00eancia de importa\u00e7\u00f5es ajudou a sustentar a r\u00e1pida melhora do padr\u00e3o de vida da popula\u00e7\u00e3o chinesa, mas tamb\u00e9m criou vulnerabilidades que passaram a preocupar a lideran\u00e7a do pa\u00eds.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 para os atuais l\u00edderes de mercado que a formid\u00e1vel guinada da China em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 seguran\u00e7a tecnoindustrial traz uma incerteza radical&#8221;, conclui.<\/p>\n<p>Para Wachholz, a l\u00f3gica por tr\u00e1s dessa transforma\u00e7\u00e3o vai al\u00e9m da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. Segundo ela, Pequim passou a tratar a seguran\u00e7a alimentar como uma quest\u00e3o estrat\u00e9gica porque precisa garantir o abastecimento de uma popula\u00e7\u00e3o cada vez mais urbana, rica e exigente.<\/p>\n<p>&#8220;A China n\u00e3o depende de importa\u00e7\u00f5es para assegurar o m\u00ednimo de calorias para a sua popula\u00e7\u00e3o. Ela depende delas para garantir uma alimenta\u00e7\u00e3o mais diversa&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Essa mudan\u00e7a ajuda a explicar por que o governo chin\u00eas tem direcionado investimentos para \u00e1reas como biotecnologia, agricultura de precis\u00e3o e novas formas de produ\u00e7\u00e3o de prote\u00edna. Ela tamb\u00e9m reflete transforma\u00e7\u00f5es no comportamento do consumidor chin\u00eas, cada vez mais atento \u00e0 rela\u00e7\u00e3o entre alimenta\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e sustentabilidade.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 muito comum usar o termo &#8216;verde&#8217; na China. E esse termo est\u00e1 associado n\u00e3o apenas a algo que seja ben\u00e9fico para o meio ambiente, mas tamb\u00e9m para a sa\u00fade. Os chineses tendem a compreender esses dois conceitos de forma associada&#8221;, diz Wachholz.<\/p>\n<p><strong>Sinal amarelo ligado<\/strong><\/p>\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o com os poss\u00edveis impactos dessas mudan\u00e7as j\u00e1 chegou ao agroneg\u00f3cio brasileiro. Uma das principais lideran\u00e7as pol\u00edticas do setor no pa\u00eds, a senadora pelo Mato Grosso do Sul e ex-ministra da Agricultura (2019-2022) Tereza Cristina (PP) tem conversado com representantes do setor sobre o assunto.<\/p>\n<p>&#8220;O Brasil tem que estar com o sinal amarelo ligado&#8221;, afirma. &#8220;N\u00e3o vai acontecer da noite para o dia [a redu\u00e7\u00e3o das importa\u00e7\u00f5es], mas o Brasil tem que estar de olho e se preparar para novos mercados ou para a diminui\u00e7\u00e3o da \u00e1rea plantada de soja&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Para ela, um dos pontos de aten\u00e7\u00e3o \u00e9 a poss\u00edvel expans\u00e3o do uso de sementes geneticamente modificadas pelos produtores chineses. Embora a China importe h\u00e1 d\u00e9cadas grandes volumes de soja transg\u00eanica produzida em pa\u00edses como Brasil e EUA, o cultivo dom\u00e9stico dessas variedades avan\u00e7ou mais lentamente por raz\u00f5es regulat\u00f3rias e pol\u00edticas.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, por\u00e9m, Pequim passou a flexibilizar gradualmente essas restri\u00e7\u00f5es e a investir pesadamente em melhoramento gen\u00e9tico, biotecnologia e desenvolvimento de sementes pr\u00f3prias. O 15\u00ba Plano Quinquenal estabelece como meta elevar a autossufici\u00eancia em sementes consideradas estrat\u00e9gicas para 85%.<\/p>\n<p>&#8220;A hora que eles passarem para os transg\u00eanicos e aumentarem essa produ\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria para diminuir a depend\u00eancia, o Brasil ser\u00e1 o primeiro pa\u00eds impactado, j\u00e1 que n\u00f3s somos os maiores exportadores de soja&#8221;, diz Tereza Cristina.<\/p>\n<p>Na vis\u00e3o de Abramovay, h\u00e1 tamb\u00e9m um fator geopol\u00edtico em jogo: uma eventual acomoda\u00e7\u00e3o das tens\u00f5es comerciais entre Washington e Pequim poderia levar a China a ampliar compras de produtos agr\u00edcolas americanos como parte de acordos mais amplos entre as duas pot\u00eancias.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 um horizonte que nem de longe pode ser tomado como seguro para o Brasil&#8221;, afirma.<\/p>\n<p><strong>Resposta brasileira<\/strong><\/p>\n<p>Para Tereza Cristina, o alerta n\u00e3o significa que o Brasil esteja condenado a perder espa\u00e7o, mas que precisa come\u00e7ar a se adaptar a um cen\u00e1rio diferente daquele que predominou nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>&#8220;O Brasil tem que pensar no que fazer estrategicamente, se ter\u00e1 que diminuir a produ\u00e7\u00e3o de soja ou passar para outros produtos&#8221;, avalia. &#8220;N\u00e3o existem outros pa\u00edses para onde a gente possa exportar esse volume que podemos vir a perder se a China diminuir a demanda&#8221;.<\/p>\n<p>Segundo ela, a experi\u00eancia recente mostra que metas anunciadas por Pequim costumam ser perseguidas de forma consistente:<\/p>\n<p>&#8220;Quando a China fala, ela cumpre. Ent\u00e3o isso \u00e9 um alerta para a produ\u00e7\u00e3o brasileira.&#8221;<\/p>\n<p>A ex-ministra defende a agrega\u00e7\u00e3o de valor \u00e0 produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola brasileira como alternativa para a potencial redu\u00e7\u00e3o das importa\u00e7\u00f5es da China.<\/p>\n<p>&#8220;A soja n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um produto, um gr\u00e3o. Ela tem muita tecnologia dentro&#8221;, afirma. &#8220;O Brasil hoje \u00e9 o maior exportador de carne bovina e de frango do mundo. Isso \u00e9 agrega\u00e7\u00e3o de valor, \u00e9 transformar soja e milho em prote\u00edna&#8221;.<\/p>\n<p>Ela tamb\u00e9m v\u00ea oportunidades na transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica:<\/p>\n<p>&#8220;Se a gente investir em SAF, que \u00e9 o combust\u00edvel sustent\u00e1vel de avia\u00e7\u00e3o, e em combust\u00edveis para navega\u00e7\u00e3o, podemos direcionar boa parte dessa produ\u00e7\u00e3o para esses mercados, a\u00ed quem ter\u00e1 que ficar de olho aberto \u00e9 a China&#8221;.<\/p>\n<p>O presidente da Ag\u00eancia Brasileira de Promo\u00e7\u00e3o de Exporta\u00e7\u00f5es e Investimentos (Apex-Brasil), Laudemir M\u00fcller, acredita que a instabilidade internacional pode favorecer as exporta\u00e7\u00f5es brasileiras para a China, mesmo diante da nova estrat\u00e9gia de Pequim:<\/p>\n<p>&#8220;A gente v\u00ea um reposicionamento de todos os pa\u00edses, mas em um mundo mais inst\u00e1vel, uma rea\u00e7\u00e3o natural \u00e9 olhar para quem realmente \u00e9 um bom parceiro&#8221;, respondeu, ao ser questionado pela reportagem durante entrevista coletiva na sede da Apex, em Bras\u00edlia, na sexta-feira (17\/7). &#8220;Nesse mundo de instabilidade e de redu\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia, o Brasil aparece com destaque como um pa\u00eds amigo e um fornecedor est\u00e1vel.&#8221;<\/p>\n<p>Para Tereza Cristina, o governo deveria manter estruturas permanentes de intelig\u00eancia estrat\u00e9gica para monitorar tend\u00eancias globais e antecipar mudan\u00e7as de mercado. Wachholz, que estabeleceu o &#8220;Programa China&#8221; na gest\u00e3o da ministra, tamb\u00e9m v\u00ea falhas na resposta brasileira, mas direciona suas cr\u00edticas principalmente ao setor privado.<\/p>\n<p>&#8220;Ele deveria estar mais presente na China, fazendo mais a\u00e7\u00f5es de monitoramento e de acompanhamento e promo\u00e7\u00e3o dos nossos produtos&#8221;, afirma. &#8220;O governo brasileiro trabalha para abrir o mercado, mas mesmo depois de aberto, os fluxos de neg\u00f3cio demoram a acontecer. N\u00e3o \u00e9 como se o Estado brasileiro fosse o exportador&#8221;.<\/p>\n<p>Apesar dos alertas, nenhum dos entrevistados prev\u00ea um colapso da rela\u00e7\u00e3o comercial entre Brasil e China. O consenso \u00e9 que Pequim continuar\u00e1 importando grandes volumes de alimentos brasileiros por muitos anos. O risco, segundo Wachholz, est\u00e1 em continuar tomando decis\u00f5es de investimento de longo prazo como se a demanda chinesa fosse crescer indefinidamente.<\/p>\n<p>Desde que a China se tornou o principal destino das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras, em 2009, a ascens\u00e3o do pa\u00eds asi\u00e1tico ajudou a transformar o Brasil em uma pot\u00eancia agr\u00edcola.<\/p>\n<p>Em um momento em que as tarifas dos Estados Unidos aumentam a import\u00e2ncia da diversifica\u00e7\u00e3o de mercados, o pr\u00f3ximo desafio, afirmam os especialistas, ser\u00e1 entender como responder a um parceiro que continua sendo o maior comprador do mundo, mas que investe cada vez mais para precisar comprar menos. (Fonte: BBC News Brasil)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em pouco mais de duas d\u00e9cadas, a\u00a0China\u00a0passou de parceiro secund\u00e1rio a principal destino das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras, impulsionando uma sucess\u00e3o de recordes de vendas do\u00a0agroneg\u00f3cio\u00a0nacional. Apenas em 2025, o\u00a0Brasil\u00a0faturou US$ 100 bilh\u00f5es com o mercado chin\u00eas \u2014 mais do que com qualquer outro pa\u00eds do mundo. O ritmo segue forte em 2026. 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