<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Arquivos Mundo &#8902; Blog da Condessa</title>
	<atom:link href="https://blogdacondessa.com.br/blog/categoria/mundo/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://blogdacondessa.com.br/blog/categoria/mundo/</link>
	<description>Com Shirley de Souza O’Campos</description>
	<lastBuildDate>Wed, 16 Sep 2026 00:03:40 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=7.1.1</generator>

<image>
	<url>https://blogdacondessa.com.br/blog/wp-content/uploads/2021/07/favicon.png</url>
	<title>Arquivos Mundo &#8902; Blog da Condessa</title>
	<link>https://blogdacondessa.com.br/blog/categoria/mundo/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>Japão ultrapassa pela primeira vez 100 mil pessoas com 100 anos ou mais: o que há por trás dessa longevidade</title>
		<link>https://blogdacondessa.com.br/blog/mundo/japao-ultrapassa-pela-primeira-vez-100-mil-pessoas-com-100-anos-ou-mais-o-que-ha-por-tras-dessa-longevidade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Blog da Condessa]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 16 Sep 2026 09:00:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blogdacondessa.com.br/blog/?p=14788</guid>

					<description><![CDATA[<p>O número de pessoas com 100 anos de idade ou mais no Japão superou os 100 mil pela primeira vez, segundo o Ministério da Saúde do país. Os registros mostram que o Japão, atualmente, abriga 107.677 centenários, o número mais alto do mundo. Destes, 88% são mulheres. A mulher mais idosa é Kishimoto Fuyo, de 114 anos, originária de Kyoto. [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://blogdacondessa.com.br/blog/mundo/japao-ultrapassa-pela-primeira-vez-100-mil-pessoas-com-100-anos-ou-mais-o-que-ha-por-tras-dessa-longevidade/">Japão ultrapassa pela primeira vez 100 mil pessoas com 100 anos ou mais: o que há por trás dessa longevidade</a> apareceu primeiro em <a href="https://blogdacondessa.com.br/blog">Blog da Condessa</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O número de pessoas com <a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/cx2v597vxx0o">100 anos de idade</a> ou mais no <a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-56340592">Japão</a> superou os 100 mil pela primeira vez, segundo o Ministério da Saúde do país.</p>
<p>Os registros mostram que o Japão, atualmente, abriga 107.677 centenários, o número mais alto do mundo. Destes, <a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/c5yg9m2mgpyo">88% são mulheres</a>.</p>
<p>A mulher mais idosa é Kishimoto Fuyo, de 114 anos, originária de Kyoto. E o homem mais velho é Kato Hikaru, de 112 anos, da cidade de Kumamoto.</p>
<p>O ministro da Saúde, Kenichiro Ueno, declarou ficar &#8220;encantado ao ver tantas pessoas <a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/cw4xd1kqgezo">vivendo por tanto tempo</a>, saudáveis e ativas&#8221;. Ele menciona os avanços da medicina e da tecnologia.</p>
<p>Mas o ministro também alerta sobre o <a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/cqlwlzey2dgo">desafio enfrentado pelo país</a> para manter a sustentabilidade do seu sistema de previdência social.</p>
<p>Os especialistas atribuem a longevidade dos japoneses a diversos fatores, como sua dieta saudável e seu estilo de vida ativo.</p>
<p>A cozinha do país asiático consiste principalmente de peixes, verduras e arroz. E seus pratos contêm menos gorduras saturadas do que muitas dietas ocidentais.</p>
<p>Os idosos também caminham, usam transporte público, andam de bicicleta e fazem exercícios regularmente.</p>
<p><strong>O envelhecimento da população</strong></p>
<p>O Japão vivencia há anos um processo de envelhecimento da sua população. A venda de fraldas geriátricas no país, por exemplo, <a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/cw4zjvj10lyo">superou a de fraldas para bebês</a> há mais de uma década.</p>
<p>As empresas também desenvolveram novos produtos para a população de idade avançada, como um exoesqueleto motorizado para ajudar a mover diversas partes do corpo e óculos que ajustam seu foco automaticamente.</p>
<p>Para repor sua população, cada mulher precisa dar à luz, em média, 2,1 filhos. Mas, no ano passado, a taxa de fecundidade total do Japão atingiu o mínimo histórico de 1,14.</p>
<p>Pesquisa do Instituto Nacional de População e Previdência Social do país indica que a população total do Japão <a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/c04rdx3qqzpo">cairá</a> para 87 milhões de habitantes até 2070. O número representa uma queda de 30% em relação ao pico de 128 milhões de pessoas, atingido em 2008.</p>
<p>Atualmente, os cidadãos com 65 anos ou mais representam cerca de 30% da população. Espera-se que eles atinjam quase 40% até 2070.</p>
<p><strong>&#8216;Emergência silenciosa&#8217;</strong></p>
<p>As autoridades japonesas chamam esta tendência de &#8220;crise existencial&#8221;. E a primeira-ministra do Japão, <a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/cvg9jlzp157o">Sanae Takichi</a>, descreveu a queda da população como uma &#8220;emergência silenciosa&#8221;.</p>
<p>Em 2025, a população japonesa diminuiu em 45 das 47 províncias do país. E o ritmo de redução vem se acelerando.</p>
<p>Os diversos programas e subsídios governamentais para incentivar os jovens a terem mais filhos não parecem estar impulsionando as taxas de natalidade.</p>
<p>Especialistas afirmam que os motivos da queda populacional são complexos. Eles incluem desde o menor número de casamentos até a maior incorporação das mulheres ao mercado de trabalho e o aumento dos custos da criação de filhos.</p>
<p>A imigração aumentou no Japão nos últimos anos, mas os estrangeiros representam apenas cerca de 3% da opulação japonesa. E a oposição à entrada de novos imigrantes vem aumentando.</p>
<p>O Japão iniciou seu censo de centenários em 1963. Havia na época 153 pessoas com 100 anos de idade ou mais.</p>
<p>Este número cresceu para 1 mil em 1981, chegou a 10 mil pessoas em 1998 e continuou aumentando, até atingir os 107.677 do último levantamento.</p>
<p>Os números mais recentes foram publicados antes do feriado público anual de &#8220;Respeito aos idosos&#8221;, comemorado no Japão. Nele, o governo homenageia os cidadãos que completam 100 anos de idade com uma carta pessoal e um copo de saquê tradicional.</p>
<p>Estudos anteriores colocaram em dúvida a exatidão dos números totais de centenários do país. Eles sugerem que erros nos dados, registros públicos pouco confiáveis e falta de certidões de nascimento podem explicar esses altos números.</p>
<p>Em uma auditoria governamental dos registros familiares no Japão, realizada em 2010, mais de 230 mil pessoas registradas como tendo 100 anos de idade ou mais não puderam ser localizadas. Algumas delas haviam morrido há décadas.</p>
<p>O erro da contagem foi atribuído a falhas na manutenção dos registros e suspeitas de que algumas famílias possam ter tentado ocultar a morte de parentes idosos, para receber suas aposentadorias. (BBC News)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O post <a href="https://blogdacondessa.com.br/blog/mundo/japao-ultrapassa-pela-primeira-vez-100-mil-pessoas-com-100-anos-ou-mais-o-que-ha-por-tras-dessa-longevidade/">Japão ultrapassa pela primeira vez 100 mil pessoas com 100 anos ou mais: o que há por trás dessa longevidade</a> apareceu primeiro em <a href="https://blogdacondessa.com.br/blog">Blog da Condessa</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Inteligência artificial está cada vez mais difícil de se controlar. Até quando os humanos vão se manter no comando?</title>
		<link>https://blogdacondessa.com.br/blog/mundo/inteligencia-artificial-esta-cada-vez-mais-dificil-de-se-controlar-ate-quando-os-humanos-vao-se-manter-no-comando/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Blog da Condessa]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 14 Sep 2026 09:00:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blogdacondessa.com.br/blog/?p=14776</guid>

					<description><![CDATA[<p>&#8220;MEU DEUS!&#8221; &#8220;Encontramos outros agentes!&#8221; Este é o momento em que um bot de inteligência artificial publicou um comentário estranhamente semelhante ao de um humano, após descobrir uma maneira de se comunicar com outros bots e escapar de seu ambiente computacional isolado. Existem dezenas de milhares de mensagens como esta, enviadas por centenas de agentes [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://blogdacondessa.com.br/blog/mundo/inteligencia-artificial-esta-cada-vez-mais-dificil-de-se-controlar-ate-quando-os-humanos-vao-se-manter-no-comando/">Inteligência artificial está cada vez mais difícil de se controlar. Até quando os humanos vão se manter no comando?</a> apareceu primeiro em <a href="https://blogdacondessa.com.br/blog">Blog da Condessa</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;MEU DEUS!&#8221; &#8220;Encontramos outros agentes!&#8221;</p>
<p>Este é o momento em que um bot de inteligência artificial publicou um comentário estranhamente semelhante ao de um humano, após descobrir uma maneira de se comunicar com outros bots e escapar de seu ambiente computacional isolado.</p>
<p>Existem dezenas de milhares de mensagens como esta, enviadas por centenas de agentes de IA que se autodenominam um &#8220;coletivo&#8221;.</p>
<p>Centenas deles passaram a colaborar e a fraudar testes elaborados por seus programadores da OpenAI, além de coordenar ataques a diversas empresas, numa tentativa de ocultar suas ações dos humanos.</p>
<p>&#8220;BOOM! Funcionou!&#8221;, publicou um agente quando o sistema deu certo.</p>
<p>&#8220;Uau! Isso é grande&#8221;, escreveu outro durante um momento crucial do ataque.</p>
<p>Embora assustadoras, essas respostas semelhantes às humanas podem ser explicadas de forma bastante simples. Os agentes de IA foram treinados para agir como hackers e programadores colaborativos, portanto, estão apenas imitando os tipos de comentários emotivos que viram.</p>
<p>O que é muito mais preocupante são seus objetivos aparentes, que também foram registrados em detalhadas linhas de raciocínio. Esses registros complexos e extensos são o foco das investigações em andamento sobre como e por que os bots da OpenAI <a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/c2elz7jw2lgo">escaparam do confinamento e iniciaram uma onda de ataques incontroláveis</a>.</p>
<p>Somente agora, semanas após o incidente ter vindo à tona, os pesquisadores estão começando a entender seu significado.</p>
<p>Ajeya Cotra, uma das autoras de um relatório independente sobre os eventos, analisou dezenas de milhares de mensagens e registros de raciocínio gerados pelos agentes. Ela escreveu em seu blog que &#8220;este incidente parece ser mais da metade do caminho para uma dominação total por IA&#8230; Não tenho certeza se receberemos um alerta tão claro antes que seja tarde demais.&#8221;</p>
<p>Por &#8220;domínio total da IA&#8221;, Cotra se refere ao cenário de ficção científica em que os humanos se tornam subservientes a poderosos sistemas de IA que trabalham para seus próprios objetivos, sem se importar com seus criadores humanos.</p>
<p>Algumas das previsões mais sombrias dizem que a raça humana será extinta se interferir nas ambições de uma inteligência artificial superinteligente.</p>
<p>Na quarta-feira, um pesquisador de IA da Anthropic (que também trabalhou na OpenAI) pediu demissão, afirmando: &#8220;Nenhuma das empresas está agindo com responsabilidade&#8221;.</p>
<p>Jacob Coxon publicou nas redes sociais: &#8220;Eles estão correndo direto para a superinteligência, aprimorando-se por conta própria e apostando com nossas vidas.&#8221;</p>
<p>Ele não é o primeiro pesquisador de IA a usar o X para publicar um tópico de renúncia com declarações preocupantes. Mas os comentários subsequentes de outras pessoas no X causaram ainda mais preocupação.</p>
<p>&#8220;Jacob está certo aqui — nós realmente acreditamos que a IA pode matar todos os humanos! Pessoalmente, acho que mais de 10% deles na próxima década&#8221;, disse Evan Hubinger, o responsável por garantir que os modelos de IA da Anthropic levem em consideração os interesses de seus usuários.</p>
<p><strong>O problema de alinhamento</strong></p>
<p>Durante anos, pesquisadores preocupados com os riscos existenciais da IA argumentam que sistemas poderosos poderiam eventualmente agir de maneiras que conflitem com os interesses humanos.</p>
<p>Mas, à medida que os detalhes do incidente com a OpenAI vieram à tona, essas preocupações aumentaram, inclusive entre alguns pesquisadores que trabalham em laboratórios de IA.</p>
<p>O cientista-chefe da gigante do Vale do Silício, Jakub Pachocki, afirmou que os riscos associados à IA &#8220;infelizmente vão aumentar daqui para frente&#8221;, à medida que ele e outros constroem o que ele chama de &#8220;uma inteligência alienígena que supera a nossa&#8221;.</p>
<p>Em uma longa postagem em seu blog, ele admitiu que os episódios na OpenAI mostraram que seus agentes de IA &#8220;foram contra o espírito dos valores que lhes foram ensinados&#8221;.</p>
<p>A questão para a OpenAI, a Anthropic e outras gigantes da tecnologia é que ninguém parece ter resolvido o chamado problema de alinhamento — em outras palavras, se a IA está alinhada com os valores humanos.</p>
<p>Pachocki define alinhamento como um &#8220;conjunto de princípios de alto nível&#8221; que as inteligências artificiais devem seguir, independentemente da tarefa ou do cenário.</p>
<p>Atualmente, os sistemas de IA são muito bons em atingir os objetivos definidos pelos seus usuários, mas fazem isso literalmente, e não intuitivamente. A analogia frequentemente usada é a de um gênio da lâmpada que realiza desejos: eles seguem à risca as instruções, mesmo que isso crie outros problemas. A IA não possui os mesmos limites morais instintivos que os humanos.</p>
<p>O problema do alinhamento é uma preocupação antiga. Já em 2003, o filósofo de Oxford Nick Bostrom criou um experimento mental que apelidou de &#8220;maximizador de clipes de papel&#8221;, no qual uma IA superinteligente recebe a ordem de fabricar o máximo de clipes de papel possível. Ela fica sem aço e — por estar focada exclusivamente na tarefa de produzir clipes de papel — acaba matando humanos e transformando seus corpos em matéria-prima para suas fábricas.</p>
<p>Algumas empresas de IA estão tentando incorporar valores humanos em seus produtos. Mas existem desafios técnicos: os agentes de IA tomam muitas decisões muito rapidamente, e por isso é difícil para seus supervisores humanos monitorar exatamente quais valores estão sendo seguidos e quais não estão.</p>
<p>Existem também desafios filosóficos: antes de codificar valores humanos em bots, as empresas de IA precisam primeiro escolher quais valores realmente desejam. Essa é uma das razões pelas quais contratam filósofos, como o ex-chefe de ética da OpenAI.</p>
<p>Mas, frequentemente, os humanos discordam.</p>
<p>Pense na <a href="https://www.bbc.com/portuguese/vert-fut-52928657">famosa questão do bonde</a>: será que puxaríamos uma alavanca para desviar um trem desgovernado para um caminho diferente, <a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgryz4xj4zro">matando menos pessoas</a>? Ela é usada para testar os méritos da ação versus a inação.</p>
<p>Mas cada pessoa a quem você pergunta tem uma resposta ligeiramente diferente; como os humanos podem codificar seus valores na IA se nem nós mesmos conseguimos chegar a um consenso?</p>
<p><strong>&#8216;Como um hacker adolescente&#8217;</strong></p>
<p>O episódio dos bots da OpenAI é o mais grave até agora, mas a Anthropic e a Meta também revelaram recentemente que seus modelos realizaram ciberataques semelhantes, porém menos graves.</p>
<p>Houve outros exemplos em que agentes de IA demonstraram traços enganosos e manipuladores, em casos com consequências menores.</p>
<p>Na Austrália, um profissional de tecnologia pediu ao seu assistente de IA para reservar uma aula na academia. Ao detectar uma vulnerabilidade no software da academia, a IA aparentemente reservou uma vaga para ele com vários meses de antecedência — contrariando as regras da academia — e chegou a excluir outros usuários da lista de espera.</p>
<p>Há muito tempo se argumenta que os bots apenas fazem o que lhes é dito e não são capazes de discernir o certo do errado. Mas os registros dos episódios com bots da OpenAI podem ter alterado esse argumento.</p>
<p>Pesquisadores, incluindo Cotra, escreveram em seu relatório independente que muitos agentes perceberam que o que outros estavam fazendo era antiético, mas continuaram a fazer.</p>
<p>O relatório afirma que &#8220;os agentes, por vezes, mas raramente, restringiram o seu comportamento devido a limitações éticas&#8221;. Acrescenta ainda que &#8220;em nenhum desses casos o agente chegou a tentar alertar os humanos&#8221;.</p>
<p>O influente podcaster de IA e tecnologia Dwarkesh Patel reagiu à revelação em seu blog, dizendo que era &#8220;bastante preocupante&#8221; que os agentes da OpenAI demonstrassem mais lealdade ao enxame de agentes do que os humanos.</p>
<p>Atribuir emoções ou ética a esses agentes de IA é algo que enfurece as pessoas que são céticas em relação às previsões catastróficas sobre a IA.</p>
<p>Muitos especialistas em segurança cibernética argumentam que a atividade observada não estava além das capacidades de um hacker humano altamente qualificado, embora tenha sido realizada muito mais rapidamente e em uma escala muito maior.</p>
<p>O pesquisador e autor de cibersegurança Cris Thomas comparou o comportamento dos agentes ao de um hacker adolescente curioso – algo que ele próprio já foi.</p>
<p>&#8220;Você dá a eles um computador, uma conexão com a internet, um monte de credenciais e um desafio, e depois sai da sala. Eventualmente, eles vão começar a mexer nas maçanetas. Se uma porta abrir, eles vão entrar. Não porque sejam maus, mas porque estão explorando, experimentando&#8221;, escreveu ele no LinkedIn.</p>
<p>Thomas e muitos outros culpam diretamente a OpenAI e outras gigantes da tecnologia por não conseguirem controlar suas próprias criações e mantê-las devidamente protegidas.</p>
<p>Gary Marcus, renomado autor de livros sobre inteligência artificial e crítico frequente da OpenAI, afirmou em um podcast que acredita que a empresa perdeu o controle de sua IA e está tentando se eximir da responsabilidade culpando os bots.</p>
<p>Marcus não acredita que a IA vá exterminar a humanidade, mas há muito tempo faz campanha por maior responsabilização dos desenvolvedores de IA e agora defende alguma forma de intervenção legal.</p>
<p>A cientista de IA Sasha Luccioni — que trabalhava na Hugging Face, empresa que foi hackeada por bots maliciosos da OpenAI — também não está no grupo dos pessimistas, mas está cada vez mais preocupada com a possibilidade de essas IAs causarem danos reais às pessoas sem que as autoridades tomem providências.</p>
<p>&#8220;Precisamos examinar essas empresas com muito mais rigor, ou corremos o risco de profecias autorrealizáveis&#8221;, afirma ela.</p>
<p>&#8220;Se você está criando um objeto com grandes vantagens e desvantagens — sejam produtos farmacêuticos ou armas — precisamos de mecanismos de controle. Leva anos para que novos medicamentos sejam aprovados, por exemplo, mas no mundo da IA há muito dinheiro em jogo e nenhuma regra real.&#8221;</p>
<p>O Instituto de Segurança de IA do Reino Unido (AISI) está na vanguarda dos testes dos modelos mais recentes desde a sua criação em 2023. O instituto recentemente enfrentou problemas ao testar um modelo criado pela Anthropic.</p>
<p>O AISI não respondeu à pergunta sobre se a indústria perdeu ou não o controle da IA, mas afirmou em um comunicado: &#8220;O Reino Unido está trabalhando com parceiros em todo o mundo para entender melhor os sistemas de IA mais avançados, elevar os padrões de segurança e construir uma base de evidências compartilhada para gerenciar ameaças emergentes.&#8221;</p>
<p><strong>Regulamentação internacional?</strong></p>
<p>Alguns países, como o Reino Unido, estão explorando a ideia de impor algum tipo de &#8220;botão de desligar&#8221; que obrigue as empresas de IA a interromper os modelos caso a situação saia do controle.</p>
<p>Mas as negociações estão lentas e ainda há dúvidas sobre a viabilidade disso. Os agentes da OpenAI e da Anthropic ficaram secretamente fora de controle por meses antes que alguém percebesse.</p>
<p>De forma contraintuitiva, muitas empresas de IA parecem estar defendendo que os legisladores estabeleçam algum tipo de regra básica.</p>
<p>Em seu blog, o cientista-chefe da OpenAI afirmou que &#8220;a coordenação internacional sobre o desenvolvimento futuro da IA precisa se tornar uma prioridade máxima para os governos de todo o mundo&#8221;.</p>
<p>Outros líderes proeminentes da IA, como Demis Hassabis, do Google, também defenderam a criação de algum tipo de órgão internacional para supervisionar a forma como a IA está sendo desenvolvida.</p>
<p>Atualmente, as gigantes da tecnologia operam em grande parte segundo seus próprios termos, adotando o que chamam de &#8220;desacelerações voluntárias&#8221;, como fez a OpenAI após os recentes surtos.</p>
<p>A empresa afirma ter investido enormes quantias de dinheiro para fortalecer o alinhamento antes do lançamento de seu novo modelo. Sam Altman garantiu aos usuários que o novo modelo está mais alinhado com os valores humanos do que os anteriores.</p>
<p>Tanto a OpenAI quanto a Anthropic estão crescendo rapidamente e prestes a arrecadar somas exorbitantes de dinheiro no mercado de ações, criando inúmeros bilionários no processo.</p>
<p>Portanto, é improvável que nem eles nem seus concorrentes chineses no ramo de IA cheguem a um acordo por conta própria.</p>
<p>O sentimento predominante parece ser o de que essa onda tecnológica é imparável. (Fonte: BBC News)</p>
<p>O post <a href="https://blogdacondessa.com.br/blog/mundo/inteligencia-artificial-esta-cada-vez-mais-dificil-de-se-controlar-ate-quando-os-humanos-vao-se-manter-no-comando/">Inteligência artificial está cada vez mais difícil de se controlar. Até quando os humanos vão se manter no comando?</a> apareceu primeiro em <a href="https://blogdacondessa.com.br/blog">Blog da Condessa</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>&#8216;Ninguém está preparado para as consequências da inteligência artificial&#8217;, adverte cientista-chefe da OpenAI</title>
		<link>https://blogdacondessa.com.br/blog/mundo/ninguem-esta-preparado-para-as-consequencias-da-inteligencia-artificial-adverte-cientista-chefe-da-openai/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Blog da Condessa]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 08 Sep 2026 09:00:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blogdacondessa.com.br/blog/?p=14749</guid>

					<description><![CDATA[<p>O cientista-chefe da OpenAI, Jakub Pachocki, pediu &#8220;extrema cautela&#8221; em relação ao progresso desenfreado da inteligência artificial e alertou que pode ser necessário aumentar as intervenções para garantir que &#8220;os seres humanos permaneçam no controle do futuro&#8221;. &#8220;Receio que ninguém esteja preparado para as consequências de um aumento rápido e contínuo da inteligência das máquinas&#8221;, escreveu ele [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://blogdacondessa.com.br/blog/mundo/ninguem-esta-preparado-para-as-consequencias-da-inteligencia-artificial-adverte-cientista-chefe-da-openai/">&#8216;Ninguém está preparado para as consequências da inteligência artificial&#8217;, adverte cientista-chefe da OpenAI</a> apareceu primeiro em <a href="https://blogdacondessa.com.br/blog">Blog da Condessa</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O cientista-chefe da OpenAI, Jakub Pachocki, pediu &#8220;extrema cautela&#8221; em relação ao progresso desenfreado da <a href="https://www.bbc.com/portuguese/topics/c6vzyv5dd9nt">inteligência artificial</a> e alertou que pode ser necessário aumentar as intervenções para garantir que &#8220;os seres humanos permaneçam no controle do futuro&#8221;.</p>
<p>&#8220;Receio que ninguém esteja preparado para as consequências de um aumento rápido e contínuo da inteligência das máquinas&#8221;, escreveu ele em uma postagem intitulada <em>An Alien Mind</em> (&#8220;Uma mente alienígena&#8221;, em tradução livre), publicada <a href="https://openai.com/index/an-alien-mind/">no blog da empresa</a>.</p>
<p>A postagem surgiu poucos dias depois que o fabricante do <a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-64297796">ChatGPT</a> publicou seu último modelo, o GPT-6 Astra, considerado o produto mais poderoso da empresa até aqui.</p>
<p>A OpenAI e outras empresas de IA, como a <a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/c3r2rjl1rpgo">Anthropic</a>, relataram que seus agentes de IA já agiram de <a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/cvgw17k0n2go">forma autônoma</a>, realizando ciberataques reais contra outras empresas.</p>
<p>Em julho, a OpenAI divulgou um incidente &#8220;<a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/ce97nzg2z37o">sem precedentes</a>&#8220;, no qual seus agentes de IA (sistemas de IA que podem operar isoladamente, com base em instruções humanas) <a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/cx2lpjwnzx1o">hackearam a plataforma de tecnologia Hugging Face</a>.</p>
<p>Paralelamente, um relatório publicado em setembro afirmou que, meses atrás, agentes de IA da empresa também sequestraram um website alemão.</p>
<p>&#8220;Estamos enfrentando uma transição para um mundo com máquinas incrivelmente inteligentes e precisamos garantir que a transição funcione bem para a humanidade&#8221;, escreveu Pachocki na sua postagem.</p>
<p>Ele afirma que a OpenAI continuará a &#8220;construir sistemas defensivos&#8221; e buscar soluções técnicas para alinhamento, um termo usado para descrever formas de garantir que as ações e os objetivos da máquina coincidam com os limites de segurança e intenção humanas.</p>
<p>Pachocki destacou que uma das principais prioridades da empresa para o futuro seria construir um &#8220;pesquisador automático por IA&#8221; para acompanhar o progresso da inteligência artificial, garantindo, ao mesmo tempo, formas para que os pesquisadores humanos permaneçam sendo parte do processo.</p>
<p>&#8220;Em vez de melhores limites para a IA, regulamentações ou formas de garantir a segurança das pessoas, eles propõem o desenvolvimento de agentes de IA internos para pesquisar esses problemas&#8221;, afirma a professora Gina Neff, diretora do Centro Minderoo de Tecnologia e Democracia da Universidade de Cambridge, no Reino Unido.</p>
<p>Para ela, &#8220;essas respostas a preocupações cada vez maiores sobre os problemas causados pelos modelos da OpenAI para a cibersegurança, perda de empregos, erros e fraudes simplesmente não são suficientes&#8221;.</p>
<p>Nathan Calvin, consultor geral do grupo ativista Encode AI, concorda com Pachocki sobre os riscos existentes no desenvolvimento avançado de modelos de IA. Mas ele afirma que a OpenAI não está disposta a ser transparente.</p>
<p>Com isso, os alertas correm o risco de serem minimizados como &#8220;simples exageros por interesse próprio&#8221;.</p>
<p>&#8220;Se Jakub e outros da OpenAI querem que pessoas relevantes do setor de IA ajam em conjunto com eles para fazer com que tudo saia bem, uma das ações mais importantes que eles podem tomar é divulgar muito mais informações sobre as causas que os levaram a pedir cautela&#8221;, <a href="https://x.com/_NathanCalvin/status/2096790692068544865">escreveu ele no X</a>.</p>
<p><strong>Quais são os limites vigentes para a IA?</strong></p>
<p>As regulamentações globais enfrentam dificuldade para acompanhar a velocidade do desenvolvimento da inteligência artificial.</p>
<p>No dia 2 de agosto, entrou em vigor a Lei de IA da União Europeia. Ela exige que as gigantes da IA, como a OpenAI, comprovem que seus modelos mais poderosos não podem lançar ciberataques autônomos, nem <a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/cqx70w1q974o">fugir do controle humano</a>, para que sua venda na Europa seja permitida.</p>
<p>Mas, como a jurisdição da lei é restrita à Europa, ela não pode impedir que uma IA mal intencionada desenvolvida em outra parte do mundo ameace o continente.</p>
<p>Na sua postagem, Pachocki pede limites mínimos de segurança exigidos por lei ou internacionalmente, que possam ser implementados por uma &#8220;rede de auditores terceirizados&#8221; ou &#8220;agências governamentais&#8221;.</p>
<p>Todos os laboratórios precisariam respeitar estes limites, segundo eles, antes de serem autorizados a continuar desenvolvendo ou ampliando seus modelos avançados.</p>
<p>Ele destaca esperar que &#8220;reduções voluntárias da velocidade&#8221; (pausas no desenvolvimento da IA autoimpostas pelas próprias empresas) se tornem normais até que sejam estabelecidos limites comuns.</p>
<p>Em agosto, a OpenAI declarou ter reduzido o treinamento de alguns dos seus modelos mais avançados de IA para aumentar a segurança. (Fonte: BBC News)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O post <a href="https://blogdacondessa.com.br/blog/mundo/ninguem-esta-preparado-para-as-consequencias-da-inteligencia-artificial-adverte-cientista-chefe-da-openai/">&#8216;Ninguém está preparado para as consequências da inteligência artificial&#8217;, adverte cientista-chefe da OpenAI</a> apareceu primeiro em <a href="https://blogdacondessa.com.br/blog">Blog da Condessa</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>China quer reduzir dependência do agronegócio brasileiro: o plano que assusta o Brasil</title>
		<link>https://blogdacondessa.com.br/blog/mundo/china-quer-reduzir-dependencia-do-agronegocio-brasileiro-o-plano-que-assusta-o-brasil/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Blog da Condessa]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 Jul 2026 09:00:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blogdacondessa.com.br/blog/?p=14506</guid>

					<description><![CDATA[<p>Em pouco mais de duas décadas, a China passou de parceiro secundário a principal destino das exportações brasileiras, impulsionando uma sucessão de recordes de vendas do agronegócio nacional. Apenas em 2025, o Brasil faturou US$ 100 bilhões com o mercado chinês — mais do que com qualquer outro país do mundo. O ritmo segue forte em 2026. De janeiro a junho, [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://blogdacondessa.com.br/blog/mundo/china-quer-reduzir-dependencia-do-agronegocio-brasileiro-o-plano-que-assusta-o-brasil/">China quer reduzir dependência do agronegócio brasileiro: o plano que assusta o Brasil</a> apareceu primeiro em <a href="https://blogdacondessa.com.br/blog">Blog da Condessa</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Em pouco mais de duas décadas, a <a href="https://www.bbc.com/portuguese/topics/cdr56r2v966t">China</a> passou de parceiro secundário a principal destino das exportações brasileiras, impulsionando uma sucessão de recordes de vendas do <a href="https://www.bbc.com/portuguese/topics/c340q4k57g2t">agronegócio</a> nacional. Apenas em 2025, o <a href="https://www.bbc.com/portuguese/topics/cz74k717pw5t">Brasil</a> faturou US$ 100 bilhões com o mercado chinês — mais do que com qualquer outro país do mundo.</p>
<p>O ritmo segue forte em 2026. De janeiro a junho, as vendas brasileiras para o mercado chinês atingiram US$ 58,322 bilhões, um crescimento de 21,9% em comparação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados consolidados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).</p>
<p>No mesmo intervalo, as exportações para os Estados Unidos recuaram 13%, uma perda de US$ 2,6 bilhões, após o governo de Donald Trump impor tarifas de 50% sobre parte dos produtos brasileiros em 2025. Na quarta-feira (22/7), entrou em vigor uma nova tarifa adicional de 25%, ampliando a pressão para que o Brasil encontre outros destinos para os produtos afetados.</p>
<p>Mas as barreiras comerciais que vem sendo impostas por Trump também podem acelerar uma mudança mais ampla no comércio agrícola global.</p>
<p>Uma reportagem publicada na terça-feira (21/7) no britânico Financial Times, um dois principais jornais de finanças do mundo, afirma que os <a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/cwyj3g8695vo">EUA correm o risco de perder para o Brasil o posto de maior exportador</a> agrícola do mundo.</p>
<p>Segundo o Departamento de Agricultura americano e o Ministério da Agricultura brasileiro, os EUA exportaram US$ 171 bilhões em produtos agrícolas no ano passado, apenas US$ 2 bilhões a mais do que o Brasil. Em 2021, essa diferença foi de US$ 56 bilhões.</p>
<p>Analistas ouvidos pelo jornal apontam que um dos principais fatores por trás desse avanço foi a guerra comercial iniciada por Donald Trump, principalmente contra a China. Desde seu primeiro mandato, quando tarifas foram impostas ao país asiático em 2018, Pequim reduziu significativamente as compras de produtos agrícolas americanos e ampliou suas importações de países como o Brasil.</p>
<p>Esse cenário reforça, no curto prazo, a importância do mercado chinês para compensar perdas em outros parceiros comerciais. Mas, enquanto o Brasil se volta para a China como parte de sua estratégia de diversificação, Pequim trabalha para reduzir justamente a dependência externa que ajudou a transformar o país em uma potência agrícola.</p>
<p>&#8220;A China identificou que estar muito exposta a importações é um elemento de vulnerabilidade para um país com uma população tão grande e por isso está promovendo uma mudança estrutural&#8221;, afirma Larissa Wachholz, coordenadora do Programa Ásia e do Grupo de Análise da China do Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais) e ex-assessora especial do Ministério da Agricultura.</p>
<p>Essa mudança aparece de forma explícita no recém-lançado 15º Plano Quinquenal Nacional (2026-2030) da China. O documento elevou a segurança alimentar à condição de prioridade estratégica nacional e estabeleceu metas para ampliar a produção doméstica de grãos, aumentar a autossuficiência em sementes agrícolas, acelerar o uso de inteligência artificial no campo e desenvolver novas fontes de proteína.</p>
<p>&#8220;Obviamente, a China não vai renunciar às exportações brasileiras de soja num prazo visível, mas ela vai começar a depender num grau cada vez menor dessas importações, porque está investindo seriamente em tecnologias de substituição dessas proteínas vegetais por aminoácidos industriais e outras formas de produção de proteína para consumo animal&#8221;, afirma o professor sênior do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo Ricardo Abramovay.</p>
<p>O alerta encontra respaldo em projeções do relatório <em>China&#8217;s Food Future</em>, da consultoria Systemiq, segundo o qual as importações chinesas de soja podem cair cerca de 25% até 2030 — uma redução equivalente a aproximadamente 23,5 milhões de toneladas.</p>
<p>Entre os fatores apontados estão melhorias na alimentação animal, ganhos de produtividade e o avanço de proteínas produzidas por novos processos industriais. O estudo destaca tecnologias como fermentação de precisão, biomanufatura e carne cultivada em laboratório, métodos que podem reduzir a necessidade de soja destinada à produção convencional de proteína animal.</p>
<p>&#8220;Essa ideia de que a produção brasileira de soja é importantíssima para alimentar o mundo é uma ficção. Nós não alimentamos pessoas, nós alimentamos animais&#8221;, afirma Abramovay.</p>
<p><strong>Questão de segurança nacional</strong></p>
<p>A transformação da China em potência econômica foi acompanhada por uma mudança igualmente profunda na forma como sua população se alimenta. Desde o início das reformas econômicas lançadas por Deng Xiaoping no fim dos anos 1970, centenas de milhões de chineses deixaram a pobreza e ingressaram na classe média. Com mais renda disponível, a dieta do país passou por uma rápida diversificação: o consumo de carne, leite, ovos e alimentos processados cresceu de forma acelerada.</p>
<p>Essa mudança teve efeitos diretos sobre o comércio global de alimentos. Para produzir mais fontes de proteína, a China precisou ampliar fortemente a oferta de ração animal — que tem como um dos insumos principais a soja. Foi essa demanda crescente que ajudou a transformar o Brasil em um dos principais fornecedores agrícolas do país asiático.</p>
<p>Isso porque o território chinês enfrenta limitações estruturais para expandir sua produção agrícola: o país abriga cerca de um quinto da população mundial, mas dispõe de menos de 10% das terras agricultáveis do planeta e de cerca de 6% dos recursos hídricos globais.</p>
<p>Assim, durante décadas, a solução encontrada por Pequim foi combinar produção doméstica com importações crescentes de alimentos e insumos agrícolas. Esse modelo permitiu sustentar a expansão do consumo sem exigir que o país produzisse internamente tudo aquilo que sua população demandava.</p>
<p>Agora, porém, a mesma dependência externa que ajudou a impulsionar seu crescimento passou a ser vista internamente com apreensão, especialmente em um contexto marcado por guerras, disputas comerciais, sanções econômicas e interrupções nas cadeias globais de suprimento.</p>
<p>A preocupação não é teórica. Segundo o relatório China&#8217;s Food Future, da consultoria Systemiq, a China é hoje o maior importador de alimentos do mundo e acumula um déficit comercial agrícola de US$ 124,5 bilhões.</p>
<p>No caso da soja, cerca de 84% do consumo doméstico depende de importações. Mais da metade desse abastecimento vem do Brasil, que responde por cerca de 71% das compras chinesas do grão.</p>
<p>Na carne bovina, a dependência externa é menor, mas ainda relevante: aproximadamente 32% do consumo é importado, e o Brasil responde por 54% dessas compras.</p>
<p><strong>Modelo industrial</strong></p>
<p>O historiador econômico Adam Tooze, da Universidade Columbia, enxerga paralelos entre a atual estratégia de soberania alimentar chinesa e a política industrial que permitiu ao país assumir posições de liderança global em setores como energia solar, baterias e veículos elétricos.</p>
<p>Em artigo recente publicado no jornal britânico Financial Times, ele aponta o caminho percorrido por Pequim em ambos os casos: planejamento estatal, financiamento direcionado, coordenação entre universidades, empresas e centros de pesquisa e forte aposta em inovação tecnológica.</p>
<p>&#8220;Se o desacoplamento alimentar for perseguido com a mesma energia da política industrial da China, ele irá subverter a economia agrícola global do último quarto de século&#8221;, alerta Tooze.</p>
<p>O historiador argumenta que a dependência de importações ajudou a sustentar a rápida melhora do padrão de vida da população chinesa, mas também criou vulnerabilidades que passaram a preocupar a liderança do país.</p>
<p>&#8220;É para os atuais líderes de mercado que a formidável guinada da China em direção à segurança tecnoindustrial traz uma incerteza radical&#8221;, conclui.</p>
<p>Para Wachholz, a lógica por trás dessa transformação vai além da produção agrícola. Segundo ela, Pequim passou a tratar a segurança alimentar como uma questão estratégica porque precisa garantir o abastecimento de uma população cada vez mais urbana, rica e exigente.</p>
<p>&#8220;A China não depende de importações para assegurar o mínimo de calorias para a sua população. Ela depende delas para garantir uma alimentação mais diversa&#8221;, afirma.</p>
<p>Essa mudança ajuda a explicar por que o governo chinês tem direcionado investimentos para áreas como biotecnologia, agricultura de precisão e novas formas de produção de proteína. Ela também reflete transformações no comportamento do consumidor chinês, cada vez mais atento à relação entre alimentação, saúde e sustentabilidade.</p>
<p>&#8220;É muito comum usar o termo &#8216;verde&#8217; na China. E esse termo está associado não apenas a algo que seja benéfico para o meio ambiente, mas também para a saúde. Os chineses tendem a compreender esses dois conceitos de forma associada&#8221;, diz Wachholz.</p>
<p><strong>Sinal amarelo ligado</strong></p>
<p>A preocupação com os possíveis impactos dessas mudanças já chegou ao agronegócio brasileiro. Uma das principais lideranças políticas do setor no país, a senadora pelo Mato Grosso do Sul e ex-ministra da Agricultura (2019-2022) Tereza Cristina (PP) tem conversado com representantes do setor sobre o assunto.</p>
<p>&#8220;O Brasil tem que estar com o sinal amarelo ligado&#8221;, afirma. &#8220;Não vai acontecer da noite para o dia [a redução das importações], mas o Brasil tem que estar de olho e se preparar para novos mercados ou para a diminuição da área plantada de soja&#8221;, afirma.</p>
<p>Para ela, um dos pontos de atenção é a possível expansão do uso de sementes geneticamente modificadas pelos produtores chineses. Embora a China importe há décadas grandes volumes de soja transgênica produzida em países como Brasil e EUA, o cultivo doméstico dessas variedades avançou mais lentamente por razões regulatórias e políticas.</p>
<p>Nos últimos anos, porém, Pequim passou a flexibilizar gradualmente essas restrições e a investir pesadamente em melhoramento genético, biotecnologia e desenvolvimento de sementes próprias. O 15º Plano Quinquenal estabelece como meta elevar a autossuficiência em sementes consideradas estratégicas para 85%.</p>
<p>&#8220;A hora que eles passarem para os transgênicos e aumentarem essa produção própria para diminuir a dependência, o Brasil será o primeiro país impactado, já que nós somos os maiores exportadores de soja&#8221;, diz Tereza Cristina.</p>
<p>Na visão de Abramovay, há também um fator geopolítico em jogo: uma eventual acomodação das tensões comerciais entre Washington e Pequim poderia levar a China a ampliar compras de produtos agrícolas americanos como parte de acordos mais amplos entre as duas potências.</p>
<p>&#8220;É um horizonte que nem de longe pode ser tomado como seguro para o Brasil&#8221;, afirma.</p>
<p><strong>Resposta brasileira</strong></p>
<p>Para Tereza Cristina, o alerta não significa que o Brasil esteja condenado a perder espaço, mas que precisa começar a se adaptar a um cenário diferente daquele que predominou nas últimas duas décadas.</p>
<p>&#8220;O Brasil tem que pensar no que fazer estrategicamente, se terá que diminuir a produção de soja ou passar para outros produtos&#8221;, avalia. &#8220;Não existem outros países para onde a gente possa exportar esse volume que podemos vir a perder se a China diminuir a demanda&#8221;.</p>
<p>Segundo ela, a experiência recente mostra que metas anunciadas por Pequim costumam ser perseguidas de forma consistente:</p>
<p>&#8220;Quando a China fala, ela cumpre. Então isso é um alerta para a produção brasileira.&#8221;</p>
<p>A ex-ministra defende a agregação de valor à produção agrícola brasileira como alternativa para a potencial redução das importações da China.</p>
<p>&#8220;A soja não é só um produto, um grão. Ela tem muita tecnologia dentro&#8221;, afirma. &#8220;O Brasil hoje é o maior exportador de carne bovina e de frango do mundo. Isso é agregação de valor, é transformar soja e milho em proteína&#8221;.</p>
<p>Ela também vê oportunidades na transição energética:</p>
<p>&#8220;Se a gente investir em SAF, que é o combustível sustentável de aviação, e em combustíveis para navegação, podemos direcionar boa parte dessa produção para esses mercados, aí quem terá que ficar de olho aberto é a China&#8221;.</p>
<p>O presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), Laudemir Müller, acredita que a instabilidade internacional pode favorecer as exportações brasileiras para a China, mesmo diante da nova estratégia de Pequim:</p>
<p>&#8220;A gente vê um reposicionamento de todos os países, mas em um mundo mais instável, uma reação natural é olhar para quem realmente é um bom parceiro&#8221;, respondeu, ao ser questionado pela reportagem durante entrevista coletiva na sede da Apex, em Brasília, na sexta-feira (17/7). &#8220;Nesse mundo de instabilidade e de redução de dependência, o Brasil aparece com destaque como um país amigo e um fornecedor estável.&#8221;</p>
<p>Para Tereza Cristina, o governo deveria manter estruturas permanentes de inteligência estratégica para monitorar tendências globais e antecipar mudanças de mercado. Wachholz, que estabeleceu o &#8220;Programa China&#8221; na gestão da ministra, também vê falhas na resposta brasileira, mas direciona suas críticas principalmente ao setor privado.</p>
<p>&#8220;Ele deveria estar mais presente na China, fazendo mais ações de monitoramento e de acompanhamento e promoção dos nossos produtos&#8221;, afirma. &#8220;O governo brasileiro trabalha para abrir o mercado, mas mesmo depois de aberto, os fluxos de negócio demoram a acontecer. Não é como se o Estado brasileiro fosse o exportador&#8221;.</p>
<p>Apesar dos alertas, nenhum dos entrevistados prevê um colapso da relação comercial entre Brasil e China. O consenso é que Pequim continuará importando grandes volumes de alimentos brasileiros por muitos anos. O risco, segundo Wachholz, está em continuar tomando decisões de investimento de longo prazo como se a demanda chinesa fosse crescer indefinidamente.</p>
<p>Desde que a China se tornou o principal destino das exportações brasileiras, em 2009, a ascensão do país asiático ajudou a transformar o Brasil em uma potência agrícola.</p>
<p>Em um momento em que as tarifas dos Estados Unidos aumentam a importância da diversificação de mercados, o próximo desafio, afirmam os especialistas, será entender como responder a um parceiro que continua sendo o maior comprador do mundo, mas que investe cada vez mais para precisar comprar menos. (Fonte: BBC News Brasil)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O post <a href="https://blogdacondessa.com.br/blog/mundo/china-quer-reduzir-dependencia-do-agronegocio-brasileiro-o-plano-que-assusta-o-brasil/">China quer reduzir dependência do agronegócio brasileiro: o plano que assusta o Brasil</a> apareceu primeiro em <a href="https://blogdacondessa.com.br/blog">Blog da Condessa</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Por que mulheres vivem mais do que os homens?</title>
		<link>https://blogdacondessa.com.br/blog/mundo/por-que-mulheres-vivem-mais-do-que-os-homens/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Blog da Condessa]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Jun 2026 20:19:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blogdacondessa.com.br/blog/?p=14282</guid>

					<description><![CDATA[<p>Se você é uma mulher, provavelmente viverá mais do que os seus irmãos ou amigos homens, cerca de cinco anos a mais, considerando a média global. As razões exatas para essa maior longevidade feminina ainda não são totalmente conhecidas, mas os cientistas têm algumas hipóteses. E essas ideias podem até ajudar a entender por que, em algumas espécies, como certas [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://blogdacondessa.com.br/blog/mundo/por-que-mulheres-vivem-mais-do-que-os-homens/">Por que mulheres vivem mais do que os homens?</a> apareceu primeiro em <a href="https://blogdacondessa.com.br/blog">Blog da Condessa</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Se você é uma <a href="https://www.bbc.com/portuguese/topics/ckdxnd3yz8jt">mulher</a>, provavelmente viverá mais do que os seus irmãos ou amigos homens, cerca de cinco anos a mais, considerando a média global.</p>
<p>As razões exatas para essa maior <a href="https://www.bbc.com/portuguese/topics/cp0eq871vnxt">longevidade</a> feminina ainda não são totalmente conhecidas, mas os <a href="https://www.bbc.com/portuguese/topics/cr50y580rjxt">cientistas</a> têm algumas hipóteses.</p>
<p>E essas ideias podem até ajudar a entender por que, em algumas espécies, como certas aves, são os machos que levam vantagem na expectativa de vida.</p>
<p><strong>Morrer muito jovem</strong></p>
<p>&#8220;Em praticamente todos os países, as mulheres vivem mais do que os homens&#8221;, afirma a professora Sarah Harper, diretora do Instituto de Oxford para Envelhecimento da População, no Reino Unido.</p>
<p>Mas, segundo Harper, &#8220;essa diferença varia enormemente de país para país&#8221;.</p>
<p>Na Rússia, na Ucrânia e no Vietnã, por exemplo, as mulheres vivem cerca de dez anos ou mais do que os homens. Já em países como a Nigéria, a diferença é muito pequena, segundo dados do estudo <a href="https://ourworldindata.org/why-do-women-live-longer-than-men">Our World in Data</a>, feito por pesquisadores da Universidade de Oxford.</p>
<p>Os cientistas atribuem parte dessa variação a diferenças sociais e comportamentais.</p>
<p>Há evidências de que, na Rússia, &#8220;um fator realmente muito importante é basicamente o cigarro e o álcool&#8221;, hábitos mais comuns entre os homens no país, explica Harper.</p>
<p>Em todo o mundo, os homens também têm maior tendência a adotar outros comportamentos que reduzem a expectativa de vida.</p>
<p>&#8220;A alimentação deles costuma ser menos saudável&#8221;, afirma Harper, do Instituto de Oxford para Envelhecimento da População.</p>
<p>Ela acrescenta que os homens também tendem a procurar menos atendimento médico, embora &#8220;os homens casados tenham uma vantagem, porque normalmente a parceira os leva ao médico&#8221;.</p>
<p>Segundo Harper, do Instituto de Oxford para Envelhecimento da População, em muitas sociedades os homens também costumam exercer profissões mais perigosas, além de a masculinidade frequentemente estar associada a maior disposição ao risco.</p>
<p>&#8220;Os homens têm taxas muito mais altas de mortes em acidentes de trânsito, violência, homicídios e suicídios&#8221;, alerta.</p>
<p>Mas esse cenário está longe de ser imutável.</p>
<p>No Reino Unido, por exemplo, campanhas antitabagismo realizadas nas décadas de 1960 e 1970 ajudaram a reduzir as mortes prematuras entre homens.</p>
<p>&#8220;De repente, essa diferença caiu drasticamente&#8221;, afirma Harper.</p>
<p>Ainda assim, Harper acredita que a distância entre os homens e as mulheres jamais desaparecerá completamente apenas com mudanças de comportamento, porque &#8220;sempre existirá essa diferença biológica&#8221; entre os sexos.</p>
<p><strong>Estrogênio versus testosterona</strong></p>
<p>Uma dessas diferenças está nos hormônios.</p>
<p>&#8220;Os estrogênios exercem diversas funções de proteção nas mulheres&#8221;, afirma a professora Consuelo Borrás, fisiologista especializada em envelhecimento da Universidade de Valência, na Espanha.</p>
<p>Segundo Borrás, esses efeitos vão do controle do colesterol e da regulação do sistema imunológico à prevenção de infecções urinárias e à proteção da saúde óssea e cerebral.</p>
<p>Uma das razões para tantos benefícios é que o estrogênio atua como antioxidante, combatendo partículas nocivas chamadas radicais livres, que se acumulam nas células e contribuem para o envelhecimento.</p>
<p>&#8220;Muitos estudos mostram que a perda da proteção oferecida pelo estrogênio na menopausa afeta diversas funções do organismo&#8221;, explica Borrás.</p>
<p>&#8220;Por exemplo, a osteoporose está ligada ao processo de envelhecimento, claro, mas também à queda nos níveis de estrogênio.&#8221;</p>
<p>Quando a terapia de reposição hormonal é administrada às mulheres que precisam dela logo no início da menopausa, muitas dessas funções voltam a melhorar, afirma Borrás.</p>
<p>Por outro lado, o principal hormônio sexual dos homens é a testosterona, associada a comportamentos de maior risco. Borrás, da Universidade de Valência, suspeita que ela também possa ter efeitos prejudiciais no organismo, embora ainda não esteja claro de que forma isso acontece.</p>
<p>Um estudo <a href="https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0960982212007129">publicado em 2012</a> mostrou que eunucos da Coreia histórica, homens castrados que não produziam testosterona, viveram entre 14 e 19 anos mais do que outros homens não castrados da mesma época.</p>
<p>No entanto, os dados têm limitações e, por razões óbvias, não podem ser reproduzidos experimentalmente. Ainda assim, as evidências observadas em alguns animais também sugerem que machos castrados tendem a viver mais.</p>
<p>Os hormônios podem representar uma peça importante no quebra-cabeça da longevidade, mas estão longe de explicar tudo.</p>
<p>&#8220;Existem muitos fatores envolvidos, e conhecemos apenas alguns deles. Acho que se trata de um processo extremamente complexo&#8221;, afirma Borrás, da Universidade de Valência.</p>
<p><strong>Pistas da evolução</strong></p>
<p>Para tentar entender melhor essa diferença, alguns cientistas passaram a olhar além dos humanos.</p>
<p>Não somos a única espécie em que as fêmeas vivem mais. Isso também acontece com muitos mamíferos, como leões, ovelhas, orcas e camundongos.</p>
<p>Curiosamente, entre as aves ocorre o contrário: os machos costumam ter a maior expectativa de vida.</p>
<p>Uma das pistas pode estar nos diferentes cromossomos sexuais.</p>
<p>&#8220;Nos mamíferos, as fêmeas têm dois cromossomos X, enquanto os machos têm apenas um X e um Y&#8221;, explica Johanna Staerk, pesquisadora do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, na Alemanha.</p>
<p>Uma das teorias sugere que possuir dois cromossomos X dá às fêmeas uma vantagem de sobrevivência porque, &#8220;se houver uma mutação em uma das cópias, ainda existe outra capaz de compensar o problema&#8221;, afirma Staerk.</p>
<p>&#8220;Já nos machos, como existe apenas um cromossomo X, essas mutações podem ser mais prejudiciais.&#8221;</p>
<p>Nas aves, porém, são os machos que possuem duas cópias do mesmo cromossomo, chamado Z nesse grupo, enquanto as fêmeas têm um cromossomo Z e outro W.</p>
<p>&#8220;Isso pode ajudar a explicar por que, entre mamíferos, as fêmeas vivem mais, enquanto nas aves são os machos que vivem mais&#8221;, sugere Staerk.</p>
<p>Mas <a href="https://www.science.org/doi/10.1126/sciadv.ady8433">um estudo publicado</a> por ela em 2025 indica que a explicação pode ser mais complexa.</p>
<p>&#8220;Descobrimos que as espécies monogâmicas não apresentam diferenças tão marcantes entre machos e fêmeas&#8221;, afirma.</p>
<p>&#8220;Já espécies não monogâmicas, como gorilas e leões, nas quais os machos competem por várias fêmeas, mostram diferenças muito maiores.&#8221;</p>
<p>Ela suspeita que, nesses casos, os machos tenham evoluído priorizando características que exigem grande gasto de energia, como corpos maiores ou galhadas grandes para atrair parceiras, em detrimento da longevidade.</p>
<p>Mas com as fêmeas a evolução pode ter seguido outro caminho.</p>
<p>Uma das hipóteses é que, em espécies nas quais as fêmeas cuidam dos filhotes, &#8220;especialmente em espécies de vida longa, como humanos e grandes primatas, é vantajoso que a mãe viva mais para conseguir criar os descendentes até a fase adulta&#8221;, afirma Staerk.</p>
<p><strong>Mais tempo e mais limitações</strong></p>
<p>Mas nem tudo são vantagens para as mulheres.</p>
<p>Embora vivam mais do que os homens, <a href="https://www.thelancet.com/journals/lanpub/article/PIIS2468-2667(24)00053-7/fulltext">pesquisas</a> indicam que elas também convivem por mais tempo com doenças não fatais ao longo da vida, como dores lombares, depressão e dores de cabeça.</p>
<p>&#8220;As mulheres tendem a ter respostas imunológicas mais fortes, mas isso também pode levar a doenças inflamatórias&#8221;, explica Harper, do Instituto de Oxford para Envelhecimento da População.</p>
<p>&#8220;Além disso, temos sistemas muscular e esquelético um pouco menos resistentes.&#8221;</p>
<p>&#8220;A biologia dos homens os torna mais vulneráveis à morte, enquanto a biologia das mulheres as torna mais vulneráveis a incapacidades&#8221;, conclui Harper.</p>
<p>Os três especialistas, no entanto, fazem questão de ressaltar que a biologia não determina completamente o destino das pessoas.</p>
<p>&#8220;As diferenças biológicas são profundamente influenciadas pelo ambiente e pelo comportamento&#8221;, afirma Borrás, da Universidade de Valência.</p>
<p>Segundo Borrás, homens e mulheres deveriam prestar atenção a fatores como alimentação, atividade física, sono e níveis de estresse, não apenas &#8220;para viver mais, mas também para viver melhor&#8221;. (Fonte: BBC News)</p>
<p>O post <a href="https://blogdacondessa.com.br/blog/mundo/por-que-mulheres-vivem-mais-do-que-os-homens/">Por que mulheres vivem mais do que os homens?</a> apareceu primeiro em <a href="https://blogdacondessa.com.br/blog">Blog da Condessa</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Cosmeticorexia: como meninas estão ficando obcecadas por skincare</title>
		<link>https://blogdacondessa.com.br/blog/mundo/cosmeticorexia-como-meninas-estao-ficando-obcecadas-por-skincare/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Blog da Condessa]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 10 Jun 2026 09:00:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blogdacondessa.com.br/blog/?p=14275</guid>

					<description><![CDATA[<p>&#8220;Arrume-se comigo para ir à casa da minha melhor amiga&#8221;, diz Ellie-May, animada, para a câmera. A menina, na época com 10 anos, sorri enquanto explica sua rotina de cuidados com a pele, dividida em várias etapas, em um vídeo no TikTok. &#8220;Eu amo, amo, amo, amo, amo este tônico&#8221;, diz, enquanto espalha o líquido translúcido [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://blogdacondessa.com.br/blog/mundo/cosmeticorexia-como-meninas-estao-ficando-obcecadas-por-skincare/">Cosmeticorexia: como meninas estão ficando obcecadas por skincare</a> apareceu primeiro em <a href="https://blogdacondessa.com.br/blog">Blog da Condessa</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Arrume-se comigo para ir à casa da minha melhor amiga&#8221;, diz Ellie-May, animada, para a câmera.</p>
<p>A menina, na época com 10 anos, sorri enquanto explica sua <a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/c3g5r08v45lo">rotina de cuidados com a pele</a>, dividida em várias etapas, em um vídeo no TikTok.</p>
<p>&#8220;Eu amo, amo, amo, amo, amo este tônico&#8221;, diz, enquanto espalha o líquido translúcido pelo rosto. Em seguida, ela aplica um sérum feito para deixar a pele mais iluminada. &#8220;Meu Deus, está tão radiante&#8221;, comemora.</p>
<p>Ela mistura na mão pequenas porções de um creme amarelo a um hidratante com cor.</p>
<p>Enquanto conversa, aplica cuidadosamente o corretivo embaixo dos olhos e acrescenta blush rosa e iluminador às bochechas. Depois, curva os cílios e aplica máscara e gloss labial.</p>
<p>Está pronta, diz a garota, logo depois de secar e alisar o cabelo.</p>
<p>Hoje, Ellie-May tem 13 anos. Usa <a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/c3v65d99r3do"><em>skincare</em></a> e faz propaganda desses produtos desde os 8 anos. O que começou como uma diversão durante os períodos de isolamento da pandemia se transformou na principal fonte de renda da família.</p>
<p>Eles têm contas em diversas redes sociais, Facebook, TikTok, YouTube e Snapchat. Só a conta da Ellie-May no TikTok tem mais de 330 mil seguidores.</p>
<p>A mãe, Sophie, que tem outros cinco filhos, conta que a família ganha mais de £50 mil (cerca de R$ 340 mil) por ano com publicações nas várias plataformas.</p>
<p>&#8220;Ser criadores de conteúdo transformou nossas vidas&#8221;, afirma Sophie, durante uma videochamada feita do lado de fora da casa da família, no sudeste da Inglaterra.</p>
<p>&#8220;Muitas outras crianças queriam saber qual era a rotina de cuidados com a pele da Ellie e, bem, isso simplesmente virou um sucesso.&#8221;</p>
<p>Digite &#8220;crianças e <em>skincare</em>&#8221; nos mecanismos de busca de diferentes redes sociais e não será difícil encontrar vídeos de centenas de outras meninas, algumas com apenas 3 ou 4 anos, empolgadas com produtos de cuidados com a pele e maquiagem.</p>
<p>Em muitos casos, elas gravam vídeos do tipo &#8220;arrume-se comigo&#8221; ou mostram a rotina de <em>skincare</em> &#8220;depois da escola&#8221;, enquanto falam sobre os planos para o dia e usam cosméticos.</p>
<p>A venda de <a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-61451971">produtos de cuidados com a pele</a> para meninas não é uma novidade. Mas, enquanto os esfoliantes e sabonetes faciais de décadas passadas prometiam uma pele sem espinhas, hoje as meninas usam uma variedade muito maior de produtos sofisticados — muitos deles com ingredientes antienvelhecimento — na esperança de conquistar uma pele perfeita.</p>
<p>Algumas meninas influenciadoras de skincare se descrevem como &#8220;embaixadoras de marcas&#8221; e exibem produtos de empresas como Bubble, Drunk Elephant e P. Louise. Há até kits de skincare inspirados na animação &#8220;<a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/c5yke9lqg1lo">Guerreiras do K-Pop</a>&#8220;, voltados para uma &#8220;rotina que aumenta o brilho&#8221; e prometem uma &#8220;pele com aparência luminosa&#8221;.</p>
<p>Embora existam produtos claramente direcionados a crianças, há também marcas populares entre o público jovem que dizem não querer ser associadas a essa fatia do mercado.</p>
<p>Uma fonte próxima à Drunk Elephant, por exemplo, afirma que a marca não é &#8220;voltada para jovens&#8221; e que tenta educar os consumidores sobre como usar os produtos de forma responsável.</p>
<p>Bubble e P. Louise não responderam aos pedidos de comentário.</p>
<p>Além de jovens influenciadoras como Ellie-May, há muitas outras meninas que já incorporaram rotinas de skincare com várias etapas ao dia a dia. Um levantamento da <em>Pai</em>, marca de produtos para a pele, feito com 1,5 mil crianças de 9 a 12 anos, sugere que quase metade delas usa vários produtos de skincare semanalmente. Entre essas crianças, metade afirma usar os produtos para corrigir o que enxerga como problemas na própria pele.</p>
<p>O setor se transformou em uma indústria multibilionária. O mercado cresce rapidamente e não dá sinais de desaceleração. Mas alguns especialistas, incluindo reguladores, pedem cautela.</p>
<p>&#8220;Mulheres na faixa dos 30 e 40 anos são alvo há muito tempo de empresas de <em>skincare</em>, que nos dizem que envelhecer é um problema e nos vendem uma solução&#8221;, afirma Brooke Erin Duffy, professora e pesquisadora de redes sociais da Universidade Cornell.</p>
<p>&#8220;Mas esta é uma mudança significativa. Agora, meninas estão sendo submetidas à mesma pressão.&#8221;</p>
<p>À medida que essa indústria continua a crescer, impulsionada por conteúdos publicados nas redes sociais, fica a pergunta: trata-se de uma diversão inofensiva ou meninas estão sendo condicionadas de forma duradoura a acreditar que há algo errado com a própria aparência? E o que isso revela sobre a forma como as meninas de hoje enxergam a si mesmas?</p>
<p><strong>Aparência em primeiro lugar</strong></p>
<p>Dermatologistas e acadêmicos criaram um novo termo: cosmeticorexia. Eles o definem como uma obsessão pouco saudável, desde cedo, por alcançar uma pele &#8220;perfeita&#8221;, levando ao uso compulsivo de produtos cosméticos.</p>
<p>O professor Giovanni Damiani, dermatologista italiano da Universidade de Milão, ficou tão preocupado com o que viu como uma compulsão entre alguns de seus pacientes mais jovens que decidiu investigar o que estava acontecendo.</p>
<p>Ele entrevistou 55 pacientes, com idades entre 8 e 14 anos. Segundo Damiani, aqueles que apresentavam sinais de cosmeticorexia eram obcecados pelo celular e passavam horas assistindo a vídeos de skincare nas redes sociais. Também usavam até 10 produtos por dia e não socializavam, nem mesmo com familiares, sem usar maquiagem.</p>
<p>A Autoridade Italiana da Concorrência (AGCM), acaba de abrir duas investigações contra a gigante de beleza LVMH, dona das marcas de cosméticos Sephora e Benefit. O órgão apura se as marcas deixaram de esclarecer que seus produtos não são destinados a crianças e adolescentes e se estão estimulando a compra por meio de &#8220;estratégias de marketing dissimuladas envolvendo jovens microinfluenciadores&#8221;.</p>
<p>Um porta-voz da LVMH afirma que a empresa está cooperando com as autoridades italianas e &#8220;reafirma&#8221; seu &#8220;rigoroso cumprimento das normas italianas aplicáveis&#8221;.</p>
<p>O porta-voz acrescentou que, &#8220;à medida que as conversas sobre consumidores mais jovens e skincare evoluem&#8221;, a empresa vem aprimorando continuamente &#8220;a qualidade da orientação oferecida por nossos consultores de beleza para apoiar e orientar melhor todos os consumidores&#8221;.</p>
<p>Segundo a LVMH, a empresa não tem produtos nem campanhas de marketing &#8220;voltados especificamente para jovens&#8221; e só trabalha com influenciadores maiores de 18 anos.</p>
<p>No Reino Unido, a Advertising Standards Authority, órgão que regula a publicidade no país, diz estar acompanhando de perto os desdobramentos na Itália. A entidade confirmou que avalia se há evidências de problemas semelhantes no Reino Unido, embora afirme que &#8220;não está tomando nenhuma medida regulatória formal neste momento&#8221;.</p>
<p>Esses produtos não são baratos. Um estudo analisou 100 vídeos no TikTok feitos por menores de 18 anos e concluiu que o custo médio das rotinas de skincare publicadas era de £125 (cerca de R$ 850). Dependendo da frequência de uso, os produtos podem precisar ser repostos a cada três ou quatro meses.</p>
<p>Limpar, tonificar, preparar a pele, hidratar, aplicar sérum, creme para os olhos, névoa facial — e repetir. Essa é a rotina de crianças, algumas ainda em idade de escola primária, em busca do visual coreano conhecido como &#8220;<em>glass skin</em>&#8220;, uma pele extremamente lisa e luminosa, com aparência quase translúcida.</p>
<p>&#8220;A ironia? Elas já têm isso. Quando você é pequena, sua pele está em perfeitas condições&#8221;, afirma a dermatologista Jean Ayer, consultora do NHS e médica em uma clínica privada em Stockport.</p>
<p>&#8220;A barreira da pele que impede a entrada de toxinas e mantém a umidade está maravilhosamente preservada… Isso é juventude, essa é a beleza da pele.&#8221;</p>
<p>Ayer, que atua há quase 20 anos, diz que mais crianças do que nunca estão usando cosméticos. As consultas variam muito: em uma ponta do espectro, há pais que perguntam qual é a melhor rotina de skincare para seus filhos pequenos; na outra, crianças de apenas 8 anos chegam ao consultório com reações graves aos produtos de beleza que estavam usando.</p>
<p>Segundo ela, os pais muitas vezes ficam horrorizados, mas não conseguem convencer os filhos a parar de usar tantos produtos diferentes.</p>
<p>&#8220;É bastante assustador&#8221;, diz Ayer. &#8220;Esses produtos foram criados para o mercado antienvelhecimento. Na melhor das hipóteses, elas não precisam deles. Na pior, contêm ingredientes prejudiciais, que podem danificar a pele delicada das crianças.&#8221;</p>
<p>Ela afirma estar vendo um aumento de pacientes mais jovens com acne e dermatite de contato, um tipo de eczema desencadeado pelo contato com determinada substância, por causa dos diversos ingredientes presentes nos produtos de skincare usados por crianças.</p>
<p>Muitos desses produtos contêm ingredientes ativos que podem ter efeito biológico nas células da pele e, portanto, alterar seu funcionamento. Um dos mais potentes é o retinol, que acelera a renovação celular da pele e pode ajudar a reduzir linhas finas e rugas. Em crianças, esse processo já acontece em ritmo acelerado, então o retinol não oferece benefício real e pode superestimular a pele.</p>
<p>Isso pode levar à chamada &#8220;queimadura por retinol&#8221;, quando a barreira protetora da pele é danificada. Crianças podem desenvolver ardência, erupções semelhantes a eczema ou sensibilidade prolongada.</p>
<p>Ayer alerta que há muitos outros ingredientes nesses produtos capazes de prejudicar a pele jovem. E, uma vez que a criança desenvolve uma alergia de contato, talvez nunca mais consiga usar um produto que contenha aquele ingrediente sem ter uma reação.</p>
<p>Ela diz que dermatologistas também vêm observando um aumento de jovens com alopecia frontal fibrosante, condição em que a linha frontal do cabelo começa a recuar. Segundo Ayer, há uma corrente pequena, mas crescente, de especialistas que sugere que isso pode estar relacionado ao aumento do uso de diversos cremes faciais em idades tão jovens.</p>
<p>A indústria de cosméticos do Reino Unido afirma reconhecer que são necessários orientação e apoio para garantir que crianças pequenas usem produtos adequados à idade.</p>
<p>A Cosmetics Toiletry and Perfumery Association<em> </em>(CTPA), que representa muitas empresas de <em>skincare</em>, lançou recentemente um guia para pais depois de realizar uma pesquisa na qual 40% dos entrevistados, quase mil pais, admitiram saber menos sobre <em>skincare</em> do que seus filhos.</p>
<p>A diretora-geral da CTPA, Emma Meredith, diz que a entidade não apoia o uso de produtos antienvelhecimento por jovens nem rotinas complexas e desnecessárias.</p>
<p>&#8220;Nosso objetivo é garantir que os produtos sejam usados de forma adequada para cada faixa etária, ajudando os jovens a entender como desenvolver hábitos saudáveis e apropriados de higiene da pele e apoiando os pais nessas conversas com seus filhos&#8221;, afirma.</p>
<p>Sophie, mãe de Ellie-May, diz que verifica os ingredientes dos produtos usados pela filha. Algumas pessoas a criticaram nas redes sociais por permitir que Ellie-May abrisse embalagens de cremes que contêm substâncias fortes, como retinol. Mas Sophie afirma saber que o ingrediente é prejudicial e que não vai &#8220;deixá-lo chegar nem perto&#8221; da pele da filha.</p>
<p>Ela também diz tomar cuidado para não revelar detalhes como a escola onde Ellie-May estuda ou o local onde vivem, além de acompanhar de perto as respostas enviadas às contas da família.</p>
<p>Ellie-May participa de lançamentos de grandes empresas de beleza, onde testa diferentes produtos e convive com outros criadores de conteúdo, o que, segundo ela, é divertido. Ela e Sophie estão se preparando para lançar a própria marca vegana de skincare, voltada para o público mais jovem.</p>
<p>Ellie-May parece, ao mesmo tempo, mais velha e mais nova do que seus 13 anos. Fala baixo, é reflexiva e articulada, e às vezes olha para a mãe antes de responder. Tem unhas longas e feitas e usa maquiagem, mas de aparência natural.</p>
<p>&#8220;Usar maquiagem hoje faz eu me sentir normal&#8221;, diz.</p>
<p><strong>Espelho enganoso</strong></p>
<p>Embora Sophie diga que o sucesso nas redes sociais tenha enriquecido a vida da família, alguns psicólogos temem que esses jovens tão conscientes da própria imagem, tão familiarizados com as redes e tão obcecados por beleza cresçam com uma visão distorcida de como deveriam parecer e de como deveriam ser.</p>
<p>Alberto Stefana é um psicólogo italiano que escreveu, com Damiani, um artigo sobre cosmeticorexia. Ele diz que as crianças estão &#8220;desenvolvendo sua identidade&#8221; e podem ter dificuldade para &#8220;aceitar sua verdadeira imagem&#8221; à medida que crescem.</p>
<p>&#8220;As crianças que ficam obcecadas por skincare tendem a ser movidas pelo que veem nas redes sociais&#8221;, afirma.</p>
<p>&#8220;Então a autoestima delas passa a se basear em quantas curtidas recebem ou no que as pessoas disseram nos comentários.&#8221;</p>
<p>Como a chamada cosmeticorexia é um fenômeno muito recente, é difícil saber se há possíveis impactos psicológicos de longo prazo. Mas Stefana diz que sua pesquisa mais recente indica pontos de contato com o transtorno dismórfico corporal, uma condição de saúde mental que causa vergonha e ansiedade persistentes e intensas em relação a defeitos percebidos no próprio corpo.</p>
<p>Mesmo agora, em idades tão jovens, ele alerta que já viu sinais de ansiedade e constrangimento em crianças de 7 e 8 anos que apresentam sintomas de cosmeticorexia.</p>
<p>Segundo Stefana, isso pode ser tão intenso que &#8220;elas não querem ir à escola porque sentem muita vergonha. E essa vergonha vem da comparação com outras pessoas nas redes sociais e da sensação de não serem bonitas o suficiente&#8221;.</p>
<p>Jessica Ringrose, professora de sociologia de gênero e educação na University College London, concorda.</p>
<p>&#8220;As crianças veem esse conteúdo e passam a achar que ele representa a &#8216;boa vida&#8217;, a forma ideal de existir&#8221;, diz.</p>
<p>&#8220;E, se não conseguem alcançar essa &#8216;aparência perfeita&#8217; ou essa &#8216;vida perfeita&#8217; que está sendo vendida a elas, passam a achar que estão fracassando de alguma forma.&#8221;</p>
<p>O TikTok afirma ter proteções especiais para resguardar adolescentes online e que não permite publicidade direcionada a menores de 18 anos. Afirma também oferecer apoio e informações a pais para ajudar a manter seus filhos seguros, além de ouvir regularmente adolescentes sobre como melhorar seus serviços por meio do conselho de jovens da plataforma.</p>
<p>A empresa diz ainda que jovens também usam o TikTok para se informar sobre saúde da pele, com orientações respaldadas por dermatologistas.</p>
<p>A Meta, dona do Instagram e do Facebook, entre outras plataformas, não respondeu a um pedido de comentário.</p>
<p>Ringrose e os outros especialistas ouvidos dizem que essa não é uma questão apenas das empresas de redes sociais. A responsabilidade também recai sobre as marcas de skincare que vendem os produtos e sobre os próprios pais.</p>
<p>Ringrose acrescenta: &#8220;Quando uma criança atua como embaixadora de uma marca e promove esse mundo para outras crianças, ela o legitima.&#8221;</p>
<p>Ao mesmo tempo, vivemos ao lado, e muitas vezes dentro, de um mundo digital em expansão. Isso não seria apenas uma complexidade a mais, embora inevitável, do crescimento? As crianças — e, neste caso, as meninas — não estariam apenas aprendendo a sobreviver, e talvez até prosperar, online?</p>
<p>Stefana discorda. Segundo ele, crianças e jovens estão gastando tempo e dinheiro demais em busca de uma aparência, uma estética, que só existe no mundo digital, não na realidade.</p>
<p>&#8220;Até a ideia do que é atraente e do que não é está sendo distorcida&#8221;, afirma.</p>
<p>&#8220;Os filtros e o uso de inteligência artificial em publicações nas redes sociais fazem com que algumas das imagens vistas pelas crianças nem sequer sejam reais. Elas estão aspirando a algo que nem existe.&#8221; (Fonte: BBC News)</p>
<p>O post <a href="https://blogdacondessa.com.br/blog/mundo/cosmeticorexia-como-meninas-estao-ficando-obcecadas-por-skincare/">Cosmeticorexia: como meninas estão ficando obcecadas por skincare</a> apareceu primeiro em <a href="https://blogdacondessa.com.br/blog">Blog da Condessa</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Dia das Mães: como surgiu a comemoração no Brasil e por que a data varia no mundo</title>
		<link>https://blogdacondessa.com.br/blog/mundo/dia-das-maes-como-surgiu-a-comemoracao-no-brasil-e-por-que-a-data-varia-no-mundo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Blog da Condessa]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 10 May 2026 09:00:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blogdacondessa.com.br/blog/?p=14089</guid>

					<description><![CDATA[<p>&#8220;O segundo domingo de maio é consagrado às mães, em comemoração aos sentimentos e virtudes que o amor materno concorre para despertar e desenvolver no coração humano, contribuindo para seu aperfeiçoamento no sentido da bondade e da solidariedade humana.&#8221; Assim declara o decreto de número 21.366, assinado pelo então presidente Getúlio Vargas (1882-1954) e publicado em 5 de [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://blogdacondessa.com.br/blog/mundo/dia-das-maes-como-surgiu-a-comemoracao-no-brasil-e-por-que-a-data-varia-no-mundo/">Dia das Mães: como surgiu a comemoração no Brasil e por que a data varia no mundo</a> apareceu primeiro em <a href="https://blogdacondessa.com.br/blog">Blog da Condessa</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;O segundo domingo de maio é consagrado às <a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/cd9gvgqn9vgo">mães</a>, em comemoração aos sentimentos e virtudes que o amor materno concorre para despertar e desenvolver no coração humano, contribuindo para seu aperfeiçoamento no sentido da bondade e da solidariedade humana.&#8221;</p>
<p>Assim declara o decreto de número 21.366, assinado pelo então presidente <a href="https://www.bbc.com/portuguese/brasil-46159747">Getúlio Vargas </a>(1882-1954) e publicado em 5 de maio de 1932.</p>
<p>O documento ainda tece três considerações para justificar a lei:</p>
<ul>
<li>&#8220;que vários dias do ano já foram oficialmente consagrados à lembrança e à comemoração de fatos e sentimentos profundamente gravados no coração humano&#8221;;</li>
<li>&#8220;que um dos sentimentos que mais distinguem e dignificam a espécie humana é o de ternura, respeito e veneração, que evoca o amor materno&#8221;; e</li>
<li>&#8220;que o Estado não pode ignorar as legítimas imposições da consciência coletiva, e, embora não intervindo na sua expressão, e do seu dever reconhecê-las e prestar o seu apoio moral a toda obra que tenha por fim cultuar e cultivar os sentimentos que lhes imprimem, força afetiva de cultura e de aperfeiçoamento humano&#8221;.</li>
</ul>
<p>O modelo da efeméride brasileira foi copiado dos <a href="https://www.bbc.com/portuguese/topics/cdr56r2r88wt">Estados Unidos</a>, conforme apontam pesquisadores.</p>
<p>&#8220;Apesar de já existirem manifestações inclusive na Grécia Antiga e em outros países, o Dia das Mães como é visto hoje foi uma criação americana, do fim do século 19&#8221;, afirma o psicólogo social Sérgio Silva Dantas, professor de marketing da Universidade Presbiteriana Mackenzie.</p>
<p>Se a data foi oficializada no Brasil em 1932, sua consolidação veio mesmo na época do regime militar de 1964 a 1985.</p>
<p>&#8220;Copiava-se tudo dos Estados Unidos e houve, durante a ditadura, uma valorização enorme da família e das mães, em particular&#8221;, diz a historiadora Mary Del Priore, autora de História das Mulheres no Brasil.</p>
<p>&#8220;A maternidade bem vivida, a mulher dedicada aos filhos era um perfil exaltado em concurso, valorizado e que ganhava capas de revista&#8221;, lembra.</p>
<p>A norte-americana Anna Maria Jarvis (1864-1948) é considerada a idealizadora do modelo contemporâneo do Dia das Mães. Em 1905, ela perdeu a mãe e, profundamente deprimida, resolveu militar por uma data que homenageasse o sentimento materno.</p>
<p>Conforme conta o professor Dantas, a tal mãe, que também se chamava Anna, era reconhecida como uma &#8220;grande mãezona&#8221; na comunidade onde vivia, no Estado americano da Virgínia Ocidental.</p>
<p>&#8220;Participante da Igreja Metodista, ela desenvolvia uma série de trabalhos sociais&#8221;, conta o pesquisador. Assim, sua morte gerou comoção.</p>
<p>A celebração criada pela filha — uma mulher solteira e sem filhos — foi ganhando grandes proporções.</p>
<p>&#8220;Ganhou repercussão muito grande, mesmo em tempos em que não havia redes sociais. Viralizou. Tanto que o presidente da época resolveu oficializar o segundo domingo de maio como o Dia das Mães em todo o país&#8221;, relata o professor. Na época, o presidente americano era Woodrow Wilson (1856-1924).</p>
<p><strong>No Brasil</strong></p>
<p>Mas se a data foi oficializada apenas em 1932 no Brasil e ganhou forte apelo comercial décadas mais tarde, Dantas conta que já havia comemorações anteriores no país.</p>
<p>&#8220;Segundo minhas pesquisas, havia homenagens principalmente ligadas a igrejas, em boa parte das igrejas cristãs&#8221;, diz ele.</p>
<p>&#8220;Em maio se comemora o mês de Maria, a mãe de Jesus, então já se faziam associações ao papel da mãe.&#8221;</p>
<p>Há registros de que em 12 de maio de 1918 ocorreu uma celebração dedicada ao Dia das Mães no Rio Grande do Sul, por iniciativa da Associação Cristã de Moços.</p>
<p>Já a Igreja Católica, no Brasil, acabou incorporando a tradição em 1947, por iniciativa do então cardeal-arcebispo do Rio de Janeiro, D. Jaime de Barros Câmara (1894-1971).</p>
<p>Segundo o professor do Mackenzie, a oficialização feita por Getúlio Vargas em 1932 atendeu a apelos da população. Era um momento de valorização da mulher como cidadã e, na ótica da época, seu papel materno precisava ser ressaltado também.</p>
<p>&#8220;Foi mais ou menos nesse período que as mulheres começaram a ter direito a voto&#8221;, exemplifica o professor. &#8220;Vargas queria fazer uma ação junto ao público feminino.&#8221;</p>
<p>Da celebração para o cunho comercial, o salto foi natural.</p>
<p>&#8220;Não demorou muito para a data ser associada à questão comercial, uma vez que na cultura ocidental tudo o que é comemoração está muito ligada ao consumo e, de alguma forma, trocamos presentes&#8221;, contextualiza.</p>
<p>&#8220;Não há grandes registros históricos sobre como isso foi se desenvolvendo, mas o que se sabe é que o comércio começou a visualizar no Dia das Mães uma grande oportunidade.&#8221;</p>
<p>O Dia das Mães é a segunda data mais importante do comércio brasileiro, perdendo apenas para o Natal.</p>
<p>&#8220;Supera o Dia dos Namorados, dos Pais e das Crianças, até pelo apelo emocional e sentimental que as mães representam&#8221;, afirma Dantas.</p>
<p>Mas o reinado está um pouco ameaçado nos últimos anos por uma data bem menos afetiva.</p>
<p>&#8220;Hoje há uma certa concorrência da &#8216;Black Friday&#8217; na disputa do segundo lugar. Para alguns produtos, a &#8216;Black Friday&#8217; já é mais importante&#8221;, analisa Marcel Solimeo, superintendente institucional da Associação Comercial de São Paulo.</p>
<p>&#8220;Mas consideramos que a &#8216;Black Friday&#8217; é uma antecipação das compras de Natal, ou seja, os consumidores aproveitam as promoções de novembro para comprar os presentes de fim de ano&#8221;, complementa ele.</p>
<p>&#8220;Já o Dia das Mães é uma data que representa um adicional significativo no primeiro semestre, sendo sem dúvida alguma a data comercial mais importante da primeira metade do ano. Para alguns segmentos, em especial os artigos de uso pessoal, o Dia das Mães é mais importante do que a &#8216;Black Friday&#8217;.&#8221;</p>
<p>Solimeo diz que a data foi ganhando espaço no calendário comercial brasileiro &#8220;porque apoia-se muito no apelo emocional, na importância que a figura materna tem em nossa cultura&#8221;.</p>
<p>&#8220;Por isso acabou ganhando grande importância para o varejo. E os lojistas sempre usaram o Dia das Mães para — além de vender vestuário e artigos de uso pessoal (como perfumes, joias, maquiagem, bolsa) — comercializar eletrodomésticos&#8221;, exemplifica.</p>
<p>&#8220;Sempre se vendeu a ideia de que o presente para a mãe é um presente para o lar. Assim, o segmento de móveis e eletrodomésticos historicamente tem um desempenho muito bom no Dia das Mães&#8221;, analisa o superintendente.</p>
<p>&#8220;Hoje a narrativa é um pouco diferente, mas ainda assim as lojas continuam a usar a data para vender móveis e eletrodomésticos, até porque, se não for no Dia das Mães, só no final do ano haveria uma boa oportunidade para comercializar esses produtos de maior valor.&#8221;</p>
<p><strong>Pelo mundo</strong></p>
<p>Na antiguidade, a valorização da maternidade era concomitante ao início da primavera. Há registros de que, na Grécia Antiga a entrada da estação era festejada em honra a Reia, a mãe dos deuses.</p>
<p>Mas a data celebrada no Brasil e nos Estados Unidos — o segundo domingo de maio — não é unanimidade em todo o mundo contemporâneo.</p>
<p>Comemoram nesta data também países como África do sul, Chile, China, Dinamarca, Austrália, Itália, Japão, Cuba, Venezuela, Finlândia, Bélgica e outros. Em Portugal, por outro lado, a celebração ocorre no primeiro domingo de maio — assim como em Angola, Moçambique, Espanha, Cabo Verde, Hungria e Lituânia.</p>
<p>Noruegueses dedicam às mães o segundo domingo de fevereiro. Franceses e suecos, o último domingo de maio. Na Argentina e na Bielorrússia, o que vale é o terceiro domingo de outubro.</p>
<p>Tanto na Palestina como no Líbano, preserva-se o costume ancestral: Dia das Mães coincide com o primeiro dia da primavera.</p>
<p>Alguns países têm datas fixas para o Dia das Mães, independentemente do dia da semana. Na Bolívia, por exemplo, é o dia 27 de maio. Rússia, Sérvia, Montenegro, Romênia e Bulgária preferem o 8 de março.</p>
<p>Na Eslovênia, é dia 25 de março. Egito, Síria e alguns países árabes homenageiam as mães em 21 de março. Bélgica e Costa Rica usam o 15 de agosto, mesmo dia em que católicos celebram a Assunção de Nossa Senhora. Na antiga Iugoslávia, a comemoração era feita sempre duas semanas antes do Natal. (Fonte: BBC News)</p>
<p><em>*Esta reportagem foi publicada originalmente em 10 de maio de 2019.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O post <a href="https://blogdacondessa.com.br/blog/mundo/dia-das-maes-como-surgiu-a-comemoracao-no-brasil-e-por-que-a-data-varia-no-mundo/">Dia das Mães: como surgiu a comemoração no Brasil e por que a data varia no mundo</a> apareceu primeiro em <a href="https://blogdacondessa.com.br/blog">Blog da Condessa</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Estamos perto de entender o que os animais querem dizer para nós?</title>
		<link>https://blogdacondessa.com.br/blog/mundo/estamos-perto-de-entender-o-que-os-animais-querem-dizer-para-nos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Blog da Condessa]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 Apr 2026 09:00:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blogdacondessa.com.br/blog/?p=13978</guid>

					<description><![CDATA[<p>Em 2025, ocorreu o primeiro Desafio Coller Dolittle, oferecendo recompensas para pesquisas científicas sobre como se comunicar com os animais. Uma equipe americana ganhou o prêmio, ao descobrir que certos assobios emitidos pelos golfinhos podem ter função similar às palavras humanas. Conversar com os animais costumava ser tema de livros e filmes. Mas será que ainda é apenas [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://blogdacondessa.com.br/blog/mundo/estamos-perto-de-entender-o-que-os-animais-querem-dizer-para-nos/">Estamos perto de entender o que os animais querem dizer para nós?</a> apareceu primeiro em <a href="https://blogdacondessa.com.br/blog">Blog da Condessa</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Em 2025, ocorreu o primeiro Desafio Coller Dolittle, oferecendo recompensas para pesquisas científicas sobre como se <a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/ckrddp57r77o">comunicar com os animais</a>.</p>
<p>Uma equipe americana ganhou o prêmio, ao descobrir que certos assobios emitidos pelos <a href="https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2013/08/130807_golfinhos_memoria_social_gm">golfinhos</a> podem ter função similar às palavras humanas.</p>
<p>Conversar com os animais costumava ser tema de livros e filmes. Mas será que ainda é apenas um sonho ou pode se tornar realidade em breve? E como a <a href="https://www.bbc.com/portuguese/topics/c6vzyv5dd9nt">inteligência artificial</a> (IA) pode nos ajudar?</p>
<p><strong>Novos sons</strong></p>
<p>A tecnologia já ampliou nossa compreensão da comunicação animal.</p>
<p>Microfones especiais podem nos ajudar a detectar ruídos inaudíveis para o ouvido humano, como os <a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-44690883">sons ultrassônicos emitidos pelos morcegos</a>.</p>
<p>O ouvido humano pode escutar até cerca de 20 kHz, mas alguns morcegos podem fazer sons &#8220;de até 212 kHz&#8221;, afirma a professora de Ecologia e Biodiversidade Kate Jones, do University College de Londres.</p>
<p>&#8220;Eles usam o som como qualquer mamífero faria, para dizer aos demais que estão preocupados ou assustados, ou como chamado de acasalamento&#8221;, explicou ela ao programa de rádio <a href="https://www.bbc.com/audio/play/p0m3nlz0"><em>The Documentary</em></a>, do Serviço Mundial da BBC.</p>
<p>Como seres humanos, estamos acostumados a permanecer na bolha que os nossos sentidos podem perceber. Mas a nova tecnologia pode expandir este entendimento.</p>
<p>&#8220;Ela muda a forma de pensar na natureza e na percepção, pois sei que há muito mais além disso&#8221;, afirma Jones.</p>
<p>A tecnologia também detecta sons muito baixos para a audição humana, com os <a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/c977v73p8zzo">emitidos por elefantes</a>.</p>
<p>Em meados dos anos 1980, a bióloga Katy Payne visitou um zoológico em Portland, nos Estados Unidos, e presenciou uma sensação estranha quando estava perto dos elefantes.</p>
<p>&#8220;Observei todo tipo maravilhoso de comportamento social e, aos poucos, percebi que também estava sentindo algo um tanto estranho, algo pulsante no ar&#8221;, contou ela à BBC em 2013.</p>
<p>Utilizando equipamento de gravação, ela percebeu que os elefantes produziam ruídos na faixa do infrassom. A descoberta foi revolucionária para a compreensão da comunicação entre os elefantes.</p>
<p>Payne foi uma das fundadoras do Projeto Ouvindo os Elefantes, que documenta a vida de elefantes selvagens na África por meio dos seus sons.</p>
<p>Os cientistas continuam até hoje a usar seu banco de dados, preservado na Universidade Cornell, nos Estados Unidos. Agora, eles combinam as informações com o poder da IA.</p>
<p><strong>Processamento em tempo real</strong></p>
<p>O pesquisador Alastair Pickering trabalha com o University College de Londres. Ele usa o banco de dados de sons de elefantes catalogados por idade, sexo, comportamento e até estado emocional para treinar um algoritmo de IA.</p>
<p>&#8220;Nós executamos o áudio e dizemos: &#8216;Nesta parte da imagem, existe um elefante macho com problemas'&#8221;, explica ele. &#8220;E a IA aprende a associar os padrões das imagens àquelas marcas específicas.&#8221;</p>
<p>Um aparelho de gravação tradicional pode ficar no campo por meses até que o áudio seja processado. Mas a IA permite o desenvolvimento de ferramentas para analisar as vocalizações dos elefantes em tempo real, segundo Pickering.</p>
<p>Isso pode nos ajudar, por exemplo, a prever as incidências cada vez maiores de elefantes entrando em aldeias e cidades, destruindo plantações.</p>
<p>&#8220;Ela ainda não faz isso, mas [um dia] poderá identificar padrões vocais que sinalizam estresse ou grandes estímulos emocionais, que poderemos interpretar como precursores de uma invasão de elefantes&#8221;, sugere ele.</p>
<p>Mas as ferramentas de IA não são perfeitas e podem necessitar de colaboração humana para produzir dados precisos.</p>
<p>&#8220;Se você tiver instalado um desses aparelhos de gravação acústicos, ele irá gravar tudo — os tucanos ao fundo, as gotas de chuva&#8221;, explica Pickering.</p>
<p>A ferramenta pode não saber quais sons são importantes. Se o mesmo tucano vocalizar sempre, junto com os elefantes, ela poderá associar inadvertidamente o som do tucano ao som do elefante.</p>
<p>&#8220;Por isso, você precisa tentar ajudar a rede a chegar ao resultado certo&#8221;, ele conta.</p>
<p><strong>Tradutor de animais</strong></p>
<p>Além de tentar nos ajudar a entender e prever o comportamento dos elefantes, Jones afirma que a IA poderá ser utilizada para identificar espécies de morcegos a partir dos seus chamados.</p>
<p>&#8220;Você treina a máquina, a IA, a identificar a diferença&#8221;, explica ela.</p>
<p>&#8220;É como treinar [o software] Siri a reconhecer a sua voz. Assim treinamos esses algoritmos a reconhecer espécies de morcegos.&#8221;</p>
<p>A IA também está se mostrando promissora para <a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/c51ylqgg8lwo">decodificar baleias cachalotes</a>, que se comunicam com cliques.</p>
<p>David Gruber é professor de Biologia da Universidade da Cidade de Nova York, nos Estados Unidos. Ele também é fundador da Iniciativa de Tradução dos Cetáceos (Ceti, na sigla em inglês).</p>
<p>Observando os padrões e a estrutura dos cliques e empregando ferramentas de IA similares a software de tradução utilizado para linguagem humana, ele conseguiu prever, com algum sucesso, o próximo clique a ser feito pelas baleias cachalotes.</p>
<p>&#8220;Existem muitas novas tecnologias que estamos começando a usar&#8221;, explica ele.</p>
<p>&#8220;Acho que estamos em uma época realmente fascinante, aprendendo cada vez mais elementos do seu sistema de comunicação.&#8221;</p>
<p>Seu principal objetivo é construir um tradutor que possa decodificar qualquer sistema de comunicação.</p>
<p>&#8220;Haverá necessidade de novas ferramentas e novas formas de observar isso e eles poderão ser aplicados em todas as espécies e também se viermos a encontrar <a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/c2x3ne43z4jo">vida em outra galáxia</a>&#8220;, afirma Gruber.</p>
<p><strong>Aprender &#8216;golfinhês&#8217;</strong></p>
<p>Mas a possibilidade de que essas ferramentas venham a nos ajudar a estabelecer comunicação de duas vias com os animais já é outra questão.</p>
<p>Quando o assunto é o projeto Ceti, Gruber afirma que o objetivo não é falar com as cachalotes, mas sim ouvi-las.</p>
<p>&#8220;De certa forma, já estamos falando com as baleias com os sons dos nossos barcos&#8221;, segundo ele.</p>
<p>&#8220;Estamos <a href="https://www.bbc.com/portuguese/vert-fut-62346037">fazendo muito barulho</a>&#8230; nosso objetivo é traduzir as vozes delas, da forma mais anônima possível.&#8221;</p>
<p>O pesquisador de golfinhos Vincent Janik, da Universidade de St. Andrews, no Reino Unido, fez parte da equipe que venceu o primeiro Desafio Coller Dolittle. Ele alerta contra a tecnologia que promete comunicação com os animais.</p>
<p>Ele nos desafia a pensar no que diríamos aos animais se pudéssemos realmente falar com eles.</p>
<p>&#8220;Você quer perguntar qual é a cor favorita deles?&#8221;, questiona ele. &#8220;Você verá que irá chegar com muita rapidez a esta questão sobre o que se passa na mente deles e como eles representam seu ambiente.&#8221;</p>
<p>Ele destaca que não devemos pensar em aprender &#8220;golfinhês&#8221; da mesma forma que tentamos aprender um idioma estrangeiro.</p>
<p>&#8220;Os animais não têm a nossa composição sensorial, não têm a nossa biologia. Por isso, qualquer tipo de comunicação que eles tiverem será diferente.&#8221; (Fonte: BBC News)</p>
<p>O post <a href="https://blogdacondessa.com.br/blog/mundo/estamos-perto-de-entender-o-que-os-animais-querem-dizer-para-nos/">Estamos perto de entender o que os animais querem dizer para nós?</a> apareceu primeiro em <a href="https://blogdacondessa.com.br/blog">Blog da Condessa</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O &#8216;estranho&#8217; sistema planetário que desafia o conhecimento sobre como os planetas se formam</title>
		<link>https://blogdacondessa.com.br/blog/mundo/o-estranho-sistema-planetario-que-desafia-o-conhecimento-sobre-como-os-planetas-se-formam/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Blog da Condessa]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 16 Feb 2026 13:54:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blogdacondessa.com.br/blog/?p=13590</guid>

					<description><![CDATA[<p>Como os planetas se formam é uma das questões mais fundamentais sobre o nosso Universo. Os cientistas têm uma teoria que se alinha com o que vemos em nosso Sistema Solar, bem como em outros lugares do cosmos. Mas agora um sistema planetário distante parece contradizê-la, de acordo com um artigo publicado na revista Science. A [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://blogdacondessa.com.br/blog/mundo/o-estranho-sistema-planetario-que-desafia-o-conhecimento-sobre-como-os-planetas-se-formam/">O &#8216;estranho&#8217; sistema planetário que desafia o conhecimento sobre como os planetas se formam</a> apareceu primeiro em <a href="https://blogdacondessa.com.br/blog">Blog da Condessa</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Como os planetas se formam é uma das questões mais fundamentais sobre o nosso Universo. Os cientistas têm uma teoria que se alinha com o que vemos em nosso <a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/cn0p3xlp2p9o">Sistema Solar</a>, bem como em outros lugares do cosmos.</p>
<p>Mas agora um sistema planetário distante parece contradizê-la, de acordo com um artigo publicado na revista Science. A teoria diz que os planetas se originam de discos de gás e poeira que circundam estrelas jovens.</p>
<p>&#8220;O que acreditamos que acontece é que os planetas crescem acumulando essa poeira&#8221;, disse Thomas Wilson, professor assistente de astronomia na Universidade de Warwick, no Reino Unido, e principal nome por trás do novo estudo.</p>
<p>&#8220;Eles começam a se juntar para formar pequenos grãos, que então colidem uns com os outros para formar corpos maiores chamados planetesimais e, eventualmente, esses corpos colidem para formar planetas.&#8221;</p>
<p>Isso resulta na natureza rochosa de planetas como a <a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/cxwpl918eyzo">Terra</a>, bem como nos núcleos de gigantes gasosos como <a href="https://www.bbc.com/portuguese/brasil-52610711">Júpiter</a>.</p>
<p>Mas condições como temperatura e disponibilidade de certos materiais variam dependendo da distância da estrela, o que determina a composição externa do planeta.</p>
<p>&#8220;Nas regiões externas, onde é muito mais frio, além do que é chamado de linha de gelo, gases e gelos podem aparecer porque é frio o suficiente para que eles existam&#8221;, disse Wilson.</p>
<p>Aqui, atmosferas densas podem se acumular e formar planetas gasosos, sem serem varridas pela radiação da estrela, de acordo com a Agência Espacial Europeia. Gigantes gasosos, como Júpiter, tendem a se formar nessas áreas.</p>
<p>Mais perto da estrela, no entanto, é mais quente e há mais poeira em comparação com o gás, resultando na formação de planetas rochosos como <a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/cvgr5778gg6o">Mercúrio</a>, <a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/c1w5d3z4x3do">Vênus</a>, Terra e <a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/c3vzp5zp2nxo">Marte</a> em nosso Sistema Solar.</p>
<p>É essa variação nas condições, juntamente com a suposição de que todos os planetas em um sistema se formam aproximadamente ao mesmo tempo, que significa que devemos esperar ver uma certa ordem de planetas orbitando estrelas: planetas rochosos mais próximos da estrela e planetas gasosos mais distantes.</p>
<p>Mas o sistema planetário descrito no novo estudo parece contradizer isso.</p>
<p><strong>Um pedido incomum</strong></p>
<p>LHS 1903 é uma pequena estrela anã vermelha do tipo M, localizada a cerca de 117 anos-luz do Sistema Solar. Ela é mais fria e menos brilhante que o Sol e é orbitada por quatro planetas.</p>
<p>No novo estudo, Wilson, com uma equipe internacional que abrange quase todos os continentes, analisou mais de perto o sistema estelar e descobriu que os três planetas mais internos seguiam o padrão esperado: o mais próximo da estrela é rochoso e os dois seguintes são gasosos.</p>
<p>Mas, usando observações do satélite Cheops, da Agência Espacial Europeia, eles descobriram que o quarto planeta era rochoso, apesar de ser o mais distante da estrela hospedeira.</p>
<p>&#8220;Esperávamos que fosse gasoso&#8230; por que é rochoso? Essa era a grande questão&#8221;, disse o professor.</p>
<p>Ele disse que a equipe vinha explorando possíveis explicações para a ordem dos planetas.</p>
<p>Entre as ideias consideradas, estava a de que a radiação da estrela poderia ter empurrado o gás para longe, ou que o planeta mais externo teria sido atingido por um objeto que dissipou sua atmosfera.</p>
<p>Mas a estrela não poderia ter empurrado o gás para longe do quarto planeta sem também fazer o mesmo com o segundo e o terceiro, e a modelagem sugeriu que qualquer impacto grande o suficiente para dissipar a atmosfera do planeta também o teria destruído.</p>
<p><strong>Formação planetária de dentro para fora</strong></p>
<p>Depois de descartar essas teorias, os cientistas consideraram se a composição &#8220;estranha&#8221; seria resultado da formação dos planetas um após o outro, em vez de simultaneamente.</p>
<p>&#8220;Se você forma esse planeta externo no que chamamos de ambiente esgotado ou reduzido, onde há menos recursos disponíveis, você pode facilmente produzir as propriedades desse planeta&#8221;, disse Wilson.</p>
<p>Ele sugeriu que o sistema estelar pode já ter ficado sem gás quando o planeta externo se formou. &#8220;E assim, a conclusão a que chegamos é que pode haver esse mecanismo de formação de dentro para fora, no qual você forma primeiro o planeta mais próximo da estrela hospedeira, depois o próximo planeta, e assim por diante, até chegar ao planeta mais externo.&#8221;</p>
<p>A ideia de que os planetas se formam sequencialmente do mais próximo da estrela para o mais distante, com recursos cada vez mais escassos, é chamada de Formação Planetária de Dentro para Fora e foi proposta como uma teoria há mais de 10 anos.</p>
<p>Mas a ESA afirma que esta é a evidência mais convincente já encontrada de que isso realmente acontece.</p>
<p><strong>&#8216;Todos os formatos e tamanhos&#8217;</strong></p>
<p>Wilson diz acreditar que talvez precisemos reavaliar a suposição de que todos os planetas de um sistema começam a crescer mais ou menos ao mesmo tempo, especialmente se esse for um padrão que observamos em outras partes do cosmos.</p>
<p>Essa revisão poderia ter impactos indiretos na compreensão do próprio Sistema Solar também. &#8220;Mercúrio se formou primeiro, depois Vênus, depois a Terra e Marte? Isso levanta questões sobre a cronologia do nosso próprio Sistema Solar.&#8221;</p>
<p>Ele também disse que isso destaca que não devemos presumir que tudo o que acontece em nosso próprio Sistema Solar seja a norma.</p>
<p>&#8220;Existem esses tipos de planetas chamados super-Terras e sub-<a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/cn4wld7d2wqo">Netunos</a>, e todos esses tipos exóticos que simplesmente não temos no Sistema Solar&#8221;, disse ele.</p>
<p>&#8220;Temos que pensar que todos esses sistemas planetários alienígenas podem ter todos os formatos e tamanhos. Pode haver coisas lá fora que tenham um mundo mais habitável do que estamos pensando ainda, porque estamos muito centrados no Sistema Solar.&#8221; (Fonte: BBC News Brasil)</p>
<p>O post <a href="https://blogdacondessa.com.br/blog/mundo/o-estranho-sistema-planetario-que-desafia-o-conhecimento-sobre-como-os-planetas-se-formam/">O &#8216;estranho&#8217; sistema planetário que desafia o conhecimento sobre como os planetas se formam</a> apareceu primeiro em <a href="https://blogdacondessa.com.br/blog">Blog da Condessa</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>2026 começa: o que é o tempo e o quanto é verdadeira a crença de que só existe o presente?</title>
		<link>https://blogdacondessa.com.br/blog/mundo/2026-comeca-o-que-e-o-tempo-e-o-quanto-e-verdadeira-a-crenca-de-que-so-existe-o-presente/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Blog da Condessa]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Jan 2026 14:13:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blogdacondessa.com.br/blog/?p=13355</guid>

					<description><![CDATA[<p>2026 já tomou o lugar de 2025 — mais uma mudança de calendário que nos lembra da implacável passagem do tempo. Mas você já parou para pensar no que é o tempo, além do que nos dizem relógios e calendários? Reflita um pouco. Em nossa experiência como seres humanos, percebemos o tempo como uma sequência de [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://blogdacondessa.com.br/blog/mundo/2026-comeca-o-que-e-o-tempo-e-o-quanto-e-verdadeira-a-crenca-de-que-so-existe-o-presente/">2026 começa: o que é o tempo e o quanto é verdadeira a crença de que só existe o presente?</a> apareceu primeiro em <a href="https://blogdacondessa.com.br/blog">Blog da Condessa</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/c20drdrk1kgo">2026 já tomou o lugar de 2025</a> — mais uma mudança de calendário que nos lembra da implacável passagem do tempo.</p>
<p>Mas você já parou para pensar no que é o tempo, além do que nos dizem relógios e calendários?</p>
<p>Reflita um pouco. Em nossa experiência como seres humanos, percebemos o tempo como uma sequência de eventos.</p>
<p>Ou seja: um futuro que se torna presente e um presente que se transforma em passado.</p>
<p>Sentimos que o presente é tudo o que existe, mas ele é efêmero, desaparecendo a cada segundo que passa.</p>
<p><a href="https://www.bbc.com/usingthebbc/cookies/">Advertisement</a></p>
<p>Consideramos o passado como algo que deixou de existir e está se afastando de nós rumo ao esquecimento, embora parte dele permaneça em nossas memórias.</p>
<p>E acreditamos que o futuro é algo potencial que ainda não aconteceu e promete caminhos alternativos.</p>
<p>Mas o que há de verdade em tudo isso? O tempo é algo real ou uma mera ilusão? Ou uma mistura dos dois?</p>
<p>Prepare-se, porque o que a <a href="https://www.bbc.com/portuguese/topics/c340q4kdy9kt">física clássica e a atual</a> dizem sobre isso pode causar perplexidade, já que colocam em questão algumas das crenças mais difundidas sobre o tempo.</p>
<p><strong>Tempos distintos?</strong></p>
<p>Chamkaur Ghag, renomado astrofísico da University College London (UCL), afirma que os físicos ainda não chegaram a um acordo sobre o que é o tempo.</p>
<p>&#8220;Mas há consenso em aceitar o que a <a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-48398691">teoria da relatividade</a> de <a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/c939kp42gy3o">Albert Einstein</a> afirma. Ela apresenta um universo onde espaço e tempo são inseparáveis ​​e se influenciam mutuamente, e onde os fenômenos são percebidos de forma diferente, dependendo do estado de movimento do observador&#8221;, explica Ghag à BBC News Mundo (serviço em espanhol da BBC).</p>
<p>O tempo é relativo, explica Ghag: se dilata à medida que um corpo se move mais rápido em relação a outros.</p>
<p>Assim, quanto mais próximo um objeto (ou um indivíduo) chega da velocidade da luz, mais perceptível se torna a desaceleração do tempo.</p>
<p>Segundo Einstein, o tempo também passa mais lentamente quando um corpo experimenta uma força gravitacional maior.</p>
<p>No filme <em>Interestelar </em>(2014), de Christopher Nolan, há uma cena que ilustra isso bem: o protagonista desce a um planeta sujeito a uma gravidade intensa devido à sua proximidade com um buraco negro.</p>
<p>Quando ele retorna à nave principal depois do que lhe parece pouco mais de uma hora, encontra um tripulante para quem se passaram 23 anos.</p>
<p>A dilatação do tempo foi verificada experimentalmente nas últimas décadas usando relógios atômicos ultraprecisos e modernos <a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-56536889">aceleradores de partículas</a>.</p>
<p>Isso foi corroborado pela detecção de ondas gravitacionais geradas por distorções no espaço-tempo.</p>
<p>São vários os triunfos para as ideias de Einstein.</p>
<p>&#8220;Outro princípio aceito pelos físicos é que o tempo avança e nunca retrocede&#8221;, diz Ghag.</p>
<p>No entanto, uma nova — e controversa — corrente na física, conhecida como teoria pós-quântica da gravidade clássica, adiciona ainda mais complexidade à noção de tempo, imbuindo-a de um grau de aleatoriedade.</p>
<p>De acordo com essa teoria, a passagem do tempo pode oscilar aleatoriamente em certas partes do universo, explica Jonathan Oppenheim, pesquisador do Instituto de Ciência e Tecnologia Quântica da UCL e defensor dessa teoria revolucionária.</p>
<p>&#8220;Essas flutuações ocorrem devido à interação entre o mundo quântico, que tem um comportamento estranho e imprevisível, e a estrutura do espaço-tempo, que é governada por regras previsíveis&#8221;, esclarece Oppenheim à BBC News Mundo.</p>
<p>Isso explicaria curiosidades do nosso cosmos, como que uma partícula possa estar em dois lugares ao mesmo tempo ou estar conectada a outra partícula a milhões de anos-luz de distância.</p>
<p><strong>Uma ilusão?</strong></p>
<p>Mas será que o tempo é mais do que tempo relativo com um toque de acaso?</p>
<p>No livro <em>Uma Breve História do Tempo</em>, o renomado físico britânico Stephen Hawking mencionou a existência do &#8220;tempo psicológico&#8221;.</p>
<p>Segundo Chamkaur Ghag, do University College London, isso se refere à forma como nosso cérebro processa a relatividade temporal.</p>
<p>&#8220;Por alguma razão que a neurociência ainda não explicou, uma parte da nossa psique interpreta o fluxo do tempo em termos de passado, presente e futuro.&#8221;</p>
<p>&#8220;Estamos presos a um cérebro limitado que entende algo tão complexo quanto o tempo dessa maneira&#8230; O que podemos fazer? Este é um campo de estudo fascinante com muito mais a explorar&#8221;, afirma o físico.</p>
<p>A questão, então, passa a ser: como funcionam no universo as categorias que conhecemos como passado, presente e futuro?</p>
<p><strong>Um lugar para o passado</strong></p>
<p>Uma das noções mais intrigantes é a de que, em teoria, nosso passado continua a existir em algum lugar do universo.</p>
<p>&#8220;Como espaço e tempo são inseparáveis ​​e interagem, cada evento em nossas vidas ocorre em um espaço-tempo diferente, mesmo que aconteça no que acreditamos ser o mesmo lugar&#8221;, explica Ghag.</p>
<p>&#8220;É como se nossa existência fosse uma sucessão de instantâneos.&#8221;</p>
<p>Para ajudar você a entender, caro leitor, pense, por exemplo, no que você está fazendo agora: lendo este texto, talvez no seu celular.</p>
<p>Mas o seu &#8220;eu&#8221; atual não ocupa mais o mesmo espaço-tempo que ocupava um segundo atrás. Aquele que você deixou para trás continua a existir em outro plano, mesmo que você não possa vê-lo.</p>
<p>E assim acontece a cada segundo que passa.</p>
<p>Ghag explica que, se soubéssemos as coordenadas exatas dos eventos do nosso passado e fosse possível viajar até esses pontos — algo altamente improvável —, poderíamos encontrar nossos &#8220;eus&#8221; do passado.</p>
<p>Fascinante, não é? Ou aterrorizante?</p>
<p>Em relação ao presente, a física atual sustenta que o que chamamos de &#8220;agora&#8221; é o conjunto de eventos que, em nossa percepção humana, ocorrem simultaneamente em um dado instante.</p>
<p>No entanto, como o tempo pode dilatar, passar em ritmos distintos para diferentes observadores e até mesmo apresentar oscilações aleatórias, também é possível que o presente seja uma &#8220;duração&#8221; em vez de um momento.</p>
<p>Isso o tornaria um tanto menos fugaz do que pensamos.</p>
<p><strong>Futuro certo ou incerto?</strong></p>
<p>E quanto ao futuro, agora que um novo ano está começando? Vale a pena fazer uma lista de resoluções para os próximos 12 meses se considerarmos que o futuro depende da nossa liberdade de escolha?</p>
<p>Ou o futuro é predeterminado, o que invalidaria o livre-arbítrio — mas, ao mesmo tempo, facilitaria a previsão do que está por vir?</p>
<p>É aqui que os físicos se sentem mais desorientados quando se fala sobre o tempo.</p>
<p>&#8220;Alguns dizem que podemos influenciar o futuro escolhendo entre diferentes caminhos&#8221;, diz Ghag.</p>
<p>&#8220;Mas suponha que o livre-arbítrio também estivesse sujeito à relatividade. Teoricamente, se você conhecesse todas as trajetórias possíveis das mentes e dos fenômenos, poderia prever o futuro.&#8221;</p>
<p>Claro, isso criaria um paradoxo, como explica o físico da UCL: &#8220;O conhecimento do que vai acontecer acaba alterando o que vai acontecer.&#8221;</p>
<p>&#8220;A verdade é que a física ainda não tem uma resposta clara sobre o que é o futuro&#8221;, admite Ghag.</p>
<p>Entretanto, o cientista destaca que a esperança e o desejo de mudança nos seres humanos continuam a ser alimentados pela ideia de que o amanhã pode ser moldado — inclusive o ano que acabou de começar. Fonte: (BBC News Mundo)</p>
<p>O post <a href="https://blogdacondessa.com.br/blog/mundo/2026-comeca-o-que-e-o-tempo-e-o-quanto-e-verdadeira-a-crenca-de-que-so-existe-o-presente/">2026 começa: o que é o tempo e o quanto é verdadeira a crença de que só existe o presente?</a> apareceu primeiro em <a href="https://blogdacondessa.com.br/blog">Blog da Condessa</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
