{"id":10109,"date":"2024-08-04T05:00:32","date_gmt":"2024-08-04T09:00:32","guid":{"rendered":"https:\/\/blogdacondessa.com.br\/blog\/?p=10109"},"modified":"2024-08-03T18:06:36","modified_gmt":"2024-08-03T22:06:36","slug":"por-que-amigos-prolongam-nossas-vidas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogdacondessa.com.br\/blog\/mundo\/por-que-amigos-prolongam-nossas-vidas\/","title":{"rendered":"Por que amigos prolongam nossas vidas"},"content":{"rendered":"<p>Se voc\u00ea tiver prestado aten\u00e7\u00e3o \u00e0s no\u00e7\u00f5es mais recentes sobre bem-estar e longevidade, ter\u00e1 notado o aumento do foco na situa\u00e7\u00e3o dos nossos relacionamentos. Os pesquisadores dizem que as pessoas com redes de relacionamento bem desenvolvidas tendem a ser muito mais saud\u00e1veis do que aquelas que se sentem isoladas. A rela\u00e7\u00e3o entre as nossas intera\u00e7\u00f5es com as outras pessoas e a nossa longevidade \u00e9 t\u00e3o forte que a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) criou recentemente uma nova Comiss\u00e3o sobre Conex\u00f5es Sociais, consideradas uma &#8220;prioridade de sa\u00fade global&#8221;. Talvez voc\u00ea tenha um certo ceticismo sobre estas afirma\u00e7\u00f5es e os misteriosos mecanismos que supostamente relacionam nosso bem-estar f\u00edsico \u00e0 solidez dos nossos relacionamentos. Mas a nossa compreens\u00e3o do modelo de sa\u00fade &#8220;biopsicossocial&#8221; vem crescendo h\u00e1 d\u00e9cadas. Enquanto pesquisava a ci\u00eancia por tr\u00e1s dessas conclus\u00f5es para o meu livro The Laws of Connection (&#8220;As leis da conex\u00e3o&#8221;, em tradu\u00e7\u00e3o livre), descobri que nossas amizades podem exercer influ\u00eancia sobre tudo \u2013 desde a resist\u00eancia do nosso sistema imunol\u00f3gico at\u00e9 a possibilidade de morrermos de doen\u00e7as card\u00edacas.<br \/>\nAs pesquisas trazem conclus\u00f5es claras. Se quisermos viver uma vida longa e saud\u00e1vel, devemos come\u00e7ar a priorizar as pessoas \u00e0 nossa volta.<br \/>\nAs ra\u00edzes cient\u00edficas desta descoberta remontam ao in\u00edcio dos anos 1960.<br \/>\nFoi quando o m\u00e9dico Lester Breslow (1915-2012), do Departamento de Sa\u00fade P\u00fablica do Estado da Calif\u00f3rnia, nos Estados Unidos, definiu um projeto ambicioso para identificar os h\u00e1bitos e comportamentos que geram maior longevidade. Para isso, ele recrutou cerca de 7 mil participantes do condado de Alameda, na Calif\u00f3rnia. E, com question\u00e1rios abrangentes, o m\u00e9dico elaborou um quadro extraordinariamente detalhado dos seus estilos de vida e acompanhou seu bem-estar nos anos que se seguiram. Depois de uma d\u00e9cada, a equipe de Breslow havia identificado v\u00e1rios dos ingredientes que, como sabemos hoje, s\u00e3o essenciais para a boa sa\u00fade: n\u00e3o fumar; beber com modera\u00e7\u00e3o; dormir sete a oito horas por noite; fazer exerc\u00edcios; evitar guloseimas; manter peso adequado; e tomar caf\u00e9 da manh\u00e3.<br \/>\nNa \u00e9poca, essas descobertas foram t\u00e3o surpreendentes que, quando seus colegas apresentaram os resultados, Breslow achou que eles estivessem fazendo algum tipo de brincadeira. Dificilmente voc\u00ea ir\u00e1 precisar de mim para explicar essas orienta\u00e7\u00f5es com mais detalhes. O conjunto de sete h\u00e1bitos saud\u00e1veis conhecido como &#8220;Alameda 7&#8221;, atualmente, \u00e9 a base da maioria das orienta\u00e7\u00f5es de sa\u00fade p\u00fablica.<br \/>\nMas as pesquisas continuaram. E, em 1979, dois colegas de Breslow \u2013 Lisa Berkman e S. Leonard Syme \u2013 descobriram um oitavo fator que influencia a longevidade das pessoas: as conex\u00f5es sociais. Em m\u00e9dia, as pessoas com maior n\u00famero de la\u00e7os sociais apresentaram cerca de metade da probabilidade de morrer em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas com redes sociais menores. E este resultado permanecia inalterado, mesmo considerando fatores como situa\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica e a sa\u00fade das pessoas no in\u00edcio da pesquisa, consumo de cigarros, pr\u00e1tica de exerc\u00edcios e alimenta\u00e7\u00e3o. Analisando com mais profundidade, ficou claro que todos os tipos de relacionamentos s\u00e3o importantes, mas alguns s\u00e3o mais significativos do que outros.<br \/>\nO senso de conex\u00e3o com o c\u00f4njuge e amigos pr\u00f3ximos oferece maior prote\u00e7\u00e3o, mas os pr\u00f3prios conhecidos casuais da igreja ou de um clube de boliche tamb\u00e9m ajudam a afastar a indesej\u00e1vel visita da morte. A completa ousadia desta afirma\u00e7\u00e3o pode explicar por que ela foi inicialmente desprezada pelas orienta\u00e7\u00f5es de sa\u00fade p\u00fablica.<br \/>\nOs cientistas estavam acostumados a observar o corpo como uma esp\u00e9cie de m\u00e1quina, praticamente separada do nosso estado mental e do ambiente social. Mas, desde ent\u00e3o, extensas pesquisas confirmaram que a conex\u00e3o e a solid\u00e3o influenciam nossa suscetibilidade a muitas doen\u00e7as.<br \/>\n<strong>O cerne da quest\u00e3o<\/strong><br \/>\nO apoio social pode, por exemplo, estimular nosso sistema imunol\u00f3gico e nos proteger contra infec\u00e7\u00f5es. Nos anos 1990, o professor de psicologia Sheldon Cohen, da Universidade Carnegie Mellon, nos Estados Unidos, pediu a 276 participantes de um estudo que fornecessem detalhes completos sobre suas rela\u00e7\u00f5es sociais. Eles foram examinados para determinar a exist\u00eancia de poss\u00edveis infec\u00e7\u00f5es, colocados em quarentena e pediu-se que eles inalassem got\u00edculas de \u00e1gua infectadas com rinov\u00edrus, respons\u00e1vel por muitas gripes e resfriados. Nos cinco dias seguintes, muitos participantes desenvolveram sintomas, mas a incid\u00eancia foi significativamente menor entre as pessoas com conex\u00f5es sociais amplas e diversificadas. E, de fato, as pessoas com menores n\u00edveis de conex\u00e3o social apresentaram risco tr\u00eas a quatro vezes maior de desenvolver resfriado do que as que contavam com redes mais ricas de familiares, amigos, colegas e conhecidos. Qualquer bom cientista deve sempre considerar se outros fatores de confus\u00e3o podem explicar os resultados. \u00c9 razo\u00e1vel considerar, por exemplo, que as pessoas isoladas podem ser menos ativas e saud\u00e1veis, se passarem menos tempo ao ar livre, com seus amigos e familiares. Mas Berkman e Syme tamb\u00e9m conclu\u00edram que a correla\u00e7\u00e3o permaneceu mesmo depois que os pesquisadores descontaram todos estes fatores. E as dimens\u00f5es do efeito excedem em muito os benef\u00edcios de tomar suplementos vitam\u00ednicos, outra medida que pode refor\u00e7ar nosso sistema imunol\u00f3gico.<br \/>\nO est\u00edmulo social \u00e0 sa\u00fade se estende ao nosso risco de condi\u00e7\u00f5es cr\u00f4nicas, que transformam a nossa vida, como o diabetes tipo 2. O diabetes surge quando o p\u00e2ncreas deixa de produzir insulina em quantidade suficiente e as c\u00e9lulas do corpo n\u00e3o reagem \u00e0 insulina que flui atrav\u00e9s do corpo. Estas duas condi\u00e7\u00f5es impedem a decomposi\u00e7\u00e3o do a\u00e7\u00facar do sangue em c\u00e9lulas de energia.<br \/>\nFatores como a obesidade podem contribuir para o diabetes, mas, aparentemente, a qualidade dos relacionamentos tamb\u00e9m tem influ\u00eancia. Uma pesquisa que envolveu 4 mil participantes do Estudo Longitudinal Ingl\u00eas sobre o Envelhecimento concluiu que avalia\u00e7\u00f5es mais altas na Escala de Solid\u00e3o UCLA (um question\u00e1rio empregado pelos cientistas para medir as conex\u00f5es sociais das pessoas) previram o in\u00edcio do diabetes tipo 2 ao longo da d\u00e9cada seguinte. Existem at\u00e9 mesmo sinais de que pessoas com fortes rela\u00e7\u00f5es sociais apresentam menor risco de desenvolver Alzheimer e outras formas de dem\u00eancia.<br \/>\nMas a evid\u00eancia mais forte se refere \u00e0s doen\u00e7as cardiovasculares. Estudos em massa rastrearam a sa\u00fade de dezenas de milhares de pessoas ao longo de muitos anos e destacaram esta rela\u00e7\u00e3o repetidas vezes. O efeito pode ser observado tanto nos est\u00e1gios iniciais \u2013 com pessoas com poucas rela\u00e7\u00f5es sociais sendo mais propensas a desenvolver hipertens\u00e3o \u2013 quanto nos quadros mais graves, com a solid\u00e3o aumentando em cerca de 30% o risco de ataques card\u00edacos, angina ou AVC. Para ter uma ideia da import\u00e2ncia geral do est\u00edmulo social \u00e0 sa\u00fade, a psic\u00f3loga Julianne Holt-Lunstad, da Universidade Brigham Young em Provo, no Estado americano de Utah, compilou as conclus\u00f5es de 148 estudos. Juntos, eles analisaram 300 mil participantes, observando os benef\u00edcios da integra\u00e7\u00e3o social e os riscos da desconex\u00e3o. Ela ent\u00e3o comparou os efeitos da solid\u00e3o com os riscos de diversos outros fatores de estilo de vida, como fumar, beber \u00e1lcool, fazer exerc\u00edcios e atividade f\u00edsica, \u00edndice de massa corporal (que mede a obesidade), polui\u00e7\u00e3o do ar e a ingest\u00e3o de medicamentos para controlar a press\u00e3o arterial.<br \/>\nOs resultados foram publicados em 2010. Eles s\u00e3o surpreendentes.<br \/>\nHolt-Lunstad concluiu que o tamanho e a qualidade das rela\u00e7\u00f5es sociais apresentam rela\u00e7\u00e3o igual ou maior do que quase todos os outros fatores determinantes da mortalidade. Quanto mais as pessoas se sentem apoiadas pelas pessoas \u00e0 sua volta, melhor \u00e9 a sua sa\u00fade e menor a sua probabilidade de morrer. De forma geral, as conex\u00f5es sociais ou sua aus\u00eancia desempenham papel muito maior na sa\u00fade das pessoas do que o consumo de \u00e1lcool, exerc\u00edcios, \u00edndice de massa corporal e a polui\u00e7\u00e3o do ar. Os \u00fanicos efeitos que chegaram perto foram os do cigarro.<br \/>\n<strong>Causa ou correla\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nEsta pesquisa enfrentou cr\u00edticas. Para conseguir uma prova inquestion\u00e1vel da rela\u00e7\u00e3o causal entre um fator de estilo de vida e a longevidade em geral, seria preciso realizar um experimento controlado, no qual voc\u00ea aloca pessoas aleatoriamente a diferentes condi\u00e7\u00f5es.<br \/>\n\u00c9 desta forma que os novos medicamentos s\u00e3o testados \u2013 algumas pessoas tomam o rem\u00e9dio, outras tomam o placebo e algu\u00e9m registra os diferentes resultados. Neste caso, seria preciso alocar algumas pessoas a uma condi\u00e7\u00e3o solit\u00e1ria, negando a elas que tivessem amizades, enquanto outras recebem uma rede social pronta, repleta de pessoas ador\u00e1veis. Claramente, este procedimento \u00e9 eticamente duvidoso e praticamente imposs\u00edvel de ser realizado, o que levou algumas pessoas a questionar se os efeitos aparentes das conex\u00f5es sociais s\u00e3o reais e significativos.<br \/>\nElas sugerem que os cientistas podem ter perdido algum fator de confus\u00e3o que oferece a ilus\u00e3o de rela\u00e7\u00e3o entre as nossas vidas sociais e a nossa sa\u00fade e longevidade, apesar de todos os esfor\u00e7os.<br \/>\nMas este argumento n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o irrefut\u00e1vel quanto parece, como defendeu recentemente Holt-Lunstad, em uma an\u00e1lise da pesquisa.<br \/>\nAfinal, n\u00f3s n\u00e3o podemos realizar experimentos randomizados em seres humanos para comprovar os riscos da redu\u00e7\u00e3o do tempo de vida causados pelo fumo \u2013 a \u00e9tica do processo seria ainda mais question\u00e1vel. Mas poucos cientistas hoje em dia negariam a rela\u00e7\u00e3o causal entre o fumo e a redu\u00e7\u00e3o da longevidade. Isso ocorre porque os cientistas det\u00eam outra forma de demonstrar a rela\u00e7\u00e3o causal entre o estilo de vida e uma doen\u00e7a. S\u00e3o os chamados crit\u00e9rios de Bradford Hill.<br \/>\nHolt-Lunstad destaca que, em estudos de longo prazo como a pesquisa Alameda, por exemplo, os cientistas podem procurar a &#8220;temporalidade&#8221;, ou seja, tentar saber se as escolhas de estilo de vida de algu\u00e9m precedem o desenvolvimento da doen\u00e7a. Neste caso, a sequ\u00eancia \u00e9 muito clara. As pessoas relataram sua solid\u00e3o muito antes de desenvolverem seus problemas de sa\u00fade. Os cientistas podem tamb\u00e9m procurar &#8220;rela\u00e7\u00e3o de rea\u00e7\u00e3o \u00e0 dosagem&#8221;, ou seja, se a maior exposi\u00e7\u00e3o ao fator de estilo de vida proposto resulta em maior risco. E, tamb\u00e9m aqui, existe um padr\u00e3o evidente: as pessoas totalmente isoladas s\u00e3o mais propensas a sofrer problemas de sa\u00fade mais s\u00e9rios do que algu\u00e9m que fica sozinho ocasionalmente \u2013 que, por sua vez, sofre mais doen\u00e7as do que algu\u00e9m que tem um c\u00edrculo social vibrante.<br \/>\n\u00c9 poss\u00edvel tamb\u00e9m verificar se as conclus\u00f5es s\u00e3o consistentes em diferentes popula\u00e7\u00f5es, usando diversos tipos de medi\u00e7\u00e3o. Se os efeitos houvessem sido identificados apenas em uma pequena amostra, ou se eles aparecessem apenas quando consideramos um \u00fanico question\u00e1rio de solid\u00e3o, voc\u00ea teria raz\u00e3o de ser c\u00e9tico. Mas n\u00e3o \u00e9 o caso. O est\u00edmulo social \u00e0 sa\u00fade tamb\u00e9m j\u00e1 foi documentado em todo o mundo, segundo Holt-Lunstad, utilizando diversos m\u00e9todos de quantifica\u00e7\u00e3o das conex\u00f5es sociais das pessoas. Quer voc\u00ea procure sentimentos subjetivos ou considere fatos objetivos, como o estado civil ou o n\u00famero exato de vezes em que uma dada pessoa encontra conhecidos todos os meses, o padr\u00e3o permanece o mesmo. Podemos at\u00e9 observar efeitos paralelos em esp\u00e9cies sociais muito diferentes, como os golfinhos, babu\u00ednos-do-cabo e macacos Rhesus. Quanto mais integrado for o indiv\u00edduo ao seu grupo social, maior \u00e9 a sua longevidade.<br \/>\n<strong>A seguran\u00e7a em n\u00fameros<\/strong><br \/>\nPara compreender como e por qu\u00ea a solidez das nossas conex\u00f5es sociais pode influenciar at\u00e9 certo ponto a nossa sa\u00fade, precisamos analisar a nossa evolu\u00e7\u00e3o. Quando os primeiros seres humanos se adaptaram para viver em grupos maiores, tudo dependia dos seus relacionamentos, desde o abastecimento de comida at\u00e9 a prote\u00e7\u00e3o contra os predadores. Perder os companheiros deixaria os humanos em risco de doen\u00e7as, les\u00f5es e de morrer de fome. Por isso, o c\u00e9rebro e o corpo humano podem ter evolu\u00eddo para interpretar o isolamento social como uma amea\u00e7a s\u00e9ria. Esta pode ser a raz\u00e3o por que sentimos tanta ang\u00fastia quando estamos sozinhos e desconectados. Da mesma forma que a dor f\u00edsica nos alerta a buscar seguran\u00e7a e cuidar das nossas feridas, a dor social pode ter evolu\u00eddo para nos convencer a evitar parceiros hostis e restabelecer nossas rela\u00e7\u00f5es positivas.<br \/>\nSentimentos de rejei\u00e7\u00e3o ou isolamento tamb\u00e9m despertam uma s\u00e9rie de rea\u00e7\u00f5es fisiol\u00f3gicas. No nosso passado evolutivo, elas se destinavam a proteger os primeiros seres humanos contra os riscos imediatos representados pelo isolamento, como os ataques de predadores ou inimigos. O c\u00e9rebro aciona a libera\u00e7\u00e3o de norepinefrina e cortisol, os horm\u00f4nios que mant\u00eam a mente alerta contra amea\u00e7as e preparam o corpo para agress\u00f5es. Paralelamente, o sistema imunol\u00f3gico come\u00e7a a aumentar a produ\u00e7\u00e3o de mol\u00e9culas inflamat\u00f3rias, para defender o corpo contra os pat\u00f3genos. Para os primeiros seres humanos, isso teria reduzido o risco de infec\u00e7\u00f5es, se eles eventualmente fossem feridos por um ataque. A sensa\u00e7\u00e3o de isolamento e estresse social tamb\u00e9m pode aumentar a produ\u00e7\u00e3o de fibrinog\u00eanio, que promove a coagula\u00e7\u00e3o do sangue e ajuda na cura das feridas. Esta rea\u00e7\u00e3o teria aumentado a possibilidade de sobreviv\u00eancia imediata dos nossos ancestrais, mas poderia causar danos de longo prazo. Quando o corpo fica constantemente preparado para hostilidade e agress\u00f5es, ele aumenta a tens\u00e3o sobre o sistema cardiovascular. Paralelamente, as inflama\u00e7\u00f5es cr\u00f4nicas podem evitar a infec\u00e7\u00e3o das feridas, mas a rea\u00e7\u00e3o imunol\u00f3gica decorrente \u00e9 menos adequada para reagir aos v\u00edrus, o que aumentaria a possibilidade de contrair doen\u00e7as respirat\u00f3rias, por exemplo.<br \/>\nAs inflama\u00e7\u00f5es cr\u00f4nicas tamb\u00e9m causam o desgaste de outras c\u00e9lulas, o que pode aumentar o risco de diabetes, Alzheimer e doen\u00e7as card\u00edacas. E os n\u00edveis elevados do fator de coagula\u00e7\u00e3o fibrinog\u00eanio podem causar trombose, que pode gerar ataque card\u00edaco ou AVC. Se passarmos d\u00e9cadas em solid\u00e3o e isolamento, estas mudan\u00e7as podem aumentar drasticamente o risco de doen\u00e7as e morte precoce. Mas, quando as pessoas contam com conex\u00f5es e apoio social, seus corpos ir\u00e3o suprimir processos como as inflama\u00e7\u00f5es. E, como resultado, elas ter\u00e3o um padr\u00e3o de sa\u00fade muito melhor, que as torna menos suscet\u00edveis a doen\u00e7as. Por ter sofrido de timidez, eu costumava considerar estas conclus\u00f5es um tanto desconcertantes. Como podemos colher os benef\u00edcios da conex\u00e3o profunda se n\u00e3o formos naturalmente soci\u00e1veis e extrovertidos? Mas, desde que me aprofundei nas evid\u00eancias, descobri que nossas habilidades sociais s\u00e3o como os nossos m\u00fasculos \u2013 quanto mais usamos, mais fortes elas ficam. E mesmo os declaradamente introvertidos podem aprender a ser mais soci\u00e1veis, se quiserem.<br \/>\nDa mesma forma que planejamos um programa de exerc\u00edcios para aumentar nossa atividade f\u00edsica, todos n\u00f3s podemos encontrar maneiras de integrar intera\u00e7\u00f5es sociais mais significativas \u00e0s nossas vidas, alimentando velhos la\u00e7os e construindo novos. Somos programados para nos conectarmos. Basta apenas fornecer a n\u00f3s mesmos as oportunidades adequadas. (Fonte: BBC Future)<br \/>\n<strong><em>* Esta reportagem \u00e9 um trecho editado do livro As Leis da Conex\u00e3o: Os Segredos Cient\u00edficos de Estabelecer uma Forte Rede Social (em ingl\u00eas), de David Robson. Sua conta no X (antigo Twitter) \u00e9 @d_a_robson e ele tamb\u00e9m pode ser encontrado com o nome @davidarobson no Instagram e no Threads.<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se voc\u00ea tiver prestado aten\u00e7\u00e3o \u00e0s no\u00e7\u00f5es mais recentes sobre bem-estar e longevidade, ter\u00e1 notado o aumento do foco na situa\u00e7\u00e3o dos nossos relacionamentos. Os pesquisadores dizem que as pessoas com redes de relacionamento bem desenvolvidas tendem a ser muito mais saud\u00e1veis do que aquelas que se sentem isoladas. 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